#entrevista: banda Offline

O Vitroleiros conversou com a banda carioca Offline sobre seu novo álbum independente, lançado em abril deste ano. É o segundo disco dos caras, um trabalho primoroso que comporta 12 faixas inéditas. Lançado pelos quatro integrantes (Pedro, Diego, Marcão e Gabriel) + empresário + engenheiro de som + patrocínios é “totalmente independente de selos, gravadoras, empresários ricos e famosos”, como contou o baterista, Diego.

O curioso é que o “Tudo Aquilo Que Te Faz Voar” foi gravado no ambiente rural, numa fazenda. Os garotos comentam que o resultado deste “isolamento” do mundo urbano foi um disco mais fluido, mais acústico e mais despojado.

O CD está disponibilíssimo para baixar, com as letras das músicas e tudo mais, no site oficial.

Confira também:

Fotolog

Myspace

Orkut

Youtube

Quem toca:

Pedro Burgos – vocal e guitarra, Gabriel Marcondes – baixo, Diego – bateria, Marcão – guitarra


Ouça “Quando o chega o fim”:

A Offline surgiu no Rio de Janeiro, cidade menos acostumada com o cenário do rock independente, diferente de São Paulo, Curitiba e até mesmo do nordeste brasileiro, o que torna mais difícil a subida de uma banda na escada da fama e do reconhecimento. Mas isso não foi um empecilho para a Offline. Confira na entrevista.

Sempre em busca de apoiar as produções alternativo-independentes, o Vitroleiros perguntou para a Offline:

- Vitroleiros: Há poucas bandas de rock do Rio de Janeiro conhecidas atualmente. Qual a força, o impacto e o público deste estilo na região?

Offline: Bem, no Rio de Janeiro o cenário que prevalece é o do funk, samba e o das noitadas, é claro. Então ser uma banda de rock, por mais pop que seja, é difícil por aqui. Mas acho também que a dificuldade em se tornar uma banda reconhecida não é só no Rio. Em todos os lugares é bem difícil aparecer, até porque hoje em dia tem “mil bandas por quilômetro quadrado”. Toda essa dificuldade, para nós, é vista como um incentivo a correr mais atrás do nossos sonhos e objetivos como banda.

- Vitroleiros: Como a banda Offline foi formada?

Offline: Eu (Diego) e Pedro estudávamos juntos na adolescência e nos identificamos musicalmente desde sempre. Quando dava, nos reuníamos para fazer um som, fosse em pequenos projetos ou simplesmente para passar o tempo, e um dia tivemos a ideia de formar a Offline. Gabriel é primo do Pedro e já havia tocado conosco em um desses projetos. Começamos a fazer shows, frequentar ainda mais shows e a conhecer gente, e assim conhecemos o Marcão.

- Vitroleiros: Qual a identidade musical deste álbum?

Offline: Depois de alguns anos de banda, meio que achamos o que se chama de ”identidade musical“. Nada mais é do que um início de estrada pelo qual você começa a querer caminhar. Ao longo desse trajeto muitas coisas vão acontecendo e influenciando essa estrada de todas as formas. Um diferencial nesse disco foi o fato de o gravarmos numa fazenda, meio isolados do mundo e num clima diferente da cidade grande que estamos acostumados a (con)viver. O resultado foi um disco mais despojado, muito orgânico, com mais violões e arranjos mais livres do que os do primeiro disco (OFFLINE – 2008). Gostamos de acreditar que foi um belo registro daquele momento. Simples assim.

- Vitroleiros: Quais são as influências de músicos nacionais e internacionais da banda?

Offline: Nossas influências são as mais variadas possíveis. Mas como exemplo de artistas nacionais podemos citar Legião Urbana, Barão Vermelho, Lulu Santos e Nando Reis e internacionais posso dizer que Counting Crows, Goo Goo Dolls, Bon Jovi, Aerosmith, Guns ‘n Roses, etc. Influência vem basicamente de tudo o que a gente ouve, lê, vive e imagina.

- Vitroleiros: Como está a recepção do público pelas músicas novas?

Offline: Tem sido a melhor possível! As pessoas comentam que o som está mais maduro, muito “gostoso”, que é um som que embala. Falam das canções e comentam também da naturalidade, que foi na minha opinião um dos pontos altos do disco. Ainda vamos apresentar esse novo projeto a muitas e muitas pessoas!

- Vitroleiros: Quais são os projetos futuros da banda?

