O som agridoce (e melancólico) de Pitty e Martin

“Pitty é o novo folk”, dizia o Churrasco na Laje em junho do ano passado. Nas caixas de comentários por aí, fizeram fila pra condenar. Inclusive eu, fã confessa de Pitty – há sei lá, quase dez anos? – debochei de Agridoce, seu projeto paralelo com o guitarrista Martin Mendonça. E debochei assim que lançado, quando todos apontavam para as influências e riam: “Nick Drake, Elliot Smith, Velvet Underground e Leonard Cohen… Será?”.

A versão folk-hipster do rock de Pitty?


Agridoce,Ne Parle Pas

Pois bem, “vinte minutos em seis” foi meu primeiro julgamento. “É tão chato que parece infinito”, encontrei em anotações antigas. Mas tudo é uma questão de ponto de vista. Tudo depende do momento, da disposição, da vontade. Seis meses depois, e era a hora certa. Felizmente, resolvi fuçar o que havia de novo pelas bandas do som baiano Agridoce numa das madrugadas do início desse ano. Pelo rádio, soube enquanto estava na praia que a cantora liberara novas músicas.

Sem essa de “fofolk”. O  projeto, oficialmente categorizado entre “Canção popular melodramática / Experimental / Shoegaze”, agrada por ser doce sem vomitar unicórnios. Não consigo imaginar Pitty num palco com a postura Shoegaze, mas também não vou aqui me prender a rótulos. Marcante mesmo foi ser surpreendida pela melancolia que poucas vezes alguma música me despertou sem motivo aparente.

E eu adoro melancolia. De repente, percebi que é isso o que mais gosto nas músicas dela e que havia ignorado solenemente na primeira vez que ouvi o projeto. Como se eu tivesse esquecido do poder que as letras de Pitty costumam exercer sobre mim, da força que a voz rouca e atípica da pequena tem sobre meus caprichos. Não é um vocal fácil, ele arranha. Incomoda. Deixa marcas. Desde sempre ela foi a intérprete que mais me agradava — mesmo ao soar irritante. Tudo por uma característica simples:  a singularidade. A identidade que às vezes parece em falta na música atual.

Agridoce me fisgou, seja no francês tímido e marcado de Pitty em Ne Parle Pas, seja em 20 passos, quando a voz de Martin briga com os arranjos de piano e violão. Aliás, acho que Martin deveria assumir o vocal mais vezes, sua performance é ímpar. Está aí o dezenove vezes amor que não me deixa mentir.


Agridoce, 20 passos

Continuo torcendo levemente o nariz para Dançando e Epílogos e Finais — algo não se encaixa para mim — mas é lembrança boa a de que sempre vale a pena dar uma segunda chance, especialmente quando a gente ouve algo já com conceitos formados. Às vezes o pretenso conhecimento é um grande vilão.

Tudo isso pra dizer: quem curtiu também e está em São Paulo pode ouvir ao vivo amanhã, no STUDIO SP, em Noite Fora do Eixo especial. VEM, GENTE!

Minha última oração

Estou desde quarta-feira passada ensaiando uma maneira de falar sobre A Banda Mais Bonita da Cidade, sem encontrar um caminho palpável. Tinha, inclusive, desistido da ideia até alguém da equipe levantar essa bola — acho que o Indie da Depressão — e eu decidir enfrentar o tal bloqueio e dizer logo de uma vez o que está entalado.

Do videoclipe “oração” e sua repercussão, todos já comentaram. O post de Alexandre Matias gerou uma discussão enorme nos comentários, o de Lúcio Ribeiro elencou as melhores manifestações indies acerca da faixa, além dos comentários da imprensa. Zeca Camargo fez um texto apaixonado sobre o “fenômeno”, que classificou como “a velocidade de 2,5 Rebeccas Blacks“, a Galileu separou algumas paródias do vídeo e o pessoal da New Vegas especulou a influência do facebook na explosão da banda. Até os blogs portugueses que sigo no Google Reader já começaram a publicar a respeito.

O que mais me surpreendeu, não no vídeo, nem nessas postagens, mas na repercussão delas, — e, sinceramente, me chama a atenção a cada novo hype — é a necessidade que as pessoas tem de uma opinião. Explico: apenas porque temos o direito de expressar o que achamos de algo, não quer dizer que somos obrigados a isso. Mas hoje não se pode passar batido por nada. Acabou o direito de ignorar.

