#musicmonday: The Heligoats

Quando você vive de música – ou praticamente a faz parte de seu ganha-pão – começar a adotar hábitos estranhos faz parte mais do que natural da equação. Veja o meu caso, por exemplo: passo um bocado de tempo conhecendo uma nova banda (e por conhecer, entenda ouvir uma mesma faixa incessantemente), paro para ouvir coisas mais Grammy como Adele ou Estelle (normalmente na época do Grammy) e, quando me vejo por si, estou de novo riscando o fundo da estranheza indie.

Na última destas, saí com uma verdadeira paixão debaixo dos braços: o álbum “Goodness Grace” (2010), do The Heligoats. Não deixe o plural enganar vocês aqui: Heligoats é o projeto solo de Chris Otepka, vocalista da genial e afiada banda indie rock Troubled Hubble, de Illinois. Otepka traz suas fantásticas letras nonsense, mistura com um violão que faz as vezes de Ukulele e organiza uma bagunça sensorial que, como sua própria pessoal, é estranha demais para não ser incrível.

Separei algumas poucas faixas que vem me inspirando recentemente. Quem sabe, por uma mítica coincidência do destino, algum de vocês também não encontre uma ou outra coisa para amar neste inusitado trabalho.

Sabe como é, a gente meio que escreve para isso.

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Vida e som de um Nintendo morto

Guitarras elétricas, bateria, violão e um Nintendo Entertainment System hackeado. Não é assim tão incomum que meu trabalho aqui no Vitroleiros e o meu oficial (como redator do Fliperama) se confundam: trilhas sonoras de games são um gosto pessoal e vez ou outra sinto uma vontade secreta em reportá-las.  O caso atual, entretanto, me pareceu bem mais interessante: a formação que listei logo na primeira frase? Aquela da guitarra e do Nintendinho? Ela existe de verdade, e está nas mãos mais do que incomuns da banda Anamanaguchi. De  nome esquisito, o grupo nasceu em Nova York em 1985 e são os atuais representantes do gênero chiptune: um estilo musical que imita as trilhas sonoras de games antigos. Peter Berkman, James Devito, Luke Silas e Ary Anaawar não parecem mesmo incomodados em ser os garotos esquisitos da salinha do punk rock – o que é um rótulo e tanto, não duvidem. Não contentes em tirar som do Nintendo – responsável por criar os blip blops mecânicos das faixas – os meninos do Anamanaguchi tem ainda um portátil Game Boy para fins instrumentais e entre uma ou outra trilha mais sentimental, constroem um feeling que seria mais apropriado para “dar o disparo final num chefe robô do mal”. É, palavras dos caras!

Anamanaguchi criou a trilha sonora dos games Bit.Trip Runner e Scott Pilgrim vs. The World: The Game, mas tem um trabalho próprio bem consistente, com o EP Power Supply (2006), o LP Dawn Metropolis (2009) e os singles Airbrushed, My Skateboard Will Go On e Aurora (Meet Me In the Stars) (todos de 2010), disponíveis em sua integra via iTunes. Todos são muito bons, e em um certo ponto de seu manifesto punk rock 8-bit, os nova iorquinos constroem um estilo que se aproxima de algo na linha do Powerpop. Um Metric encontra Street Fighter, se assim me permitirem.

O Anamanaguchi tem página no MySpace e o álbum Power Supply pode ser encontrado na faixa, disponibilizado pela própria banda.

Saiu a programação oficial do Planeta Terra Festival 2010

O Planeta Terra Festival está aí desde 2007. E desde então, trouxe muita gente boa de fora, mas apostou em muita gente daqui, também: Lily Allen, Tokyo Police Club, Cansei de Ser Sexy, Mallu Magalhães, Kaiser Chiefs, Iggy Pop, Jesus and Mary Chain, Curumin, Copacabana Club e muitos outros estão entre os nomes escalados pra fazer as caixas vibrarem mais forte.

Esse ano, o Festival acontece no dia 20 de novembro a partir das 13h, no Playcenter e apresentará os já conhecidos Main e Indie Stages. Os ingressos já estão esgotados desde a última semana.