Offline: Futuro é o presente neste caso. Temos que botar a cara na estrada para divulgar nosso disco recém-lancado em todos os lugares possíveis e acumular experiências e novas influências para fazer um novo disco daqui há algum tempo.

- Vitroleiros: Como está a agenda de shows?

Offline: Nosso empresário esta agendando nossos shows dessa turnê que começará custe o que custar, agora no mês de junho. Então em breve divulgaremos as datas, locais e tudo mais.

- Vitroleiros: Vocês Pretendem lançar algum clipe?

Offline: Com certeza! Ao final da gravação do “Tudo Aquilo Que Te Faz Voar”, juntamos o equipamento numa certa área da fazenda e gravamos um material que está sendo editado como vídeo da música “Você Me Disse Que Ia Voltar” (faixa 2). Decidir uma música em especial é que é difícil (risos), mas estamos sempre fazendo imagens de shows ao vivo. Pretendemos produzir um clipe oficial mais requintado para lançar na TV também.

- Vitroleiros: A Offline disponibiliza o álbum, inclusive os encartes e letras no site para baixar gratuitamente. A divulgação da música hoje é mais importante do que vender mais discos?

Offline: Sem dúvida que é. Hoje em dia tem muita oferta de música, então a melhor maneira de vender música é dando elas para o público sem que eles precisam de grandes esforços. Qualquer empecilho gerado para alguém chegar até música já é ruim, devido ao fato de que certamente terá um link ao lado de uma outra música, com o acesso mais fácil e rápido. Então a gente dá a nossa música a quem quer ouvir e dá a oportunidade das pessoas conhecerem mesmo que seja sem querer (risos).

- Vitroleiros: Indicam alguma banda que considerem de destaque do cenário alternativo?

Offline: Alternativo é o que destoa do comum e hoje em dia tudo destoa do comum, então grupo alternativo pode ser qualquer um, inclusive a gente, se comparado com outra realidade. Mas um cenário alternativo que eu indico é o do rock ‘n roll. Tem muito rock bom hoje em dia que não tem espaço na mídia. Procurem no Googlerock ‘n roll” e escutem tudo o que puderem que vão achar muita coisa boa.

“Bah”, talento do sul

Em turnê de lançamento do primeiro disco, Apanhador Só é uma banda que traz inovação e variedade sem deixar a sintonia de lado. Conheça o quarteto de Porto Alegre, que conversou com o Vitroleiros nas mesinhas do CCSP.

Felipe, Alexandre, Fernão e Martin se completam

Noite fria, casa cheia. O pequeno espaço da Funhouse estava lotado de pessoas, todas atentas e apertadas quando os primeiros acordes começaram a soar. Na segunda música, uma garota que não conhecia a banda virou e falou: “foda”. Outros garotos concordaram. Vindo de Porto Alegre (RS), o Apanhador Só logo conquistou o público da primeira noite da fatia paulistana da turnê de lançamento de seu primeiro disco, homônimo. Alexandre Kumpinski (vocal, guitarra), Felipe Zancanaro (guitarra), Fernão Agra (baixo) e Martin Estevez (bateria) formam o quarteto que vai ficar mais quinze dias por São Paulo, passando pelo CCSP, pela Livraria da Esquina e pelo SESC Santana.

A banda começou há alguns anos, quando Alexandre, Fernão e o então baterista Drusko começaram a tocar juntos. Depois entrou Felipe na guitarra, Carina Levitan participou por um período na percussão e Martin, na bateria, foi o último a entrar. Em 2005, como prêmio do festival do Centro dos Estudantes Universitários de Engenharia, eles gravaram duas músicas que, junto com outras três, formaram o EP Embrulho Pra Levar, lançado no início de 2006. A arte do EP era carimbada por eles mesmos, e Felipe lembra bem do trabalho manual. “Era contraditório, a gente depende da mão para tocar mas tinha de passar um tempão carimbando”, ri.

“Na época estava começando o Trama Virtual e um amigo nosso mostrou o site”. Com o EP online, a banda foi ganhando público e espaço no cenário de Porto Alegre (“é uma mini-São Paulo”, compara Martin; “tu tem de cuidar do que faz nas festinhas”, alerta Alexandre). Em 2006 ganharam o Festival Trama Universitário e, desde 2007, começaram a pensar em montar o álbum, buscando financiamento. “Não queríamos fazer de qualquer jeito”, o vocalista explica a dedicação. Quatro anos depois do EP (e com um de três músicas lançado no meio sem muito alarde), em abril deste ano surgiu o primeiro CD do Apanhador Só, com treze faixas de canções antigas, como Maria Augusta, até faixas mais novas, como Nescafé.