A internet intensificou essa nossa tendência aos extremos. Exige-se que a gente AME ou ODEIE algo, não nos permitem simplesmente achar OK. Eu ignorei as infinitas discussões online em que fui colocada na quarta-feira apenas porque eu ouvi a música, assisti o clipe, conheci a banda… E não achei nada demais (mas também não achei ruim). No entanto, na quinta-feira, no meio de uma balada, alguém chegou anunciando o assunto e pronto: estava feita uma roda que repetia tudo o que já li em todos os murais e blogs de música possíveis, sem falar no twitter, “é ótimo, os indies são muito chatos”, “é horrível, bando de hipster mongol”. Tomei broncas, em diversas situações, por simplesmente não ter achado nada. Mas, amigos, não estamos falando de uma situação que vai mudar a ordem mundial. Eu realmente não precisava estar inteirada sobre o assunto, muito menos opinar sobre ele. E noventa porcento dessas pessoas — a favor e contra — não sabia nada sobre o que estava falando, a não ser que viram um videoclipe em plano sequência com um refrão repetido à exaustão por alguns músicos de Curitiba. Ninguém queria discutir, também — apenas vomitar opiniões. Fui buscar uma cerveja e não voltei mais.

Porque foi isso que aumentou a discussão sobre a banda: o excesso de amor e ódio, as manifestações abusivas, a repetição infinita acerca do assunto. Obviamente, acabou ajudando a alavancar o vídeo para as mais de 2,5 milhões de visualizações em uma semana — o que, nesse caso, talvez não mereça descrédito, já que a banda parece ter potencial, apesar do hit a la “Cão Arrependido” indie — e tornando o assunto um saco. Só de ouvir falar em bonita, já me pego com sono. Ouvi “Oração” apenas uma vez e, de tanto falarem sobre ela, não consigo tirar a letra da cabeça. Se é espontâneo ou não, não me interessa: não gosto dessa situação invasiva — me lembra a exploração de fatos aleatórios por jornais sensacionalistas.

Mas, é claro, eu tenho bom humor. Então assisti as paródias, ri de algumas, reconheci as carinhas no clipe d’a banda mais bonita da internet. E entendo a brincadeira sobre “a banda mais repetitiva da cidade”. Mas, convenhamos, repetitivos mesmo somos nós, incapazes de dar esse assunto por encerrado.

Apesar da minha oração ser forte, ainda vamos ouvir falar um bocado sobre a banda mais bonita da cidade. Os guris vem para São Paulo tocar no Studio SP dia 7 de junho, no Cedo e Sentado, que normalmente é gratuito, mas, graças à imensa procura, já anunciou por aqui que a entrada deverá ser adquirida no dia 30 de maio, em troca de um agasalho, para evitar tumultos no dia do evento.

#Anamanaguchi: vida e som de um Nintendo morto

Guitarras elétricas, bateria, violão e um Nintendo Entertainment System hackeado. Não é assim tão incomum que meu trabalho aqui no Vitroleiros e o meu oficial (como redator do Fliperama) se confundam: trilhas sonoras de games são um gosto pessoal e vez ou outra sinto uma vontade secreta em reporta-las.  O caso atual, entretanto, me pareceu bem mais interessante: a formação que listei logo na primeira frase? Aquela da guitarra e do Nintendinho? Ela existe de verdade, e está nas mãos mais do que incomuns da banda Anamanaguchi. De  nome esquisito, o grupo nasceu em Nova York em 1985 e são os atuais representantes do gênero chiptune: um estilo musical que imita as trilhas sonoras de games antigos. Peter Berkman, James Devito, Luke Silas e Ary Anaawar não parecem mesmo incomodados em ser os garotos esquisitos da salinha do punk rock – o que é um rótulo e tanto, não duvidem. Não contentes em tirar som do Nintendo – responsável por criar os blip blops mecânicos das faixas – os meninos do Anamanaguchi tem ainda um portátil Game Boy para fins instrumentais e entre uma ou outra trilha mais sentimental, constroem um feeling que seria mais apropriado para “dar o disparo final num chefe robô do mal”. É, palavras dos caras!
Anamanaguchi criou a trilha sonora dos games Bit.Trip Runner e Scott Pilgrim vs. The World: The Game, mas tem um trabalho próprio bem consistente, com o EP Power Supply (2006), o LP Dawn Metropolis (2009) e os singles Airbrushed, My Skateboard Will Go On e Aurora (Meet Me In the Stars) (todos de 2010), disponíveis em sua integra via iTunes. Todos são muito bons, e em um certo ponto de seu manifesto punk rock 8-bit, os nova iorquinos constroem um estilo que se aproxima de algo na linha do Powerpop. Um Metric encontra Street Fighter, se assim me permitirem.
O Anamanaguchi tem página no MySpace e o álbum Power Supply pode ser encontrado na faixa, disponibilizado pela própria banda. O vídeo abaixo é uma espécie de promo para o Airbrushed, e te coloca a par do que essa turba de geeks anda aprontando.

