Gospel não! Cristão.

O cenário musical cristão brasileiro anda bem mal… As melhores produções surgem com tão pouco apoio que muitos não ouvem falar delas. Já aqueles que conseguem chegar ao amplo público que estas músicas podem ter, costumam ter uma qualidade baixa. Sejam questões técnicas, problemas nas composições e letras e até mesmo inconsistências teológicas! Quase sempre são uma versão (ruim) de Gospel Pop, e figuram como “tudo o que há de música cristã por aí”. Certo? Errado.

Embora seja complicado de receber estas boas notícias, há músicos cristãos de qualidade tentando chegar ao público. Muitos destes ainda tem a consciência de que não necessariamente todas as músicas precisam ser aquelas “bem crentes” e “de igreja”, mas sabem que se canta o que está no coração e, assim, a religião e fé deles passa naturalmente e não forçadamente, garantindo a qualidade e autenticidade.

Há nomes também já conhecidos que seguem este panorama, como João Alexandre, Marco Neves, Carlinhos Veiga, entre outros (e são nomes da boa música brasileira). Mas na nova geração poucos figuram neste cenário. Alguns anos atrás eu destacaria o Oficina G3, como estilo rock, mas mesmo eles andam mudados. Mas, calma lá, nem tudo está perdido!

(Dica número 1:) Para quem quer se manter atualizado, há um site ótimo que exibe programas semanais sobre a boa música cristã brasileira, com entrevistas e um artista tocando sua música. É o Plataforma, produzido com muita qualidade (mesmo!). Essa semana ele fala da música “Amor Incondicional” de Jorge Camargo. E ainda há muita coisa guardada no arquivo, de entrevistas passadas.

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(Dica Número 2:) Além disto me encaminharam uma banda “nova” (na verdade ela nasceu em 2006) que foi entrevistada pelo alforria (que passa o contato e o download autorizado de faixas do disco deles) e CristianismoCriativo (leiam estas matérias, acho que valem a pena para os interessados). É o Crombie, um grupo de Niterói que não toca, na minha opinião, música gospel, mas sim uma mistura de alternativa, nova mpb, reggea e indie.

Suas letras, também, são muito mais, digamos, “pé-no-chão, sem abrir mão do que está no coração”. Como eles mesmo dizem, ou melhor, cantam, na música “Canto”, “Canto a esperança que não morre,/A paz que sinto no meu coração”. E o bom é que eles não cantam somente músicas que falam de Deus, do cristianismo, etc. diretamente, mas do dia-a-dia, da rotina, cantam poesia, fazem a coisa bonita! Para muitos cristãos cansados de música pop, gospel e, muitas vezes, hipócrita, a banda expressa o que é ter esta fé e demonstrá-la mesmo no que parece que não tem nada a ver. Lembrando mais uma letra deles, “Eu não te falei teoria/Eu quis viver pra mostrar”.

Na entrevista publicada no site alforria, eles falam até do limite no mercado atual: “O nicho da música cristã no mercado fonográfico brasileiro tem se fechado muito para outros segmentos, acaba criando uma linguagem própria e ficando incomunicável. Gostamos da comunicação”. Condordo.

Portanto, para quem quiser, acho que vale a pena ouvir a Crombie e buscar saber mais sobre eles. Os outros sites, também, passam informações interessantes mostrando que a boa música cristã brasileira ainda está por aí. Graças a Deus!

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Maracangalha

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A escada da sala da minha casa tem uns canos que vão do teto até os degraus. Eles vão diminuindo conforme a altura entre teto e degrau. O espaço entre eles é sempre igual. Eu gostava, quando pequeno, de sentar na escada, colocar os pés entre os canos e ficar observando meu pai lendo jornal. Os degraus são feitos de pedra e eu lembro como meu corpo ficava gelado enquanto eu fazia isso.
Um dia ele levantou os olhos de trás do jornalão e disse: “O Tom Jobim morreu”.
Essa foi a minha primeira morte. Tinha uns cinco anos.
E como entender a morte de Jobim? Como entender a morte do homem que dizia que iria para Maracangalha de chapéu de palha? Como entender a morte de alguém que tinha uma filha tão doce e que dizia “de novo” com tanta ternura?
Boa noite Jobim, você me ensinou o que é amor, morte, vida e álcool. Me despeço de você.