Programação Oficial do Planeta Terra Festival 2010

Sonora Main Stage:
16:00 / 17:00 – Mombojó
17:30 / 18:30 – Novos paulistas
19:00 / 20:00 – Of Montreal
20:30 / 21:30 – Mika
22:00 / 23:00 – Phoenix
23:30 / 01:00 – Pavement
01:30 / 03:00 – Smashing Pumpkins

Gillette Hands Up o/ Indie Stage:
16:00 / 16:40 – República
17:00 / 18:00 – Hurtmold
18:30 / 19:30 – Holger
20:00 / 21:00 – Yeasayer
21:30 / 22:30 – Passion Pit
23:00 / 00:00 – Hot Chip
00:40 / 01:40 – Empire of the Sun
02:00 / 03:30 – Girl Talk 3rd band

Local: Playcenter
Endereço: Rua José Gomes Falcão, nº 20 – Barra Funda / São Paulo – SP

Nós já falamos sobre o Planeta Terra e outros festivais, como o SWU e o Natura Nós. Quer saber mais?

Para quem quiser conhecer melhor os participantes, a Terra Sonora já criou a rádio do Festival 2010

O que você quer: clipe novo da Evora

No dia 29 de abril de 2010…

Vitroleiros: Vai rolar o lançamento de um videoclipe?

Evora: Sim, iremos gravar muito em breve o clipe de “Permita-se”. O projeto está bem encaminhado (…)

Prometeram e aí está! O Clipe novo da Evora, do hit “Permita-se” (álbum “Ignore a Inércia”).

Para quem não lembra, a Evora é aquela banda mutio bem apessoada, de meninos lindos e talentosos que deixam seu ouvido assim, querendo escutar mais desse misto de rock e MPB que é o resultado do que costumamos chamar de personalidade.

Paulinho no vocal, Guima e Adriano nas guitarras, Dan na batera e voz e Rufles no baixo.

Dê o play e veja um clipe de trás para frente que vai deixar seus anseios rock ‘mpb de cabeça para baixo.

Site oficial da Evora

Comunidade no Orkut com novidades da banda

@evorarock

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Quer um Rock inovador? Conheça o Jamirulus


LISTEN:


Pessoas com seus 20 e tantos anos, um pouco mais, um pouco menos, podem se sentir perdidas quando ligam o rádio e ouvem as músicas que estão nas paradas nestes últimos anos e meses. Três tipos definem: pop rock emo/“colorido”, black music e Lady Gaga.

Quando ouvi o som do Jamirulus, aquela esperança de buscar algo bom e diferente que não fosse restrito a um público de pseudo cults ou excêntricos musicais, que parecia ter morrido, veio à tona de novo.

“O Jamirulus é uma banda com a energia do pop, o peso do rock e o groove do funk. A proposta da banda é inovar o cenário musical atual do Brasil, com um estilo diferenciado mas sem deixar o gosto popular de lado”, conta Simba, o guitarra do Jamirulus.

Sete anos de banda. É um tempo longo suficiente para saber exatamente como agradar ao público. Os simpáticos e talentosos integrantes da banda desta #Entrevista são:

Bruno Geddy – Vocal
Leandro Piru – Baixo
Yuri – Teclado e Guitarra
Simba – Guitarra
Don Boccalini – Bateria

O primeiro álbum do grupo, denominado “54” está previsto para ser lançado no mês de agosto de 2010. O disco já foi gravado e está sendo finalizado em fase de mixagem. Os garotos prometem que logo menos estará disponível no site www.jamirulus.com.br, junto com um clipe novo.

E neste fim de semana, nos dias 24 e 25 de julho, os caras vão tocar em Carapicuíba num evento de bandas independentes e domingo no evento da rádio Metropolitana no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo.

CONFIRA A #ENTREVISTA:

Como a banda começou?

O Jamirulus existe desde 5 de abril (05/04 – para quem não sabe, 54 é intitulado o nome do nosso priemiro álbum) de 2003, quando os amigos Leandro (Piru) e Phillip (Simba) começaram a fazer aulas de baixo e guitarra respectivamente, e o irmão de Piru, Guilherme (Don) começou a estudar bateria e decidiram montar uma banda. Vizinho de Piru, Daniel Broetto assumiu o posto de vocalista e um amigo de infãncia de Simba e Piru Carlos “Toss”, a outra guitarra. Estava formado o Jamirulus Anos mais tarde, por escolha própria, os membros Daniel e Carlos deixaram a banda e entraram Yuri Blackhammit na guitarra e teclados e seu colega de conservatório Bruno Geddy nos vocais. Formação atual da banda.

Quais são as influências do Jamirulus?

Nossas influências são todas possíveis, do pop ao rock, da MPB ao jazz e por aí vai: Red Hot Chili Peppers, Rush, Guns ‘n Roses, Charlie Brown Jr, Talisman….

De onde veio o nome diferente e curioso da banda?