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NeverShoutNever! – O som viciante de Christofer Drew Ingle

“hello. my name is christofer drew. love is my religion. i am sick of the bullshit”.

Essa é a mensagem que o garoto de agora 19 anos deixa em seu myspace. Mas o que parece uma página simplória e mesmo ativista (o bonitinho é todo caído pro lado vegan) abriga um músico talentoso que chama a atenção por aí. Na estrada com o Vans Warped Tour, o compositor do Missouri aposta nas canções que intitula folk-rock, mas estão ali na linha tênue entre o emo e o acústico: violão, piano, ukulele e ele consegue conquistar meninos e meninas pelo mundo todo. Animado, doce, tem horas em que ele lembra bastante o indie pop do início da carreira dos meninos do The Scene Aesthetic.

Christofer começou como muitos de nós que brincamos com instrumentos: ganhou um violão e um mac, decidiu fuçar softwares de edição de som e… Jogou tudo no Myspace. Quando completou 17 anos, já era número um. O primeiro EP, “NeverShoutNever!“, ele gravou sozinho. E fez tanto sucesso que tinha 50 mil plays por dia no Myspace e ainda teve o nome adotado por Chris para si quando ele largou o colégio e conseguiu contrato com uma major. O álbum  “What Is Love?“,  do início de 2010, despontou no Top 40 logo após seu lançamento.

Como se espera de fãs de indie, a maioria ostensiva de adoradores de NeverShoutNever! reclama o tempo todo o fato do sucesso de Chris (o que não faz sentido nenhum, não é mesmo?). “Agora todo mundo vai ouvir”, “agora vai virar modinha”. Alô, galera, deixa o menino. Pra deixar a indiaiada com ainda mais raiva, compartilho com vocês cinco canções dele. Tem até um cover de Bohemian Rhapsody.

Daí, se quiserem mais, é só correr no NeverShoutNever!.com ou procurar os cds nas lojas por aí. Mas eu já aviso: é difííícil achar.

nevershoutnever! pra ouvir

Bridgestone Music Festival: O melhor do Jazz, em São Paulo

nota: esse post é altamente pessoal e deveria estar no lovemaltine. só está aqui no vitroleiros porque REALMENTE vale o convite. incomodados, encaminhem os hatemails para @arianefreitas. :)

Nos primeiros segundos de Christian Scott Quintet eu já estava arrepiada: foram duas horas em que minha vida se resumiu a blues turning into red, a guitarra chorando, o pianista se alongando nos intervalos, um contrabaixista em êxtase, beijos infinitos e juras de amor entre os casais da plateia, uma troca de sorrisos e viagens com a Clara.  O encontro valeu a epopéia que foi chegar até Moema no meio da semana: enquanto os instrumentos do quinteto contavam a  experiência de Christian com a polícia em Ku-Klux-Police Department, eu entrava num planeta paralelo, Charles Bukowski sentado ao meu lado. E, se Buk pedia mais um uísque e pensava em que cavalos apostar, eu escrevia. E sentia saudade, dor, conforto, alegria, tudo ao mesmo tempo ali naquela hora, as coisas ficando mais claras do que eu podia supor.