Com produção de Marcelo Fruet, o álbum apresenta um grupo completo, que, ao longo das faixas, mostra variedade com traços que vão desde MPB até o rock mais pesado. O quarteto reconhece a importância do produtor no processo. “Ele trouxe essa visão de fora”, destaca Martin. Já Alexandre explica que o trabalho do produtor foi focado na formação antes do estúdio.“O Marcelo foca mais na pré-produção, tanto que em algumas gravações ele nem foi.”

O disco traz ainda a presença da ex-integrante da banda que foi para Londres, Carina Levitan, com sua percussão divertidíssima, que engloba de balão de festa à já clássica roda de bicicleta. Veio passar um mês no Brasil gravando sua parte, sem quase nada a mais feito. Mesmo fora da banda (“quando ela saiu, paramos para repensar”), Carina levou novidade e variedade ao CD. “Cada vez que a pessoa ouve o álbum encontra algo novo”, explica Alexandre. “Acho que traz textura para o disco”, acrescenta Felipe. Alexandre logo argumentou que, em algumas canções, a presença dos instrumentos de Carina foram mais pontuais.

Dos objetos-intrumentos da percussão, que eram difíceis de captar nos shows, a roda de bicicleta acabou ficando. “O som era legal, ficava bonito no palco, acabou ficando e virou uma espécie de símbolo”, explica sucintamente Fernão.

O baixista, por sinal, fala poucas vezes, mas, quando fala, sempre tem algo a dizer, sem gastar a lábia. Como quando estavam divagando sobre a diferença do som de seu baixo:

Alexandre: “O Fernão, por exemplo, não tocava baixo, né?”
Fernão: “É?”
Alexandre: “É, você veio do violão, da guitarra, não? Então trouxe coisa deles.”
Fernão: “Não sei, é? Se você está falando…”

Já Martin, tagarela, se perde nas histórias e os companheiros brincam com seu devaneio, como sobre a vez que ouviu a banda ao vivo pela primeira vez e, tendo tocado antes deles, queria desmontar logo a bateria enquanto os outros continuavam numa espécie de jam session.

Os meninos são bem diferentes uns dos outros, várias vezes mostram opiniões diferentes sobre os mesmos assuntos e possuem influências musicais bem variadas. “No MP3 meu e do Alexandre você não vai encontrar nada em comum”, destaca Martin. Ele, por sua vez, participa de outras bandas e traz um histórico de gosto mais ligado ao instrumental. “Foi difícil no começo aprender a conter a bateria um pouco, a fazer os arranjos certos para o Apanhador.” O quebra-cabeça de vários estilos e a sintonia do quarteto é o que forma a música típica da banda, o que faz dela tão diversa e, ao mesmo tempo, completa.

O formato final do Apanhador Só é reflexo de todo processo de criação. Com o nome em quase todas as canções, Alexandre costuma escrever e apresentar para o grupo num formato quase voz e violão. “Então cada um vai tocando naturalmente, é bem natural”, pensa Felipe. Às vezes, Alexandre pára uma letra no meio e pede ajuda. Em algumas destas vezes e em histórias com amigos surgiram diversas parcerias no disco, desde poetas gaúchos até o Estevão do paulistano Bazar Pamplona. “Eu acho ele um dos grandes compositores desta geração”, diz o vocalista e compositor. Mais uma influência brota quando se ouve o sujeito feminino de “Bem Me Leve”. Chico Buarque? “É, eu ouvia e tocava muito Chico, tocava aqueles songbooks, era natural. E acho que veio também pela rima.”

Das canções antigas algumas não entraram pela evolução do grupo. “Não tocávamos mais”, explica Alexandre, “as outras eram melhores”, contrapõe Martin, “talvez algum dia até volte”, completa Felipe sobre a faixa do primeiro EP, “Damas”. “Balão-de-Vira-Mundo”, por sua vez, ganhou um tango sugerido pelo produtor e logo aceito pelo animado Felipe. “Sempre quis fazer algo do tipo”, diz o guitarrista enquanto Fernão e Alexandre brincam, “sempre foi nossa influência”, riem. De influência, eles trazem muita coisa da música do Rio Grande do Sul, e acabam sendo mesmo uma banda gaúcha de Porto Alegre, que reflete até o ambiente roqueiro da cidade. “Se não tivesse isso em Porto Alegre, não teríamos comprado nossas guitarras aos 15 anos”, conta Alexandre.