Jamirulus veio de uma brincadeira entre Simba e Piru com uma amiga de escola que apelidamos de Jamirulus Octavius (antigo nome da banda). Pra ficar mais fácil deixamos só Jamirulus. Existe, inclusive, na internet e no nosso site, um vídeo nosso no CQC respondendo a essa pergunta no top five, graças a “brilhante” explicação do baixista. (risos)

>>> Assista à explicação (…) que o baixista Piru deu sobre o nome Jamirulus ao CQC, programa da TV Bandeirantes:

Contem sobre a participação de vocês em programas eventos.

Além de programas de internet, aparecemos pela primeira vez no programa On Stage em guarulhos. Era um programa para bandas independentes que queriam dar uma divulgada no material, também tivemos a participação no programa Lu na TV (de onde foi tirado o video que foi pro Top Five do CQC) e tivemos uma breve aparição no programa do Jô Soares num cartaz anunciando o Manifesto Rock Fest (festival organizado pelo Piru com o Manifesto bar) onde apareceu nossa foto como banda de encerramento do evento que teve menção pelo Jô. Temos que agradecer, e muito, à banda Capital Inicial, pois no dia 1º de maio de 2010 tivemos a oportunidade de tocar com eles e sem dúvida foi uma experiência incrível.

Para ganhar fama e notoriedade no mundo da música, é necessário ter Q.I. (quem indica) e “padrinhos”?

Para ser reconhecido ter contatos e “padrinhos” é muito importante. Não nos lembramos de uma banda que ficou muito famosa sem ajuda de grandes produtoras ou gravadoras ou dinheiro para investir na divulgação de imagem. Nós do Jamirulus, como nossas letras dizem, acreditamos também em perseverança, acreditar nos seus sonhos, lutar, correr atras e fazer acontecer. Isso para nós é o principal, além do talento musical. Acreditamos que o cénario musical está sempre mudando. As bandas ditas como “coloridas” vieram talvez por abordar temas mais jovens, ou o modo como se vestem não sabemos dizer ao certo, o mundo musical é absurdamente vasto. O Jamirulus não é uma banda colorida e quer tentar trazer um estilo novo para os jovens e adultos do mundo inteiro.

Na opinião do Jamirulus, existe ajuda entre as bandas menos divulgadas pela mídia que fazem parte do cenário independente?

No cenário independente existe sim mais ajuda entre as bandas. Todas as bandas independentes deveriam pensar dessa forma, assim todos chegaremos juntos ao lugar mais alto.

O Jamirulus indica alguma banda para quem está a fim de novidade?

Estamos fazendo shows juntos com a banda LYS, parceiros de longa data com um som de primeira qualidade.

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Rock ‘n girls a la Siete Armas

Por Clara Camargo e Emanuelle Herrera

Uma banda feminista diferente. Elas não querem um público exclusivamente de meninas e mulheres. Tocam porque gostam e para todo mundo ouvir. Conversamos com as meninas da banda Siete Armas sobre a produção musical das gurias, a cena alternativa no Brasil, mulheres, feminismo e muita coisa que infelizmente não dá para sentir lendo um texto, mas oferecemos a opção de entrar agora no Myspace da banda, colocar play em “Those Flowers“, aumentar o som e chamar os amigos para dançar e beber umas boas cervejas. Mas antes, leia a entrevista para se inspirar ;)

As principais influências femininas da banda não poderiam deixar de ser Bikini Kill, Team Dresch, The Butchies, Sleater Kinney,  Breatmobile e  Joan Jett, percussoras do movimento riot girrrl! e punk rock feminista.  O primeiro EP (Extended Play) da banda saiu no dia 8 de março deste ano (2010), inclusive soltamos o review do show de lançamento aqui no Vitroleiros e sorteamos dois EPs.  A baterista Helena Krausz conta que a banda conseguiu unir o blues, o rock mais dançante e um pouco de folk nas cinco músicas que compõem o mini-álbum.

Quem toca: Débora Lopes (Dé) no vocal, Lu Carvalho e Nessa Salvado nas guitarras, Sarah C. Si. no baixo e Helena Krausz na percussão.

EP:

1. A dreamer’s photographic mind

2. So blues

3. All my sisters

4. Purple

5. Those flowers

@Sietearmas

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Formspring (perguntas bizarras e respostas estupendas)

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Música, garotas, feminismo, cerveja e Siete Armas é o que você vai ler agora:

-Vitroleiros: Como foi a criação do EP “Siete Armas”?