Depois de uma semana (mês) do cão, eu finalmente conseguia relaxar. Depois de meses me sentindo deslocada em todos os lugares que frequento, o fato de sentar, fechar os olhos e ouvir o quinteto como se nada mais importasse me deu a sensação que eu buscava. Everything is in its right place. Transcedental: essa é a palavra que eu uso para definir a sensação que fica da primeira noite do Bridgestone Music Festival, no Citibank Hall. Porque para mim o jazz tem valor maior que qualquer outro tipo de terapia ou remédios. Acalma de verdade. Inspira. E eu e Clara chegamos a uma conclusão ontem, enquanto esperávamos por um ônibus em terra completamente desconhecida, depois do que foi até agor ao melhor show de 2010 para mim: precisamos de mais Jazz em nossas vidas.

Ocupando uma lacuna relevante na programação cultural de São Paulo, o Festival conhecido por trazer ao Brasil os melhores nomes do Jazz conta esse ano com a participação de Christian Scott Quintet, Uri Caine & Barbara Walker, Dee Alexander & Evolution Ensemble, Ahmad Jamal, The Overtone Quartet – Dave Holland, Jason Moran, Chris Potter e Eric Harland, Piazzolla y Piazzolla, Daniel Piazzolla e Escalandrum, Melissa Walker & Christian McBride1 e Don Byron & New Gospel Quintet.  Faltam shows bons como esses na agenda de todos, podem apostar. Recomendo vivamente àqueles que podem: corram lá agora e aproveitem as próximas noites do Bridgestone Music.

Fica aí um pouco do que vocês perderam ontem, só pra dar um gostinho:

BRIDGESTONE MUSIC FESTIVAL 2010

Programação

1ª noite – 19 de maio
Christian Scott Quintet
Uri Caine & Barbara Walker

2ª noite – 20 de maio
Dee Alexander & Evolution Ensemble
Ahmad Jamal

3ª noite – 21 de maio
The Overtone Quartet – Dave Holland, Jason Moran, Chris Potter e Eric Harland
Piazzolla y Piazzolla
Daniel Piazzolla e Escalandrum

4ª noite – 22 de maio
Melissa Walker & Christian McBride
Don Byron & New Gospel Quintet

Serviço

Quando: 19 a 22 de maio – 21h00
Local: CITIBANK HALL – Al. dos Jamaris, 213 – Moema – São Paulo – SP
Telefone: 4003-5588

Ingressos à venda

Preços:

Camarotes – R$ 120 / R$ 60 (meia entrada)
Mesa Setor VIP – R$100 / R$ 50 (meia entrada)
Mesa Setor I – R$ 70 / R$ 35 (meia entrada)
Mesa Setor II – R$ 60 / R$ 30 (meia entrada)
Mesa Setor III – R$ 50 / R$ 25 (meia entrada)

Classificação etária: Não será permitida a entrada de menores de 14 anos. Para adolescentes de 14 anos e 15 anos, somente acompanhados dos pais ou responsáveis legais
Capacidade: 1450 lugares
Estacionamento: R$ 25 (com manobrista)

Minha própria revelação 2009

Depois de assistir à premiação do Melhores do Ano ontem, no Domingão do Faustão, eu tive certeza absoluta de que falta muito bom senso nesse país. Aceitar que Victor e Leo ganhem o prêmio de banda do ano e Luan Santana ostente a bandeira de revelação 2009 é até fácil, o sertanejo domina o público nacional faz tempo. É só pegar um ranking da Billboard Brasil.

Mas é que vai além, gente. Quer dizer, segundo o programa, as três melhores cantoras nacionais são Claudia Leitte, Ivete Sangalo e Tania Mara. (Os cantores são Seu Jorge, Daniel e Padre Fábio de Melo). Ainda na mesma linha de raciocínio, a melhor música do ano foi Você Não Vale Nada, do Calcinha Preta. Acho que não preciso comentar.

Pois bem, tendo visto uma das minhas queridinhas do cenário nacional com duas indicações no prêmio (Cantor Revelação e Música do Ano, com Shimbalaiê), senti-me na obrigação de vir aqui compartilhar com vocês a doce voz de Maria Gadú, paulistana radicada no Rio de Janeiro.