Palavra (En)cantada: Cinema, música e poesia

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Eis que, plena aula de rádio, procurando pauta na Ilustrada, descobri o documentário Palavra Encantada, de Helena Solberg. Estreou esta sexta, mas já está chamando atenção de quem aprecia música popular brasileira faz tempo – foi vencedor do prêmio de melhor direção de longa-metragem/documentário do Festival do Rio 2008. O filme, que retrata a relação entre poesia e música, conta com imagens raras de Dorival Caymmi e Caetano Veloso, além de depoimentos de compositores e intérpretes que atingem quase todos os gostos da canção popular. Fiquei DOIDA de vontade de assistir.

Em depoimento para a página oficial do vídeo, Helena Solberg conta que “o filme construiu seus fundamentos baseado em 18 entrevistas” a músicos, poetas, compositores e pensadores que “ofereceram suas idéias e opiniões sobre a trajetória da musica popular brasileira nas últimas seis décadas”. Segundo Helena, “promover o ‘diálogo’ destas três formas de expressão (cinema, música e literatura) na narrativa do filme foi um grande desafio (…). Mais do que sobre a música e a literatura, é um olhar abrangente sobre nossa cultura”.

Em cartaz no Cine Bombril, Cinesesc e circuito, a classificação é livre.
Agora, que tal assistir ao trailer com carinho e me dizer que vai me levar pra ver? =D

Palavra (En)Cantada
Documentário. Brasil, 2008

Direção: Helena Solberg
Elenco: Arnaldo Antunes, Chico Buarque de Hollanda, Maria Bethânia, Gustavo Black Alien, Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto, Martinho da Vila, Lenine, Jorge Mautner, Paulo César Pinheiro, Luiz Tatit, José Miguel Wisnik, Tom Zé
Censura: Livre
Duração: 83 minutos

Resultado do Concurso Gilberto Gil Youtubeokê

Salve, queridos!

Sei que andamos distantes, mas logo logo essa monotonia aqui acaba, aí a produção por aqui dá uma acelerada de novo. E também não foi pra dizer isso que eu vim aqui não! Sabe o que é?

Print devidamente kibado do amnesia.com.br

Print devidamente kibado do amnesia.com.br

Eis que chega até nós o resultado do Concurso Cultural Gilberto Gil Youtubeokê, que eu divulguei aqui há um tempinho atrás e… ADIVINHEM? O primeiro lugar foi pra ninguém menos que o Renaton, um dos nossos! E olha que não é por ser vitroleiro que eu digo que mereceu, não, hein?

O canal de Gil divulgou um vídeo especial com trechos dos vídeos enviados para anunciar os ganhadores .

Segue a lista dos vencedores:

5º Lugar: Patrick Souza, com Vamos Fugir;
4º Lugar: Edilson Dhio, com Lamento Sertanejo;
3º Lugar: Maira Soares, com Ladeira da Preguiça;
2º Lugar: Renan Nicholas, com Palco;
1º Lugar: Renato Di Giorgio; com Pela Internet.

Muito obrigada à galera que assistiu ao vídeo pra ajudar o Rê!

Vale dar uma conferida na página oficial do concurso no youtube pra ver os outros vídeos também!

Jaçanã

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Como sou uma analfabeta geográfica em São Paulo, sempre que ouvia "Trem das Onze", de Adoniran Barbosa, pensava: onde diabos fica Jaçanã?

Hoje, no auge da procrastinação, resolvi descobrir.

Jaçanã é um bairro da Zona Norte de São Paulo. O tal trem é o Trem da Cantareira, que ligava o centro da cidade ao reservatório de água Cantareira.

Nos anos 50, o músico Adoniran Barbosa participou do filme "A Pensão da Dona Stella" da Cinematográfica Maristela, cuja sede ficava na região. Para chegar no estúdio, Adoniran tomava o trem da Cantareira e desembarcava na estação do Jaçanã. A rotina inspirou a letra da música.  A linha de trem funcionou de 1910 até 1965.

Surpresa boa: eu morei na Zona Norte, no bairro do Tremembé quando era criança. Os bairros do Tremembé e de Jaçanã ficam pertinho um do outro.

Então me sinto no direito de usar a licença poética – apesar de hoje morar no Paraíso e fazer alguns séculos que minha mãe não me espera acordada – e também cantar.

Não posso ficar
Nem mais um minuto com você

Sinto muito amor
Mas não pode ser

Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã

E além disso mulher
Tem outra coisa
Minha mãe não dorme
Enquanto eu não chegar

Sou filho único
Tenho minha casa pra olhar

Bam zam zam zam zam zam
Quaiscalingudum
Quaiscalingudum
Quaiscalingudum
Quaisgudum, tchau!