Siete Armas (Dé): O EP aconteceu. Não como um filho inesperado, mas como fruto de algo que estávamos plantando há algum tempo. “So blues” e “Purple”, foram nossas primeiras canções, ambas faziam parte das raízes da banda, da época que nosso estilo musical ainda não era tão definido quanto hoje. Com as músicas já engatilhadas, decidimos gravar um disco compacto. Parte por conta do orçamento curto, parte por falta de tempo. Daí surgiu a ideia do EP. Fizemos um intensivo de ensaio e gravamos em dois ou três dias, já não me recordo bem. Foi simples e natural. Gravado no Estudio El Rocha, por Fernando Sanches, que foi super bacana e mixado por Artur Joly e Lu Carvalho, nossa guitarrista.

Lu Carvalho comenta: “Os amigos, namoradas e namorado foram muito importantes nesse processo. A arte foi feita por amigos, as fotos, tiradas por amigas… sem eles, o que seria de nós? Além disso, houve muita força de vontade de nós mesmas. Nossos horários não batem muito, estamos sempre ralando na vida, mas conseguimos realizar esse sonho.

-Vitroleiros: Vocês pretendem gravar um CD? De forma independente ou por gravadora?

Siete Armas (Dé): Pretendemos gravar um outro disco, com certeza. Se alguma gravadora se interessar pelo nosso som, respeitar nossa essência e arcar com os custos todos, por que não? (Será muita exigência?) Seria uma bela parceria. Somos musicalmente esforçadas, conciliamos nossas vidas pessoais, empregos e etc com a música. O que não é tarefa fácil.

-Vitroleiros: Como funciona o processo de criação das músicas? A letra e a melodia são compostas separadamente?

Siete Armas (Helena): Normalmente, a Lu chega com uma base nova, a gente se reúne na minha casa e fazemos todas juntas. Sempre uma acabada opinando no instrumento da outra, a música sempre acaba sendo feita por todas.

Nessa Salvado complementa: A Débora se senta numa posição “Chico Xavier”, se inspira e escreve na hora uma letra enquanto vamos criando, compondo e estruturando a música.

E Lu Carvalho finaliza: todas se envolvem e colocam a própria pegada na música, sejam escalas de baixo da Sarinhah, batidas e ritmos da Helena, riffs e acordes da Nessinha, mas, principalmente, todas nós montamos a estrutura. Cada uma se põe nas músicas.

-Vitroleiros: O que inspira vocês a comporem?

Siete Armas: A vida, o samba, o rock, a poesia, a cerveja, as cagadas, as conquistas, a rotina, a falta de dinheiro, o amor, o cinema, as eleições, o Brasil.

-Vitroleiros: Compor em inglês é mais fácil? Existe somente uma música de vocês em português, que é a “Mi casa, su casa”.

Siete Armas (Nessa Salvado): Apesar de “Mi casa, su casa” ser uma música bacana, divertida e que todos gostam, é uma piada interna que não representa o atual trabalho da banda.

(Dé): Não sei se é mais fácil. Escrevo em português também, minha língua nativa, mas não para o Siete Armas. No começo, escolhemos cantar em inglês sem motivo aparente. E levamos isso adiante. Tanto o inglês quanto o português são idiomas lindos. Mas para a sonoridade do Siete, que tem uma pegada setentista, crua, preferimos o inglês. Pode ser que um dia façamos algo em português. É um desejo meu não muito comentado. Quem sabe.

-Vitroleiros: Depois de quatro anos de estrada, vocês acham que a cena musical mudou muito?

Siete Armas (Helena): Cada vez as casas de shows apoiam menos as bandas independentes, e o público está cada vez menos afim de ir num show, de conhecer coisas novas. É muito mais fácil acessar o Youtube e ver um show completo de uma banda que a pessoa gosta, do que ir no show ao vivo. Pelo que vejo, a galera nova que quer tocar, começa a se inspirar nas bandas novas, coloridas e emotivas que aparecem na TV. O lado bom disso é que pelo menos a galera não é pagodeira. (risos)

Lu Carvalho, é mais romântica: Acho que a música não pode ter fronteiras e devemos sempre fazer o que gostamos. Acredito que sempre haverá alguém pra apoiar o que você faz.