Para quem quiser baixar, o álbum está disponível na internet. Mas vale adquirir o disco físico pela qualidade. Para fazê-lo, chamaram o designer Rafael Rocha que, baseado em algumas indicações do que eles queriam, fez o álbum. “Inclusive foi dele a ideia de pessoas ligadas ao disco, como os compositores, escreverem as letras no encarte”, explica Alexandre. O álbum é mesmo bonito e criativo, ainda demonstra algumas características da banda, vale para colecionar.

Bem sulistas, os meninos do Apanhador Só trazem este clima de Porto Alegre em suas canções. Além disso, são uma das bandas que transpiram sintonia. As influências e as manias de cada um deles aparece no resultado final em harmonia, mesmo as de Fernão, que não gravou o CD. Daí que se monta o som do Apanhador, variado e completo, do tipo que te conquista na segunda canção.

Próximos Shows

4/maio – Tapas Club (sp)
6 e 7/maio – CCSP (sp)
7/maio – Livraria da Esquina / com Bazar Pamplona (sp)
8/maio – Sesc Presidente Prudente (pres. prudente)
8/maio – Trip Music Bar (maringá)
16/maio – James Bar / com Banda Gentileza (curitiba)
27/maio – Sesc Santana (sp)

Para baixar: www.apanhadorso.com

Para ver:


Fora do Post – nosso Backstage – O Vitroleiros coleciona algumas falhas na nossa história. Uma entrevista de duas horas com a maravilhosa Lulina arquivada, um repórter que esqueceu e perdeu uma conversa com uma banda nova e, agora, a tecnologia dando de 10 a 0 na Jessica. Graças à ótima memória, pude lembrar até de aspas dos rapazes, mas, infelizmente, as falas não estão exatamente iguais. O áudio do gravador emprestado de nossa também vitroleira Tory foi deletado depois que ele travou. Então, peço desculpas por qualquer frase diferente no texto, mas desta vez a tecnologia ganhou de mim…

Minha própria revelação 2009

Depois de assistir à premiação do Melhores do Ano ontem, no Domingão do Faustão, eu tive certeza absoluta de que falta muito bom senso nesse país. Aceitar que Victor e Leo ganhem o prêmio de banda do ano e Luan Santana ostente a bandeira de revelação 2009 é até fácil, o sertanejo domina o público nacional faz tempo. É só pegar um ranking da Billboard Brasil.

Mas é que vai além, gente. Quer dizer, segundo o programa, as três melhores cantoras nacionais são Claudia Leitte, Ivete Sangalo e Tania Mara. (Os cantores são Seu Jorge, Daniel e Padre Fábio de Melo). Ainda na mesma linha de raciocínio, a melhor música do ano foi Você Não Vale Nada, do Calcinha Preta. Acho que não preciso comentar.

Pois bem, tendo visto uma das minhas queridinhas do cenário nacional com duas indicações no prêmio (Cantor Revelação e Música do Ano, com Shimbalaiê), senti-me na obrigação de vir aqui compartilhar com vocês a doce voz de Maria Gadú, paulistana radicada no Rio de Janeiro.

O visual engana: um desavisado que olhe pra Gadú de primeira consegue enxergar nela só mais uma indiezinha tentando carreira na música. Mas não. E antes que me digam qualquer coisa: Também não é só mais uma agreste na mpb. Pelo menos ao que parece até agora. E aqui não estou defendendo “OLHA MINHA GENTE COMO ESSA MENINA É DIFERENTE HEIN”, porque não é. Mas seu som tem qualidade, e isso, por si só, já é um referencial e tanto.

Assim, na casa dos vinte e poucos anos, Maria Gadú compõe delicinhas e ainda faz versões irresistíveis com seu violão. Já com música em trilha de novela, fechou contrato com a Som Livre para lançar o disco de estreia e chamou a atenção de artistas como Caetano Veloso e Milton Nascimento. Shimbalaiê mereceu estar entre as três músicas do ano, porque olha: gruuuda. De uma forma gostosa.

Vale enfatizar:
A cantora disponibiliza versões de Ne Me Quitte Pas e Baba, além de músicas de sua autoria. Pega a variedade. Apaixonei-me por Maria Gadú, alguém avisa? Seu CD, homônimo, já está à venda.

E aqui, não desmerecendo outras vozes que não estão rodando pelo mainstream e nem os artistas que concorreram e venceram neste ano, fica o meu voto de tristeza. Maria Gadú foi a revelação musical brasileira de 2009 pra mim. Pelo menos entre aqueles que concorreram ao prêmio.

Maria Gadú: Maria Gadú

Slap // Som Livre

Tracklist

Bela flor
Altar particular
Dona cila
Shimbalaiê
Escudos
Ne me quitte pas
Tudo diferente
Laranja
Lounge
Linda rosa
Encontro
A história de Lilly Braun
Baba

//slap.mus.br/maria-gadu
//myspace.com/mariagadu

SHOWS:
contato@mariagadu.com.br
+ 55 21 7858 6020

Se Caetano Veloso aparecer com café com suita, você toma?

O verso (“Traz meu café com suíta/Eu tomo/Bota a sobremesa/Eu tomo/Eu como/Eu como/Você”) da música “Você não entende nada” tem um gostinho dietético retrô.

Suita foi uma das primeiras marcas de adoçante a surgir no Brasil. As propagandas decretavam: “Agora a senhora pode fazer em casa doces que não engordam!”. Era o início da geração saúde, da encanação com o corpo e do fim do reino do açúcar.

Hoje em dia, os novos baianos, paulistas e mineiros cantam a música sem saber o que significa “café com suita”. Eu mesma, precisei tirar o antigo doce bárbaro do fundo do baú.

Para ler sobre os bons tempos que não voltam mais: tire a poeira do livro “O mundo acabou”, do jornalista Alberto Villas.
Para ouvir: “Juntos e ao Vivo”, de Caetano Veloso e Chico Buarque.

A Orquestra Brasileira de Música Jamaicana

l_c3eb4c335165473c99eaf2071f5a9f5b

“Big Band de Ska”  interpreta músicas brasileiras com ritmos da Jamaica

Aposto que você nunca pensou em dançar ao som da música-tema de “A Voz do Brasil”, não é mesmo? Acontece que a sisuda, séria e antiga ópera “O Guarani”, composta por Carlos Gomes, virou música para ser dançada com todas as bençãos de Jah. Os responsáveis pela anarquia são os 9 músicos da “Orquestra Brasileira de Música Jamaicana”, grupo de nome quase auto-explicativo que resolveu adaptar clássicos do repertório musical brasileiro para o ska, o dub e o reagge.

Formada por músicos experientes, a Orquestra nasceu com uma constatação: músicas brasileiras eram tocadas e adaptadas por bandas da Europa e do Japão, mas não havia ninguém no Brasil fazendo esse tipo de coisa.Jogando longe o tal banquinho e violão, o grupo pretende colocar todo mundo pra dançar com versões de “Garota de Ipanema”, “Águas de Março” e “Carinhoso”. Outras escolhas inusitadas são marchinhas de carnaval, “Tico-Tico No Fubá” e o clássico de Adoniran Barbosa, “Trem das Onze”.

A Orquestra Brasileira de Música Jamaicana é formada por Sérgio Soffiatti (guitarra, vocal), Rafael Toloi (baixo), Fabio Luchs (bateria), Felipe Pipeta (trompete), Ruben Marley (trombone), Marcelo Cotarelli (trompete), Fernando Bastos (sax e flauta), Igor Thomaz (sax) e Lulu Camargo (teclado).

Com tanta gente, será que existe um maestro para essa orquestra? Apesar de ter sido um dos idealizadores da banda, o vocalista e guitarrista Sérgio Sofiatti avisa: “Nós somos uma banda. Eu faço alguns arranjos, mas não tenho formação de maestro. Aqui todo mundo acaba dando sua contribuição.”

Quando?
Sexta-feira, dia 18 de setembro. A partir das 22 horas já tem música rolando e a Orquestra sobe no palco à meia-noite.
Onde? na Aldeia Turiassú. Rua Turiassú, 928, Perdizes.
Quanto? Os ingressos custam 30 reais na porta ou 20 com nome na lista – é só mandar um e-mail com os nomes para obmj@gmail.com.
Por que? Sacudir o esqueleto com ska e ainda fazer Carlos Gomes revirar no túmulo não tem preço

Voz e Alma

Sete horas e o local já estava cheio: cadeiras e espaços. Muitos em pé estavam prontos não somente para ouvir, mas para cantar junto. Vieram prestigiar uma moça – alta e bonita – lançar seu segundo CD digno do rótulo da nova, e diversa, MPB.

