Rock in Rio de volta pras brazucas

Evento, que estava desde 2001 com os lusitanos e hermanos, traz promessas tentadoras para os brasileiros

O Rock in Rio, um dos maiores festivais de música do mundo, volta ao Brasil em 2011 após dez anos em terras gringas. Nesta quinta-feira (04/11), os organizadores do evento apresentaram o novo site, que conta com um layout renovado e um canal denominado Tv Rock in Rio, onde o público pode conferir shows históricos como os do AC/DC, Queen e Iron Maiden Live in Rio em 1985, além de notícias e promoções.

Neste ano a equipe do empresário Roberto Medina, idealizador do festival, lançou uma música-tema do Rock in Rio interpretada por nomes da cena mainstream brasileira como Ivete Sangalo, Marcelo D2, Dinho Ouro Preto do Capital Inicial e Pitty, que farão shows no evento. O Rock in Rio 2011 será abrigado na Cidade do Rock, uma área de 150 mil m², na Barra da Tijuca (RJ), com uma lagoa natural e uma infraestrutura que vai muito além do palco principal de atrações internacionais. Haverá outros dois espaços para shows, um deles dedicado para artistas brasileiros e convidado e outro para fãs de electro e house music.

Outra atração é o Espaço Fashion, que trará a combinação de desfiles de moda com música. Medina também promete uma rua cenográfica inspirada em Nova Orleans (EUA), onde bandas de street jazz farão shows em bares e restaurantes. Além das atrações musicais, o evento terá brinquedos de parque de diversões como tirolesa e roda gigante.

As promessas são boas e deixam o público cada vez mais ansioso, apesar da frustração dos brasileiros pela deserção do Rock in Rio das terras cariocas. A “internacionalização” do evento em 2004 deixou milhares de fãs brasileiros ressentidos e desta vez o festival terá que superar expectativas para reconquistá-los.

Ouça a música tema do Rock in Rio 2011:

O Rock in Rio se tornou uma espécie de marca para seus frequentadores desde a grande repercussão que teve em sua primeira edição, que aconteceu no ano de 1985. A edição pioneira foi feita em uma Cidade do Rock construída especialmente para o festival, que contava com um palco de 5 mil m². A estrutura que bateu recordes de tamanho e extensão nos anos 1980 e o público chegou ao número de 1.380.000 de pessoas em dez dias.

A primeira Cidade do Rock foi demolida por ordem do governador Brizola e a segunda edição do festival acabou aconteceu no estádio de futebol do Maracanã, em 1991. O Rock in Rio II teve apenas (comparados com o Rock in Rio I) 700 mil espectadores, em 9 dias de evento. Já a terceira edição em 2001, a última que aconteceu em solos brasileiros, teve sete dias de evento e contou com um público de 1.235.000 de pessoas.

Com o argumento de buscar a universalização do evento, Medina legou o Rock in Rio para Lisboa e Madri em 2004 e lá o evento permaneceu nos anos de 2006, 2008 até este ano, 2010. Com isso, o evento foi e é muito criticado até hoje, principalmente com relação aos seus patrocinadores como a Rede Globo, que é famosa por “impor” certas demandas ao Rock In Rio, como inserir a cantora de axé musica Ivete Sangalo entre as atrações. De qualquer maneira, o festival nunca foi 100% Rock ‘n Roll, já que contou artistas como Alceu Valença e Elba Ramalho.

Faça um tour virtual pela Cidade do Rock 3D:

Inicialmente a quarta edição do Rock in Rio em sua cidade natal, o Rio de Janeiro, aconteceria em 2014, junto com a Copa do Mundo FIFA de 2014, mas a pedidos da prefeitura do Rio de Janeiro, o evento foi antecipado em três anos. Segundo Roberto Medina, a nova cidade do Rock permitirá a periocidade do evento a cada dois anos. A programação para 2012 é a de mais uma edição em Lisboa e em Madrid.

Entre as atrações cotadas para 2014 estão Lady Gaga, Shakira, Radiohead, o retorno do Iron Maiden, Metallica e Guns N’ Roses. Apesar do nome “Rock in Rio”, o festival está longe de ser um evento apenas para roqueiros cabeludos, e a palavra “Rock” que leva em seu título deve ser entendida como “agito” ou “festa”.