Nessa diverge de Helena em alguns pontos dessa questão: Eu acredito que mudou sim! Hoje vemos demanda muito maior de shows, seja nas novas casas e baladas ou nas festas com bandas tocando. Além disso, acho que ficou mais fácil conseguir montar uma banda hoje em dia, mesmo que por hobby apenas. A cena vai se expadindo, há mais gente aceitando e se incorporando. Mas mesmo assim, em termos de colaboração e incentivo, ainda falta muito. As bandas ralam muito pra fazer o que mais gostam e na maioria das vezes têm pouco reconhecimento. Há muito mais vontade do que espaço.

Dé: O mundo muda sempre. Toda cena muda. Hoje em dia, não sabemos mais à qual cena pertencemos. Ficamos entre os amigos da cena punk e do rock alternativo. Não existe um cenário estabelecido pro Siete Armas, como o grunge ou a Tropicália. Tocamos rock em lugares nos quais pessoas que gostam de rock frequentam, basicamente.

-Vitroleiros: Qual a importância da cena independente para a música brasileira hoje?

Siete Armas: A cena independente pode ser uma forma de escape pra galera que não aguenta consumir o que tá passando por aí. É nela que você encontra a livre expressão e a criatividade pura. Porque não há uma gravadora ou um produtor manipulador querendo ganhar dinheiro em cima do artista/banda. Sem a tal cena independente, ou o “faça você mesmo” dos artistas, a música tende a ser mais comercializada do que ja é, vendida. A cena independente, na maioria das vezes, faz arte e não dinheiro.

-Vitroleiros: Que artistas da cena underground que vocês recomendam?

Siete Armas: The Dealers, Some Community, Comma, Letuce, Renato Godá, Casuarina, Otis Trio, Liquidus Ambiento, Lanny Gordin, Marcella Bellas, Renato Godá, Tulipa Ruiz, Cérebro Eletrônico, Tiê, Tiago Petit, Cumadre Fulozinha, OBMJ, Circo Motel, Tipo Uísque e por aí vai.

-Vitroleiros: Contem um pouquinho da história da banda.

Siete Armas (Lu): Tudo começou entre eu e Didi, a ex-guitarrista. Conhecemos Helena, nos juntamos, convidamos a Débora Lopes pra cantar e sabíamos que tinha uma puta voz. Primeiro ensaio, muita ansiedade, muita ceveja, e o resultado: “So Blues”. Nossa primeira linda música. Depois de alguns desentendimentos e saída da Didi convidamos a Nessa para completar com a segunda guitarra e eu havia acabado de conhecer a Sarinhah, que entrou tocando baixo. Daí pra frente, só alegria.

Vitroleiros: De onde surgiu a ideia do nome?

Siete Armas: O nome surgiu num boteco. Estávamos pensando em alguma coisa com “sete” e com “armas”. Pensamos em um nome em inglês, mas ficou muito grande e normal. A Didi falou ” E se for em espanhol? Siete Armas?” Sim! gostamos e somos até hoje o Siete Armas.

-Vitroleiros: Quais são as suas referências musicais?

Apesar de gostos em comum, cada integrante, é claro, tem um gosto pessoal. Misturamos tudo:

Siete Armas: começamos a tocar ouvindo Bikini Kill, Team Dresch, The Butchies, Sleater Kinney,  Breatmobile e Joan Jett. E mais: The Doors, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Stones, Beatles, Led Zeppelin,Johnny Cash, Elis, Bethânia, Adoniran Barbosa, Cartola, Demônios da Garoa, Caetano Veloso, Jorge Ben, Tom Jobim, João Gilberto, Astrud Gilberto, ex-mulher de João Gilberto. Jazz: Coltrane, Glenn Miller, Miles Davis.

-Vitroleiros: Qual o posicionamento de vocês em relação ao feminismo?

Siete Armas:

Helena foi breve no comentário: Todas da banda somos feministas desde os 13 anos. Não carregamos isso com a banda por não carregarmos nenhum rótulo com ela. Somos uma banda de rock.

Nessa Salvado: Todas nós somos feministíssimas assumidas (!). É por causa dessa luta que hoje temos uma banda de mulheres, conseguimos subir no palco e mostrar nosso som pra todos que quiserem apreciar. Essa é a nossa atuação como mulheres e como feministas. É sincero, cru, pacífico e convidativo.

Lu Carvalho: Acho que cada uma fala por si nessa questão, mas eu me considero feminista por conquistar a cada dia o meu espaço. Acho que as outras quatro também pensam assim. Tenho meu trampo, ganho minha grana, não dependo de ninguém. Além de tudo, ainda tenho uma banda de rock and roll só de mulheres e sou lésbica. Meio contraventora, né? Não é fácil, mas é aí que entra a questão: assumir as responsabilidades. Para mim isso é além do feminismo.