O visual engana: um desavisado que olhe pra Gadú de primeira consegue enxergar nela só mais uma indiezinha tentando carreira na música. Mas não. E antes que me digam qualquer coisa: Também não é só mais uma agreste na mpb. Pelo menos ao que parece até agora. E aqui não estou defendendo “OLHA MINHA GENTE COMO ESSA MENINA É DIFERENTE HEIN”, porque não é. Mas seu som tem qualidade, e isso, por si só, já é um referencial e tanto.

Assim, na casa dos vinte e poucos anos, Maria Gadú compõe delicinhas e ainda faz versões irresistíveis com seu violão. Já com música em trilha de novela, fechou contrato com a Som Livre para lançar o disco de estreia e chamou a atenção de artistas como Caetano Veloso e Milton Nascimento. Shimbalaiê mereceu estar entre as três músicas do ano, porque olha: gruuuda. De uma forma gostosa.

Vale enfatizar:
A cantora disponibiliza versões de Ne Me Quitte Pas e Baba, além de músicas de sua autoria. Pega a variedade. Apaixonei-me por Maria Gadú, alguém avisa? Seu CD, homônimo, já está à venda.

E aqui, não desmerecendo outras vozes que não estão rodando pelo mainstream e nem os artistas que concorreram e venceram neste ano, fica o meu voto de tristeza. Maria Gadú foi a revelação musical brasileira de 2009 pra mim. Pelo menos entre aqueles que concorreram ao prêmio.

Maria Gadú: Maria Gadú

Slap // Som Livre

Tracklist

Bela flor
Altar particular
Dona cila
Shimbalaiê
Escudos
Ne me quitte pas
Tudo diferente
Laranja
Lounge
Linda rosa
Encontro
A história de Lilly Braun
Baba

//slap.mus.br/maria-gadu
//myspace.com/mariagadu

SHOWS:
contato@mariagadu.com.br
+ 55 21 7858 6020

A trilha do país das maravilhas

O longa-metragem “Alice no País das Maravilhas” (Alice in Wonderland) será estreado no Brasil no dia 21 de abril de 2010. O filme é de Tim Burton, que também assina a direção de filmes como Sweeney Todd (2007), A Noiva-Cadáver (2005), A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005) e outras películas reconhecidas no mercado do cinema comercial.

A aventura conta com duas trilhas sonoras com lançamento previsto no Brasil para o final deste mês de março: uma instrumental e outra, intitulada “Almost Alice”, com tracks de artistas para todos os gostos como um dos ícones do pós-punk, Robert Smith, do The Cure e a diva pop Avril Lavigne, além de bandas do indie rock como Franz Ferdinand e Tokio Hotel. A parte instrumental fica por conta do notável compositor de trilhas sonoras para cinema, Danny Elfman. O musicista já escreveu partituras originais de outros filmes de Burton, como O Estranho Mundo de Jack, Beetlejuice e Edward Mãos de Tesoura.

Quem conhece o coelho branco, desesperado pela pontualidade ou as flores bizarras da história de Alice in Wonderland, percebe que os títulos das faixas do “Almost Alice” dialogam com cenas e passagens do longa e da história original, como a White Rabbit (Coelho Branco), de Grace Potter & The Nocturnals ou a Always Running Out Of Time (Sempre Correndo Contra o Tempo) do Motion City Soundtrack e ainda a Painting Flowers (Pintando Flores) de All Time Low.

Algumas músicas que merecem uma atenção/audição especial estão a The Poison (All-American Rejects), uma balada acústica suave com uma sonoridade leve e poucos toques nas cordas de um violão e momentos surpreendentes. Quem for fã deve conferir o som do Franz Ferdinand, The Lobster Quadrille, que tem uma pegada diferenciada dos outros trabalhos da banda, lembrando um country antigo do velho cowboy do Texas Willie Nelson ou ainda o clássico folk de Johnny Cash. Robert Smith compôs uma trilha um tanto confusa e lúdica. A Very Good Advice faz jus ao enredo fantasioso e hiperbólico do filme, com tons altos e baixos, ecos, distorções no teclado e uma percussão que chega a lembrar algumas trilhas da animação “O Rei Leão” (1994).

Trechos do álbum de Danny Elfman e “Almost Alice” podem ser ouvidos no site oficial da trilha sonora do filme (www.almostalicemusic.com), mas os CDs já estão circulando pela internet e no Youtube.