Sustentabilidade

Na onda do SWU (Stars With You) e do Festival Planeta Terra, o Rock in Rio 2011 tem uma proposta de sustentabilidade e consciência ecológica. O evento tem no subtítulo a frase “Por Um Mundo Melhor”. Ao lado dos parceiros como Volkswagen, Heineken e Coca-Cola, o Rock in Rio tem a proposta socioambiental de compensar emissões de carbono, investir em educação ambiental e arrecadar verbas para a caridade.

O Rock in Rio 2011 veio com tudo e com propostas impecáveis. Previsto para os dias 23, 24, 25 e 30 de setembro e 1 e 2 de outubro, haverá apenas uma pista, sem espaços Vips, famosos pelo seu alto custo. Os ingressos deverão custar de R$ 90 a R$ 180 por dia.

Parece bom demais para ser verdade? Vamos esperar, ver e cobrar.

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Esculpindo em gelo negro

Sabe como é às vezes a vida: você acorda, faz um café/chá, lê algum livro/jornal/resenha, vai trabalhar/estudar, sai com alguns amigos/namorada(o/as/os) e deita a cabeça na cama à noite surpreso de estar satisfeito de poder repetir a exata mesma rotina no dia seguinte, uma felicidade molenga de estar em um ponto ótimo e seguro, de onde nenhum imprevisto ou sentimento repentino possa te abalar. É assim que me sinto musicalmente com a banda de Hard Rock AC/DC. Na cena rocker desde os idos de 1973 o grupo australiano lança álbuns com um pouco mais do que um miasma criativo e alguns riffs parecidos funcionando como fio condutor da obra. Desde Black in Black e para além dos discos de menor intensidade que povoaram a década de 80, ouvir AC/DC agora é admiravelmente similar a ouvir AC/DC de coisa de 20 anos atrás. No cenário atual, em que o Rock e suas vertentes vêm se diferenciando e reinventando entre e para além de seus paradigmas, isso pode soar um bocado negativo. E, convenhamos, AC/DC está num patamar estranho mesmo se comparado a bandas de igual calibre e tempo de estrada (qualquer um vai concordar comigo depois de ver a repaginada estilística que Judas Priest organizou sob o single Nostradamus). Claro, constatar essa estagnação não deixa de ser “lugar comum” – além de um desserviço para a capacidade criativa musical de Angus, Johnson e cia. Portanto, eis o caso em questão: O CD Black Ice, lançado em outubro de 2008 e a mais nova aventura da banda. Seria este um novo experimento, um disco conceitual pronto para romper suas barreiras de estilo? Um Nostradamus? Ou suas previsões falharam? Confiram a seguir, enquanto disseco o mais atual fruto dos autralianos do AC/DC.

Ok, ok, vamos falar sério! Se vocês conhecem bem AC/DC sabem que a resposta para essas perguntas é um sonoro NÃO. Os autralianos são desse tipo de caras que encontram sua voz na multidão, um formato de sucesso e uma boa sonoridade e seguem firmes e fortes. Sem experimentalismos, sem viagens à lá Jethro Tull. E quer saber, não é nada mal. Se Black Ice consegue fazer algo bem, é superar a sombra do Back in Black e se firmar em suas próprias pernas. As canções são boas, vibrantes e energéticas, além de extremamente viciantes. O disco começa (sim, eles começam sim, geração “Shuffle”! Começam sim!) em uma alta nota com “Rock n’ Roll Train”, uma entusiásmatica coleção de riffs contagiantes, trocados com precisão e velocidade entre o Guitar Hero Angus e Malcolm Young. O ritmo Staccatto um pouco violento e grosseiro faz seu retorno, auxiliado pelo baterista Phil Rudd e o baixista Cliff Williams. A música, entretanto, soa mais organizada e afiada.

De “Rock n’ Roll Train” em diante, o roqueiro padrão está em casa, com uma coleção de músicas com elementos bem semelhantes com os do passado da banda: “War Machine”, por exemplo, parece algo saído de “Back in Black”, enquanto “Anything Goes” tem uma levada similar à de “For Those About to Rock (We Salute You)”. Entre esses sons mais familiares e um ou outro que pode soar vazio de inspiração – “Spoilin’ for a Fight” vem à mente – minha favorita de todo o disco é, sem dúvida, “Rocking All The Way”. Nela, um ritmo funky puxado para Jazz rouba a cena, e o baixo de Cliff Williams ganha voz. Também não dá para deixar de se lembrar dos tempos em que Bon Scott estava nos vocais do AC/DC, e em que o ritmo Soul tinha presença mais marcante no trabalho dos autralianos. É uma faixa genial, e a mais surpreendente de todas as presentes, soprando um pouco de vida nova e personalidade ao álbum.