Débora Lopes: O movimento feminista mudou de forma. Acreditamos que o feminismo efetivo de hoje é o discernimento de que a mulher e o homem podem habitar os mesmos lugares e postos, com total respeito e paz. E a nossa versão de feminismo é essa, respeito e paz.

Capisco? ;)

#Lançamento: para o alto e avante, Valentinos!

A banda porto-alegrense Valentinos lança nesta quinta-feira, dia 6 de maio, o primeiro disco do grupo, intitulado “Avante”. Formada por Che Wodarski na bateria, Jonts e Foppa nas guitarras e vozes, Ferry no baixo, Lorean Linchen no piano. O álbum produzido por Ray-Z, masterizado na Carolina do Norte (EUA) e lançado pela produtora Beco 203 Discos é uma produção muito fina.  Além de 11 deliciosas canções, O CD conta com um curta-metragem dos bastidores da gravação do disco e mostra os passos da história da banda.

Mais do que nunca, o plano de voo dos caras vai esquentar suas tardes frias e até as cenas de jantar. Para quem não entendeu a frase, antes de perguntar, veja os títulos das faixas do Avante:

O som excelente dos caras é envolvente, não dá para parar de ouvir. A track “Mais que Nunca” tem aquela vibe de animação para quem está precisando de incentivo para viver. É a cara do título do álbum, “Avante”. O refrão chiclete (no bom sentido), gruda  “Eu preciso continuar, eu quero ser alguém, não me contento em ser só mais um”. Vale conferir o som no Myspace. Ouça e depois continue lendo o post.

Bateu aquela saudade de uma banda rock ‘n roll dos anos 90?

Quando Jonts pronuncia “Pare onde está, alto quem vem lá”, da faixa “Plano de Vôo”,  na hora já pipoca na cabeça o som “Roll With It” do Oasis. As composições musicais dos guris são bem parecidas com o tradicional rock britânico e não poderia deixar de ter influências dos Beatles, Rolling Stones e Supergrass. O melhor é que todas as letras são  muito bem musicadas em português.

É talento imperdível e de qualidade.

A banda inaugura o álbum com um show no Beco 203 Discos, que fica na Rua Independência, número 936, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O agito começa às 23h. Quem tem nome na lista paga R$10 e sem o nome, R$ 12.

Valentinos

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“Bah”, talento do sul

Em turnê de lançamento do primeiro disco, Apanhador Só é uma banda que traz inovação e variedade sem deixar a sintonia de lado. Conheça o quarteto de Porto Alegre, que conversou com o Vitroleiros nas mesinhas do CCSP.

Felipe, Alexandre, Fernão e Martin se completam

Noite fria, casa cheia. O pequeno espaço da Funhouse estava lotado de pessoas, todas atentas e apertadas quando os primeiros acordes começaram a soar. Na segunda música, uma garota que não conhecia a banda virou e falou: “foda”. Outros garotos concordaram. Vindo de Porto Alegre (RS), o Apanhador Só logo conquistou o público da primeira noite da fatia paulistana da turnê de lançamento de seu primeiro disco, homônimo. Alexandre Kumpinski (vocal, guitarra), Felipe Zancanaro (guitarra), Fernão Agra (baixo) e Martin Estevez (bateria) formam o quarteto que vai ficar mais quinze dias por São Paulo, passando pelo CCSP, pela Livraria da Esquina e pelo SESC Santana.

A banda começou há alguns anos, quando Alexandre, Fernão e o então baterista Drusko começaram a tocar juntos. Depois entrou Felipe na guitarra, Carina Levitan participou por um período na percussão e Martin, na bateria, foi o último a entrar. Em 2005, como prêmio do festival do Centro dos Estudantes Universitários de Engenharia, eles gravaram duas músicas que, junto com outras três, formaram o EP Embrulho Pra Levar, lançado no início de 2006. A arte do EP era carimbada por eles mesmos, e Felipe lembra bem do trabalho manual. “Era contraditório, a gente depende da mão para tocar mas tinha de passar um tempão carimbando”, ri.

“Na época estava começando o Trama Virtual e um amigo nosso mostrou o site”. Com o EP online, a banda foi ganhando público e espaço no cenário de Porto Alegre (“é uma mini-São Paulo”, compara Martin; “tu tem de cuidar do que faz nas festinhas”, alerta Alexandre). Em 2006 ganharam o Festival Trama Universitário e, desde 2007, começaram a pensar em montar o álbum, buscando financiamento. “Não queríamos fazer de qualquer jeito”, o vocalista explica a dedicação. Quatro anos depois do EP (e com um de três músicas lançado no meio sem muito alarde), em abril deste ano surgiu o primeiro CD do Apanhador Só, com treze faixas de canções antigas, como Maria Augusta, até faixas mais novas, como Nescafé.

