Em entrevista ao Vitroleiros, o baixista do Vanguart, Reginaldo Lincoln, fala sobre planos do disco com o baterista do NX Zero, Dani Weksler e ainda comenta sobre o disco novo – do Vanguart - Boa Parte de Mim Vai Embora, lançado pelo selo Vigilante (Deck). Confira:
Planos com Dani Weksler
Reginaldo conta que a ideia de fazer algo independente do Vanguart surgiu de uma vontade de gravar todos os instrumentos sozinho. “Assim como o Dave Grohl e o Paul McCartney fizeram, resolvi que queria gravar tudo sozinho, mas vi que não ia ser fácil. Então mostrei as músicas pro Dani e ele topou fazer comigo.”
O baixista não garante que o álbum vai ser mesmo lançado, dado o estágio embrionário do trabalho, mas estima que algo saia já em 2012. ”Estamos de olho em alguns produtores, principalmente agora que o Vanguart foi pra Deck [selo Vigilante]. Por enquanto só quero tocar e beber pra caralho.”
R: As composições são minhas e o Dani está me ajudando a fazer os arranjos. Elas surgiram enquanto eu fazia umas músicas para o CD do Vanguart e sentia que estava saindo algo que não era a cara da banda. Era outro clima, outra pegada, outra característica. Saíram de um momento apaixonado, de renascimento, de gostar de voltar a viver.
É muito diferente do Vanguart?
R: É bem menos folk. Soa bem pop, balada e as letras são bem pessoais. Quero buscar uma sonoridade mais rica, com a característica de cada instrumento bem presente.
Boa Parte de Mim Vai Embora [Ouça aqui]
A demora para lançar um disco deixou os fãs da banda ansiosos. Boa Parte de Mim Vai Embora saiu este ano, no começo de agosto, após quatro anos de espera. Reginaldo fala que o longo intervalo se deve a uma fase de tensão que a banda passou, devido a brigas com o antigo empresário. “Até a gente se reerguer foi difícil. Gravamos o Multishow Registro em 2009, ficamos seis meses em turnê, tivemos esse problema sério com o empresario e ficamos uns cinco meses presos pelo contrato. Pensamos em desistir, mas conseguimos voltar com o Vang Beats.”
O Vang Beats é o projeto do Vanguart tocando Beatles, que resultou em uma sequência de shows por bares e casas de São Paulo. O trabalho garantiu uma caixinha boa para investir no disco novo. Entretanto, neste momento, os covers estão fora dos planos da banda: “Não pretendemos fazer outros covers. Tudo que a gente quer é o Vanguart. Essa que é a grande coisa da nossa vida.”, declara Reginaldo.
O título do CD Boa Parte de Mim Vai Embora não aconteceu à toa. A mulher do baixista e a namorada do vocalista Hélio Flanders debandaram para outras paisagens e deixaram os dois a ver navios. Reginaldo comenta sobre sua recente separação da ex-esposa, a escritora Clara Averbuck e a superação ao lado do vocalista Hélio Flanders: “Demoramos para fazer algo novo não só por esse problema com o empresário, mas por muita coisa da vida pessoal. Eu tinha acabado de terminar meu casamento e o Hélio também terminou um relacionamento. A gente se abraçou e dialogamos bastante, para recomeçar sem aquelas mesmas mulheres, sem aquelas mesmas pessoas.”
E aproveita para desabafar: “O casamento acaba, mas a paixão não. Ficam sentimentos muito revirados. É difícil saber o que você está sentindo. Passamos – Hélio e ele – dias juntos, precisava voltar a ser quem a gente era, voltar a ser alguém. A cara do disco é essa, de entrar no eixo e pensar no futuro com esperança.” As crises, principalmente na vida de Reginaldo e Hélio, refletiram bastante nas letras do novo álbum. “A gente conseguiu se libertar nesse disco. Soltamos todos os cachorros e todos os demônios pra fora.”
Os fãs estáo gostando do novo CD?
R: A resposta tem sido ótima! As pessoas estão falando ‘Pô, vocês demoraram quatro anos pra lançar, mas o disco é foda!’.
Como foi o show de lançamento do CD, no dia 20 de agosto no Sesc Vila Mariana?
R: Foi demais, o show de abertura foi do caralho, lindo! O Ricardo Spencer [diretor de clipes de artistas famosos, como Pitty] fez umas projeções de filmes e vendemos todos os CDs que a gente levou.
Como foi gravar uma música em espanhol [Mi Vida Eres Tu]?
R: Nós já tínhamos uma música em espanhol no primeiro disco. Gosto da sonoridade da língua, tem uma beleza única. Eu sempre chego com uns acordes e falo pro Hélio que poderia ser cantada em espanhol. Antes essa música era inteira cantada em espanhol, mas a gente encaixou de um jeito que ficou mais sonoro. A música é cantada em português e só a estrofe ficou em espanhol.







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