Em pocket show de graça na fnac da Avenida Paulista Bruna Caram se apresentou por pouco mais de uma hora nesta última quinta-feira, 25 de junho. Farrah Fawcet, Michael Jackson e a gripe suína não importaram , todos estava lá para pertigiar essa menina.

brunacaram04Ela não é somente bonita e estilosa – estava vestindo um figurino à la anos 20 que ficaram uma graça no corpo fino, esguio, alto e com uma bela ginga. Bruna também tem uma das mais belas vozes paulistanas das novas figuras. Além de forte, cantando notas sem nenhum mínimo desafino e uma força maravilhosa, seu tom transpira o que sai da boca. Aliás, Bruna Caram canta tudo como se cada letra saísse do fundo da alma. Uma mistura de interpretação com sinceridade. Algo que falta nos cenários artísticos atuais… mas talvez fique um pouco exagerado na sua pele.

Antes da apresentação tentamos entrevistá-la – não no dia do show, mas pessoalmente onde ela quisesse no início do mês de junho. Confesso que fiquei chateada com o “Não podemos fazer por e-mail ou telefone?” da assessora de imprensa, mas acontece. Não só por isso, mas sinto uma necessidade de dar um toque nesta diva. Ela não está só começando, mas ainda é nova. Vale dizer que falta colocar um pouco o pé no chão e reconhecer que ela ainda não está com tudo isso. Mas é boa? É, e vale comprar o CD além de acompanhar seus passos.

No show Bruna também apresentou a música-título do album, “Feriado Pessoal”, de sua autoria. Deu pra ver que a moça não tem talento só para composições de blog, mas que deveria se arriscar mais. Falta compositoras no mundo musical brasileiro, ela poderia se aproveitar bem mais disso. Mas ao menos, muitas de suas músicas são de novos compositores que graças a gente como ela ganham espaço na indústria.

Agora, quem não conhecia, corre atrás. Voz forte, beleza com estilo, canto com a alma. Esta é mais uma voz paulistana, Bruna Caram.

Pré-lançamento do CD da Bruna Caram

lancamentobrunacaramferiado

Já passou a data de conseguir o descontinho básico, mas para quem quiser conferir o pré-lançamento do novo album da cantora paulistana e estudante de música Bruna Caram ainda dá para correr atras. Seu novo CD, Feriado Pessoal, será apresentado dia 10 de junho às 21 horas no Teatro das Artes, em São Paulo. Quem curte samba, MPB, blues e uma música mais moderna vale a pena conferir. Bruna é uma das novas vozes brasileiras que tem construído o cenário feminino e variadíssimo da Nova MPB.

Apesar da moça não poder falar com o vitroleiros pessoalmente, vale como dica.

_

Confira a Promoção do livro dos Jonas Brothers!

Vitroleiros na Virada

virada cultural 2009

Este ano promete.

Selecionei algumas progamações da Virada Cultural 2009, para quem curte rock, mpb e samba deitar e rolar na maior programação cultural e musical de São Paulo. Os shows acontecem nos dias 2 e 3 de maio, das 18h00 de um dia até as 18h00 do outro.

Metrô Open 24 hours.

Mais de 800 atrações, em mais de 150 lugares diferentes.

A sonzeira fica concentrada principalmente no Centro da cidade.

>>>Onde> Av. S. João/Praça Júlio Mesquita

John Lord, Tecladista do Deep Purple é acompanhado (ou acompanha) a Orquestra Sinfônica Municipal, regida pelo maestro Rodrigo Carvalho. Quando>dia 2, 18h10

Marcelo Camelo, registrando 2009 com seu primeiro álbum solo “Sou”. A música “Janta”, meigamente interpretada por ele e Mallu Magalhães, foi considerada a melhor composição de 2008. Bem que o Camelo poderia levar a Mallu para dar uma palhinha… Quando> dia 2 para dia 3,  at midnight, 00h00

Cordel do Fogo Encantado, entre o teatro, a poesia e a música. Quando> dia 3, 09h00

Zeca Baleiro, para entrar no clima da música popular brasileira. Quando> dia 3, 12h00

Novos Baianos, quem não está com saudade deles? Pepeu Gomes, Baby do Brasil, Paulinho Boca de Cantor, irmãos Jorginho, Didi Gomes e Luiz Galvão. Quando> dia3, 15h00

Maria Rita, gatíssima. Quando> dia 3, para encerrar, 18h00

>>>Onde> Largo do Arouche

Wando, o machão. Quando>dia 2, 23h30

Reginaldo Rossi, o romântico. Quando> dia 2, 01h30

>>>Onde> Praça da República

Camisa de Vênus, quem matou Joana D’Arc? Quando> do dia 2 para dia 3, 00h10

Velhas Virgens, é de abrir as pernas. Quando> dia 3, 02h10

Matanza, som de garagem de caminhão. Quando>dia 3,  06h50

Vanguart, só acredito vendo. Quando> dia3, 08h30

Nação Zumbi, reminiscências  de Chico Science. Quando> dia 3, 12h00

>>>Onde> Largo da Santa Efigênia

Curumin. Quando> dia 3, 01h50

>>>Onde> Av. Rio Branco

Os Opalas, samba-rock. Quando> dia 3, 04h00

Sambasonics, mistura samba-rock anos 60/70. Quando> dia 3, 06h00

>>>Onde> XV de Novembro

DJs mega-badalados 

Mau Mau. Quando> dia 3, 02h00

China. Quando> dia 3, 12h00

Patife. Quando> dia 3, 16h00

>>>Onde> Rua Anchieta

Mais DJs das casas da noite paulistana

Daniel Ganjaman (Studio SP). Quando> dia 2, 19h50

Flavio Forgotten (Inferno). Quando> dia 2, 23h30

Fabricio Miranda (Funhouse). Quando> dia 3, 06h50

Clash Colletive (Clash) Quando> dia 3, 14h10

Ednei ( A Lôca). Quando> dia 3, 16h00

Pegue o Bilhete Único e trace seu roteiro ;)

Programação completa em viradacultural.org

=* Clanis


MusicPlaylist
MySpace Playlist at MixPod.com

Bruna Caram faz show no Zahi

brunacaram_agradecimento

Bruna Caram estuda e cresceu em meio à música. Trupe Chá de Boldo se configura no cenário como música popular brasileira contemporânea semi-alternativa (ok, na minha concepção). Bruna e a Trupe vão se unir nesta quarta-feira, 15 de abril, no Zahi.

Não vou falar muito sobre os dois pois isso são planos futuros, mas para quem curte música brasileira de qualidade vale a pena ir. Bruna Caram ainda anunciou que, pela primeira vez ao vivo, vão apresentar "Não Tenho Par", frevo que gravaram no Música de Bolso.

Detalhes: Zahi, Rua Inácio Pereira da Rocha, 520, Mila Madelena. 15/04, 23h.

ficadica!

Doce passarinho

tie

A doce voz já lhe rendeu a admiração de artistas como Toquinho (que a "descobriu") e Caetano. Já apareceu no Estado de S.Paulo como promessa da música atual brasileira. Ou seja, Tiê, cantora paulistana, não é uma mera aposta, mas uma já ganha.

Com um toque de folk, seu estilo voz e violão conquista pela simplicidade. Sua voz sussurrada transmite uma paz digna de alguém que irá marcar a história da música por aqui. Apesar de gostar de Bossa Nova e sambas antigos, Tiê inova e aparece não somente como mais uma das novas cantoras de MPB, mas como destaque. Seu estilo demonstra de onde vêm as influências, mas esbanja originalidade e personalidade.

Caetano Veloso resumiu:

"Coisa mais linda mesmo é Tiê. “Passarinho” no Youtube é uma janela para um céu. Ela é apaixonante. Betão tinha me falado nela. Mas não pensei que fosse assim tão bonito tudo aquilo. Ela cantando sobre o próprio nome, com naturalidade total, musicalidade totalmente natural, tudo, fazendo as ruas de São Paulo parecerem bonitas como nas palavras de John Cage: “São Paulo é cheia de flores”."

Com seus 29 anos ela surge com o cd "Sweet Jardim", que vale a pensa conferir. O álbum se apresenta com um belo toque autobiográfico, fato que, para mim, transmite mais naturalidade ainda ao seu trabalho. Sem mais o que falar, Tiê canta como quem fala a verdade, simples assim.

Abaixo, um de seus vídeos, pelo qual vocês podem conferir além da bela voz a beleza da moça.

Tem gente que chega a dar raiva, né? Acho que isso se chama inveja. ;)