Com produção de Marcelo Fruet, o álbum apresenta um grupo completo, que, ao longo das faixas, mostra variedade com traços que vão desde MPB até o rock mais pesado. O quarteto reconhece a importância do produtor no processo. “Ele trouxe essa visão de fora”, destaca Martin. Já Alexandre explica que o trabalho do produtor foi focado na formação antes do estúdio.“O Marcelo foca mais na pré-produção, tanto que em algumas gravações ele nem foi.”

O disco traz ainda a presença da ex-integrante da banda que foi para Londres, Carina Levitan, com sua percussão divertidíssima, que engloba de balão de festa à já clássica roda de bicicleta. Veio passar um mês no Brasil gravando sua parte, sem quase nada a mais feito. Mesmo fora da banda (“quando ela saiu, paramos para repensar”), Carina levou novidade e variedade ao CD. “Cada vez que a pessoa ouve o álbum encontra algo novo”, explica Alexandre. “Acho que traz textura para o disco”, acrescenta Felipe. Alexandre logo argumentou que, em algumas canções, a presença dos instrumentos de Carina foram mais pontuais.

Dos objetos-intrumentos da percussão, que eram difíceis de captar nos shows, a roda de bicicleta acabou ficando. “O som era legal, ficava bonito no palco, acabou ficando e virou uma espécie de símbolo”, explica sucintamente Fernão.

O baixista, por sinal, fala poucas vezes, mas, quando fala, sempre tem algo a dizer, sem gastar a lábia. Como quando estavam divagando sobre a diferença do som de seu baixo:

Alexandre: “O Fernão, por exemplo, não tocava baixo, né?”
Fernão: “É?”
Alexandre: “É, você veio do violão, da guitarra, não? Então trouxe coisa deles.”
Fernão: “Não sei, é? Se você está falando…”

Já Martin, tagarela, se perde nas histórias e os companheiros brincam com seu devaneio, como sobre a vez que ouviu a banda ao vivo pela primeira vez e, tendo tocado antes deles, queria desmontar logo a bateria enquanto os outros continuavam numa espécie de jam session.

Os meninos são bem diferentes uns dos outros, várias vezes mostram opiniões diferentes sobre os mesmos assuntos e possuem influências musicais bem variadas. “No MP3 meu e do Alexandre você não vai encontrar nada em comum”, destaca Martin. Ele, por sua vez, participa de outras bandas e traz um histórico de gosto mais ligado ao instrumental. “Foi difícil no começo aprender a conter a bateria um pouco, a fazer os arranjos certos para o Apanhador.” O quebra-cabeça de vários estilos e a sintonia do quarteto é o que forma a música típica da banda, o que faz dela tão diversa e, ao mesmo tempo, completa.

O formato final do Apanhador Só é reflexo de todo processo de criação. Com o nome em quase todas as canções, Alexandre costuma escrever e apresentar para o grupo num formato quase voz e violão. “Então cada um vai tocando naturalmente, é bem natural”, pensa Felipe. Às vezes, Alexandre pára uma letra no meio e pede ajuda. Em algumas destas vezes e em histórias com amigos surgiram diversas parcerias no disco, desde poetas gaúchos até o Estevão do paulistano Bazar Pamplona. “Eu acho ele um dos grandes compositores desta geração”, diz o vocalista e compositor. Mais uma influência brota quando se ouve o sujeito feminino de “Bem Me Leve”. Chico Buarque? “É, eu ouvia e tocava muito Chico, tocava aqueles songbooks, era natural. E acho que veio também pela rima.”

Das canções antigas algumas não entraram pela evolução do grupo. “Não tocávamos mais”, explica Alexandre, “as outras eram melhores”, contrapõe Martin, “talvez algum dia até volte”, completa Felipe sobre a faixa do primeiro EP, “Damas”. “Balão-de-Vira-Mundo”, por sua vez, ganhou um tango sugerido pelo produtor e logo aceito pelo animado Felipe. “Sempre quis fazer algo do tipo”, diz o guitarrista enquanto Fernão e Alexandre brincam, “sempre foi nossa influência”, riem. De influência, eles trazem muita coisa da música do Rio Grande do Sul, e acabam sendo mesmo uma banda gaúcha de Porto Alegre, que reflete até o ambiente roqueiro da cidade. “Se não tivesse isso em Porto Alegre, não teríamos comprado nossas guitarras aos 15 anos”, conta Alexandre.