ALMOST ALICE

1. “Alice” Avril Lavigne 5:01

2. “The Poison” The All” American Rejects 3:54

3. “The Technicolor Phase” Owl City 4:28

4. “Her Name Is Alice” Shinedown 3:39

5. “Painting Flowers” All Time Low 3:26

6. “Where’s My Angel” Metro Station 3:39

7. “Strange” Tokio Hotel e Kerli 3:52

8. “Follow Me Down” 3OH!3 e Neon Hitch 3:24

9. “Very Good Advice” Robert Smith 2:58

10. “In Transit” Mark Hoppus e Pete Wentz 4:28

11. “Welcome to Mystery” Plain White T’s 4:03

12. “Tea Party” Kerli 3:29

13. “The Lobster Quadrille” Franz Ferdinand 2:09

14. “Running Out of Time” Motion City Soundtrack 3:00

15. “Fell Down a Hole” Wolfmother 5:04

16. “White Rabbit” Grace Potter and the Nocturnals 3:22


Ouça as músicas mais legais (na minha modesta opinião):


Registrado a Sete Chaves

Um NxZero muito mais maduro aparece no especial da Multishow, lançado no dia 25 de janeiro desse ano. Longe de mostrar a imagem repetitiva em que focam as reportagens saídas até hoje (especialmente as de grandes veículos) a respeito dos meninos, Sete Chaves – Registro dá voz a todos os membros da banda, agora mais familiarizados com o sucesso durante turnê e gravação do último álbum, Sete Chaves.

Imagens de quatro anos de estrada comentadas por Diego Ferrero, Conrado Grandino, Daniel Weksler, Filipe Ricardo e Leandro Rocha, que transformam as horas maldormidas na estrada, as viagens pelo Brasil, o difícil processo de divulgação e “defesa” dos discos e o dilema da repetição de perguntas por parte da mídia em um material emocionante para fãs e, por que não, não-fãs da banda. O segredo é deixar os preconceitos de lado desde o início e curtir o vídeo como se fosse parte da tal “família NX”.

a propósito: Eu mesma, depois de assistir ao programa e ao making of das gravações do disco, resolvi dar mais uma chance ao álbum – que, na maior das vibes xiita rock’n'roller, não havia conseguido ouvir por inteiro nenhuma vez.

NXZERO – SETE CHAVES
Multishow Registro

Direção de Daniel Ferro e produção de Rick Bonadio, com imagens de César Ovalle.
DVD com Programa + Clipes + Making Of das gravações
Arsenal Music + Multishow + Universal Music
120 minutos – LIVRE

Esculpindo em gelo negro

Sabe como é às vezes a vida: você acorda, faz um café/chá, lê algum livro/jornal/resenha, vai trabalhar/estudar, sai com alguns amigos/namorada(o/as/os) e deita a cabeça na cama à noite surpreso de estar satisfeito de poder repetir a exata mesma rotina no dia seguinte, uma felicidade molenga de estar em um ponto ótimo e seguro, de onde nenhum imprevisto ou sentimento repentino possa te abalar. É assim que me sinto musicalmente com a banda de Hard Rock AC/DC. Na cena rocker desde os idos de 1973 o grupo australiano lança álbuns com um pouco mais do que um miasma criativo e alguns riffs parecidos funcionando como fio condutor da obra. Desde Black in Black e para além dos discos de menor intensidade que povoaram a década de 80, ouvir AC/DC agora é admiravelmente similar a ouvir AC/DC de coisa de 20 anos atrás. No cenário atual, em que o Rock e suas vertentes vêm se diferenciando e reinventando entre e para além de seus paradigmas, isso pode soar um bocado negativo. E, convenhamos, AC/DC está num patamar estranho mesmo se comparado a bandas de igual calibre e tempo de estrada (qualquer um vai concordar comigo depois de ver a repaginada estilística que Judas Priest organizou sob o single Nostradamus). Claro, constatar essa estagnação não deixa de ser “lugar comum” – além de um desserviço para a capacidade criativa musical de Angus, Johnson e cia. Portanto, eis o caso em questão: O CD Black Ice, lançado em outubro de 2008 e a mais nova aventura da banda. Seria este um novo experimento, um disco conceitual pronto para romper suas barreiras de estilo? Um Nostradamus? Ou suas previsões falharam? Confiram a seguir, enquanto disseco o mais atual fruto dos autralianos do AC/DC.