Já que a base instrumental se manteve a mesma, é o papel do vocal criar a sensação de novo. Diferente de Scott, Brian Johnson é um barítono natural, mas em Black Ice, o vocal explora tons mais altos e, como resultado, sua voz soa um pouco menos impactante.  Longe de estragar a experiência, claro. As letras ainda mantém uma saudável dose de irreverência com pitadas de Tom Sawyer,  relegando tudo o que não for Rock n’ Roll pra um mero segundo plano. Sem emoções profundas e investigações sobre o melodrama humano, é interessante notar como o AC/DC ainda consegue criar um material tão divertido com palavras e temas que já são clichés há décadas. Fato é que depois de um tempo ouvindo Black Ice é possível que você comece a cantarolar coisas que te fariam soar no mínimo cafona. E que você não dê a mínima pra isso.

ACDC – Black Ice (Sony/BMG)

Produzido por Brendan O’Brian

Lead Guitar: Angus Young

Rythym Guitar: Malcolm Young

Vocais: Brian Johnson

Baixo: Cliff Williams

Bateria: Phil Rudd

Canções compostas por A. Young e M. Young

Paranoid

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Estava eu secando o cabelo pra poder ir dormir (é, amigos, não durmam com seus cabelos gigantes molhados, sério!) quando, de repente, me vieram à cabeça os acordes de Paranoid. É, os primeiros e repetidos acordes do riff que preenche a música toda. Enfim, eu não sei por que cargas d’água me lembrei de Paranoid àquela altura, mas lembrei. E aí, (o melhor de tudo!) eu me fiz apenas uma pergunta: “Por que diabos eu havia me esquecido disso?”. E continuei cantarolando a música e competindo, no quesito “pior barulho”, com o ruído do secador.
Quer dizer, quando eu digo “esqueci”, não quer dizer que eu tenha me esquecido completamente. Se pegar a Neguinha ali no quarto e gastar algum tempinho nela, certamente eu lembro como tocá-la inteirinha de novo. E de novo. É simples, até. Mas a questão não é essa. A questão é: onde foi que eu deixei meu lado rocker? Sim! Fez todo o sentido pensar nisso agora.
Eu era pequena e a minha casa era cheia de fitas dos meus pais. Infestada de Beatles, Rolling Stones, Raul Seixas, Pink Floyd, BeeGees, Abba, Queen, um monte de coisa boa – e bizarra também (tinha umas fitas do Zezé de Camargo, mas essas a gente abafa!). Eu pirava no Raulzito, mas eventualmente também saia bradando por aí “We don’t need no education… We don’t need no thought control”. Porra, aprendi a falar inglês cantando, isso você pode perguntar pra qualquer um que me conheceu nova. E pode confirmar me ouvindo cantar por dois segundos e falando por dez. Eu ainda sou muito melhor no inglês cantado. Mas divago.