Para quem quiser baixar, o álbum está disponível na internet. Mas vale adquirir o disco físico pela qualidade. Para fazê-lo, chamaram o designer Rafael Rocha que, baseado em algumas indicações do que eles queriam, fez o álbum. “Inclusive foi dele a ideia de pessoas ligadas ao disco, como os compositores, escreverem as letras no encarte”, explica Alexandre. O álbum é mesmo bonito e criativo, ainda demonstra algumas características da banda, vale para colecionar.

Bem sulistas, os meninos do Apanhador Só trazem este clima de Porto Alegre em suas canções. Além disso, são uma das bandas que transpiram sintonia. As influências e as manias de cada um deles aparece no resultado final em harmonia, mesmo as de Fernão, que não gravou o CD. Daí que se monta o som do Apanhador, variado e completo, do tipo que te conquista na segunda canção.

Próximos Shows

4/maio – Tapas Club (sp)
6 e 7/maio – CCSP (sp)
7/maio – Livraria da Esquina / com Bazar Pamplona (sp)
8/maio – Sesc Presidente Prudente (pres. prudente)
8/maio – Trip Music Bar (maringá)
16/maio – James Bar / com Banda Gentileza (curitiba)
27/maio – Sesc Santana (sp)

Para baixar: www.apanhadorso.com

Para ver:


Fora do Post – nosso Backstage – O Vitroleiros coleciona algumas falhas na nossa história. Uma entrevista de duas horas com a maravilhosa Lulina arquivada, um repórter que esqueceu e perdeu uma conversa com uma banda nova e, agora, a tecnologia dando de 10 a 0 na Jessica. Graças à ótima memória, pude lembrar até de aspas dos rapazes, mas, infelizmente, as falas não estão exatamente iguais. O áudio do gravador emprestado de nossa também vitroleira Tory foi deletado depois que ele travou. Então, peço desculpas por qualquer frase diferente no texto, mas desta vez a tecnologia ganhou de mim…

It’s not just a Gossip

E mais uma vez a banda The Gossip cancela quatro shows no Brasil. As apresentações rolariam no Festival Vírus Chilli Beans, nos dias 13 (POA), 17 (BH), 19 (Sampa) e 20 (Rio) de Março.  Os agentes do grupo alegaram em nota oficial que a vocalista e líder da banda, Betty Ditto, está com problemas de saúde e não poderá realizar a turnê.

E agora só nos resta esperar por mais uma fofoca… verdadeira ou não.

Veja aqui o que fazer para reembolsar os ingressos.

# The Gossip em Março !

Preparem-se para uma atração de peso no dia 19 de março:

A banda The Gossip, liderada pela stylíssima Betty Ditto vem ao Brasil, finalmente. Depois de ter cancelado um show no Tim Festival de 2008, que teria rolado no dia 23 em São Paulo e no dia 25 no Rio de Janeiro se não fosse a desculpa usada pelo grupo: “um inesperado conflito de agendas”.

Mas dessa vez está confirmadíssimo: o show rola no  Global Room, espaço anexo à Pacha, no primeiro festival de música promovido pela Chilli Beans, o “Vírus Chilli Beans”.

E não para por aí, a programação ainda conta com a discotecagem de DJs incríveis. Check it out:

GLOBAL ROOM – palco principal

22:00 hrs - Dj Troter
24:00 hrs - Banda EX
01:00 hrs - Killer on the Dancefloor
02:30 hrs - THE GOSSIP
04:00 hrs - Crew
05:30 hrs - DJ Mau Mau

>>>Ingressos:

1º Lote: R$ 100 (R$ 50,00 estudante*)
2º Lote: R$ 150 (R$ 75,00 estudante)
3º Lote: R$ 200 (R$ 100,00 estudante)

*Ingressos de estudante à venda apenas na Chilli Beans da Galeria Ouro Fino, R. Augusta 2690, mediante a apresentação da Carteira de Estudante. Informações: 11 3062.3266

Venda Online: www.carambolarecords.com.br

Atenção: Não se esqueçam de levar o valor do ingresso em cash, pois os pontos de venda não aceitam cartão nem cheque.

Local: Global Room, Rua Bruno Bauer 66 – Vila Leopoldina

Mais informações no site da Chilli Beans.

Ouça The Gossip no myspace da banda.