Ok, ok, vamos falar sério! Se vocês conhecem bem AC/DC sabem que a resposta para essas perguntas é um sonoro NÃO. Os autralianos são desse tipo de caras que encontram sua voz na multidão, um formato de sucesso e uma boa sonoridade e seguem firmes e fortes. Sem experimentalismos, sem viagens à lá Jethro Tull. E quer saber, não é nada mal. Se Black Ice consegue fazer algo bem, é superar a sombra do Back in Black e se firmar em suas próprias pernas. As canções são boas, vibrantes e energéticas, além de extremamente viciantes. O disco começa (sim, eles começam sim, geração “Shuffle”! Começam sim!) em uma alta nota com “Rock n’ Roll Train”, uma entusiásmatica coleção de riffs contagiantes, trocados com precisão e velocidade entre o Guitar Hero Angus e Malcolm Young. O ritmo Staccatto um pouco violento e grosseiro faz seu retorno, auxiliado pelo baterista Phil Rudd e o baixista Cliff Williams. A música, entretanto, soa mais organizada e afiada.

De “Rock n’ Roll Train” em diante, o roqueiro padrão está em casa, com uma coleção de músicas com elementos bem semelhantes com os do passado da banda: “War Machine”, por exemplo, parece algo saído de “Back in Black”, enquanto “Anything Goes” tem uma levada similar à de “For Those About to Rock (We Salute You)”. Entre esses sons mais familiares e um ou outro que pode soar vazio de inspiração – “Spoilin’ for a Fight” vem à mente – minha favorita de todo o disco é, sem dúvida, “Rocking All The Way”. Nela, um ritmo funky puxado para Jazz rouba a cena, e o baixo de Cliff Williams ganha voz. Também não dá para deixar de se lembrar dos tempos em que Bon Scott estava nos vocais do AC/DC, e em que o ritmo Soul tinha presença mais marcante no trabalho dos autralianos. É uma faixa genial, e a mais surpreendente de todas as presentes, soprando um pouco de vida nova e personalidade ao álbum.

Já que a base instrumental se manteve a mesma, é o papel do vocal criar a sensação de novo. Diferente de Scott, Brian Johnson é um barítono natural, mas em Black Ice, o vocal explora tons mais altos e, como resultado, sua voz soa um pouco menos impactante.  Longe de estragar a experiência, claro. As letras ainda mantém uma saudável dose de irreverência com pitadas de Tom Sawyer,  relegando tudo o que não for Rock n’ Roll pra um mero segundo plano. Sem emoções profundas e investigações sobre o melodrama humano, é interessante notar como o AC/DC ainda consegue criar um material tão divertido com palavras e temas que já são clichés há décadas. Fato é que depois de um tempo ouvindo Black Ice é possível que você comece a cantarolar coisas que te fariam soar no mínimo cafona. E que você não dê a mínima pra isso.

ACDC – Black Ice (Sony/BMG)

Produzido por Brendan O’Brian

Lead Guitar: Angus Young

Rythym Guitar: Malcolm Young

Vocais: Brian Johnson

Baixo: Cliff Williams

Bateria: Phil Rudd

Canções compostas por A. Young e M. Young

Retrospectiva 2009, Expectativas 2010!

O ano de 2009 foi bastante abrangente e produtivo para o meio musical. Tivemos lançamentos de discos importantes como “Backspacer” do Pearl Jam, revelações como Lady Gaga e Susan Boyle, com destaque especial para as franquias musicais da Disney pós- High School Musical, que incluem Jonas Brothers, Taylor Swift e Miley Cyrus.  Também tivemos perdas irreparáveis para a música: Michael Jackson, Les Paul e Mercedes Sosa são apenas alguns exemplos.

No Brasil destacamos o surgimento das divas da nova MPB: Vanessa da Mata, Céu e Bebel Gilberto, que alçaram vôos internacionais esse ano. Entre os discos nacionais, “Chiaroscuro” da Pitty e “Sete Chaves” do NX Zero surpreenderam como mais aguardados.

Aguardadas, também, foram as visitas que tivemos ao longo do ano: Em 2009 recebemos em terras brasileiras artistas que agradaram ouvidos e gerações distintas, destacando: Elton John, Alanis Morissette, Backstreet Boys, Iron Maiden, Jonas Brothers, Radiohead, A-Ha, Kiss, B52’s, U2, Oasis, o lendário Chuck Berry, Joss Stone, Lilly Allen, Jerry Lee Lewis, Pet Shop Boys, Faith No More, Iggy Pop, Sonic Youth, Evanescence, Donna Summer, Twisted Sister, The Killers, Jason Mraz, Sting, AC/DC e Beach Boys.

O ano chegou ao fim, e as expectativas para 2010 são grandes. São muitos os boatos de shows internacionais no Brasil, e poucos deles estão realmente confirmados. Preparem os bolsos, as máquinas fotográficas e… A paciência pras filas.

Entre tantos boatos, eis os fatos! Os shows que rolarão no primeiro semestre de 2010:

Eagle-Eye Cherry
Data: 21/01
Local: Via Funchal – SP
Ingressos: de R$ 100 a R$ 200

The Original Waillers
Data: 27/01
Local: Via Funchal – SP
Ingressos: de R$ 100 a R$ 180

Akon
Data: 26/01
Local: Via Funchal – SP
Ingressos: de R$ 170 a R$ 300

Data: 28/01
Local: Vivo Rio – RJ
Ingressos: de R$190 a R$ 280

The Cranberries
Data: 28/01
Local: City Bank Hall – RJ
Ingressos: de R$ 160 a R$ 300

Data: 29/01
Local: Credicard Hall – SP
Ingressos: de R$ 100 a R$ 300

Data: 31/01
Local: Chevrolet Hall – BH
Ingressos: de R$ 140 a R$ 200

Data: 03/02
Local: Pepsi On Stage – RS
Ingressos: de R$ 90 a R$ 300

Metallica – World Magnetic Tour
Data: 28/01
Local: Estádio Zequinha – RS
Ingressos: de R$ 120 a R$ 250

Data: 30/01 e 31/01
Local: Estádio Morumbi – SP
Ingressos: de R$ 150 a R$ 500

Beyoncé – I am … Tour
Data: 04/02
Local: Parque Planeta – SC
Ingressos: de R$ 90 a R$ 500

Data: 06/02
Local: Estádio do Morumbi – SP
Ingressos: de R$ 35 a R$ 600

Data: 07/02
Local: HSBC Arena – RJ
Ingressos: de R$ 90 a R$ 700

Data: 10/02
Local: Parque de Exposições de Salvador – BA
Ingressos: de R$ 60 a R$ 600

Coldplay – Viva La Vida
Data: 28/02
Local: Praça da Apoteose – RJ
Ingressos: de R$ 250 a R$ 500

Data: 02/03
Local: Estádio Morumbi – SP
Ingressos: de R$ 160 a R$ 500

NOFX
Data: 03/03
Local: Teatro Bourbon – RS
Ingressos: valores não divulgados

Data: 04/03
Local: Santana Hall – SP
Ingressos: valores não divulgados

Data: 06/03
Local: Brasil Awake Festival – CE
Ingressos: valores não divulgados

Data: 07/03
Local: Master Hall – PR
Ingressos: valores não divulgados

Franz Ferdinand
Data: 18/03
Local: Pepsi On Stage- RS
Ingressos: de R$ 80 a R$ 120

Data: 19/03
Local: FundiçãoProgresso – RJ
Ingressos: R$ 140

Data: 23/03
Local: Via Funchal -SP
Ingressos: de R$ 180 a R$ 300

Guns’n Roses
Data: 07/03
Local: Brasília – local não confirmado
Ingressos: valores não divulgados

Data: 10/03
Local: Belo Horizonte – local não confirmado
Ingressos: valores não divulgados

Data: 13/03
Local: São Paulo – local não confirmado
Ingressos: valores não divulgados

Data: 14/03
Local: Rio de Janeiro – local não confirmado
Ingressos: valores não divulgados

Data: 17/03
Local: Porto Alegre – local não confirmado
Ingressos: valores não divulgados

Logo menos liberamos uma agenda mais completa pra vocês! 2010 é nosso =D