Eis que eu, ainda pequena, já era uma garota do rock. Tinha lá meus vinis da Xuxa, da Angélica, da Mara Maravilha, da Eliana, do Fofão, mas nunca fui muito da turma dos dedinhos. A única coisa que eu curtia de verdade além do Raul e daqueles caras que começavam a música com um puta som de avião fudido e moedas caindo era Zezé de Camargo um vinil do Vinícius de Moraes e do Toquinho. As fitas deram lugar a um CD player e eu, então lá pelos dez anos, ouvia Miucha, Tom Jobim, Chico Buarque… Mas preferia o Cazuza, Mamonas Assassinas, Raul, mais Raul, Raul de novo. Ouvia muita coisa quem nem sabia o que era, CDs loucos de rock que meu pai trazia e eu ouvia sem nem querer saber o que era, só querendo mesmo mais.
Foi assim que um dia meu pai chegou com um DVD player, quando isso não era nem comum. Tudo bem, ele trabalha com audiovisual, extremamente aceitável ter um treco desse em casa. Eu não via sentido naquele aparelho, afinal, O Rei Leão, que era meu vídeo favorito (shame on me, eu chorava com esse filme!) só funcionava no meu pré-histórico videocassete. Não foi difícil, no entanto, fazer com que o DVD passasse a fazer todo o sentido do mundo. Isso porque, junto com ele, meu pai criou uma coleção de clássicos duca. Elvis, Beatles, Rolling Stones, Jimmy Hendrix, Santana, Police… E, dentre os vários disquinhos, lá estava ele, o glorioso. Não tinha nome, ele mesmo havia gravado. Cheia de clipes antigassos de fazerem qualquer um mijar de rir. Eu ria. Até que dei de cara com um canhoto féladaputa. Ele segurava uma guitarra preta, chifrudinha, com cruzes nas casas. O cara era animal. E eu nem vou comentar minha reação diante do Ozzy gritando “Can you help me? Occupy my brain? Oh, yeaaaah”. É desnecessário descrever isso pra qualquer um que já teve uma mínima paixão por Black Sabbath. Pra quem não teve, é simplesmente indescritível, desculpe. Enfim, eu assistia àquilo várias vezes. Incansavelmente. Eu devorava Paranoid. Daí vieram as más influências, a vontade de integração, a Sandy e o Júnior gritando “vamo pulá!” e eu passei por uma fase negra chamada pré-adolescência, que nem comentarei aqui.
Um dia, exorcizadas essas minhas crises de pré-adolescente, decidi que aprenderia a tocar. Não queria um violão, queria uma guitarra. “Violão não é rock’n’roll”, minha inocência dizia. Coisas de menina. Caminhando pela Teodoro Sampaio, cabelos castanhos abaixo da cintura com suas pontas rosa-pink, sainha de sarja, regatinha roxa-halloween, olhos exageradamente contornados com o lápis preto, coturnão com cara de all-star, eu me deparei com ela. A Neguinha. Uma Epiphone SG Signature do Tony Iommi. Ninguém menos que o cara mais féladaputa do mundo. O cara que eu mais admirava. Um dos guitarristas mais fodas que eu já ouvi. Lá estava a guitarra toda pretinha, com as cruzinhas brancas gravadas nas casas e um preço que minha mãe certamente não pagaria – já que era suficiente pra comprar, no mínimo, 4 guitarras “normais”. Carinha de “por favor”, súplicas infinitas, um mimimi com a minha mãe – que tinha esperanças de que eu fosse aprender música pra tocar na igreja (hahaha!) – tentando explicar que aquela guitarra não significava nenhum pacto com o demo, pelo menos nenhum pacto meu.
Agora a Neguinha vive pedurada, dentro de sua bag, na lateral do guarda-roupas. No meu player não há nem sinal de algo parecido com Black Sabbath. A última vez que toquei Paranoid, gloriosa e perfeitamente, foi há incontáveis anos, numa banda só de meninas, “noite do Metal” lá no conservatório. Eu cresci e mudei pra caralho. Todo mundo muda. Eu não sou nem de longe xiita como eu era. Não. Já não brado Wasted Years por aí. Não consigo mais pensar em Sonata Arctica como a trilha sonora da minha vida (é, eu já pensei nisso!). Eu ouço Luiz Melodia, Mart’nália, eu morro por um bom samba hoje em dia. Mas não é que – eu descobri hoje – eu ainda gosto do bom e velho rock’n’roll? Tem mais, inclusive – eu acho que é isso que está faltando. Está faltando rock’n’roll na minha vida. Está faltando rock’n’roll no mundo, na atualidade. Já não se faz mais música como antigamente. Pelo menos eu acho que não. E eu tenho dó de quem nasce e não tem a chance de ouvir as coisas que eu ouvia. O Raulzito. Pink Floyd. Sabbath. Ozzy em toda sua glória. Não, hoje em dia eu não vejo nada disso por aí… Não há mais rock’n'roll como o de antigamente.

Mas quem tiver sugestões pra me provar o contrário, to aceitando. O que eu quero mesmo é agitar essa minha vida. Quem sabe eu não descubro a esperança pra contá-la pros meus filhos?

Enquanto isso, o clipe que me fez me apaixonar pela Neguinha: