Com nome de Santa, eles chegam

A banda com nome de cidade portuguesa e música do Banhart resolveu apostar nos clipes para divulgação e, por que não, para arte. Para conhecer o trabalho dos caras, sentir o som e as ideias deles, o melhor caminho é assistir aos vídeos. Rafael Arcaro, voz e guitarra, além de levar a música, também estuda cinema e dirigiu os 4 já produzidos. Por falar nisso, saiu na semana passada o novo vídeo, de Sem Nome. A banda, buscando identificação com o público, fez uma votação na comunidade do Orkut para decidirem qual seria a música escolhida para a nova gravação. Confira aí.

Uma escada escura e luzes de natal no chão; depois, “Foi por pensar saber falar / por crer acreditar que as coisas vão / e são como elas são”. Cinema, cigarro, cerveja. Instrumentos de alumínio, um passeio de bicicleta e dançarinas no espaço. Isso é Santa Maria da Feira.

O CD tem 12 faixas rápidas e animadas ou lentas, sempre intensas. Letras e composições são assinadas por Arcaro e por Felipe Campedelli, também voz e guitarra. O baixo fica por conta de Rafael Senatore e a batera por Guilherme Francischi. Algumas delas lembram os vocais dos Los Hermanos, principalmente se levarmos em conta Bloco do Eu Sozinho e 4. A banda, inclusive, fez um clipe independente para How To Hang A Warhol, outra ponte com a figura de Amarante, que vale bastante a pena e está no canal de Youtube deles.

Mas é com jeito de gente grande e visitas de novos artistas (os independentes somam até agora quase 20 mil no Myspace da banda) que faço uma aposta pessoal: dobram até o fim do ano. A turnê pelas casas de São Paulo está marcada para começar no fim deste mês e continuar até novembro.

Parece que de forma descontraída, pouco a pouco, vão buscando a estrada, mesmo sem saber o que ela vai trazer: “eu sei lá onde quero chegar / eu prefiro ficar a navegar / sem escolha”.

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Movimento e instrumento: Hans Zimmer

Qual é a semelhança entre os filmes O Rei Leão (1994), Gladiador (2000), Pearl Harbor (2001), Piratas do Caribe (2007) e Hanibbal (2001)? Hans Zimmer. Compositor e produtor musical, Zimmer é o responsável por diversas trilhas sonoras cinematográficas de sucesso, além das citadas no início do parágrafo.

Hans Florian Zimmer nasceu em Frankfurt, na Alemanha, e começou sua carreira como um simples tecladista de bandas. Em Londres, conheceu o compositor Stanley Meyer, com quem aprendeu e compôs. Através de Meyer, Hans Zimmer se lançou no cenário musical, misturando, com certa peculiaridade, arranjos instrumentais com música eletrônica. A técnica o levou mais longe do que imaginava. Hoje, Zimmer é considerado um dos pioneiros dessa integração.

Em 1988, sua carreira deslanchou. A composição de Rain Man (1988), vencedor do Oscar de melhor filme do ano, do diretor Barry Levinson, trouxe ao compositor o prestígio que precisava para lançar o próprio nome. No ano seguinte, Zimmer encabeçou a trilha sonora de Driving Miss Daisy (1989), estrelado pelo veterano Morgan Freeman.

Mas foi em 1990 que o músico soube o que é ser reconhecido. A trilha sonora de O Rei Leão, além de um Oscar, rendeu mais de 15 milhões de cópias vendidas. Só com o álbum, Zimmer recebeu um Globo de Ouro, um Tony, dois Grammys e certificados de prestígio da Academia.
Posteriormente, o compositor assinou outros nomes como Missão Impossível 2 (2000), Falcão Negro em Perigo (2001), os dois últimos títulos e Piratas do Caribe e O Chamado (2002). Com Gladiador, o trabalho de Zimmer foi indicado ao Oscar, assim como em O Príncipe do Egito (1998). Aos 52 anos, Hans Zimmer parece não querer parar, tendo assinado, recentemente, a trilha sonora de Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) e da adaptação cinematográfica O Código da Vinci (2006).

Para quem presta atenção, Piratas do Caribe e Gladiador são exemplos que bem caracterizam o estilo Zimmer, que mistura o tom forte dos metálicos com batidas de efeito e vocais sintetizados. O estilo também é muito bem exemplificado pelo trabalho realizado em O Pacificador (1997) e em Maré Vermelha (1995). Para tons mais calmos, Zimmer trás melodias simplistas, como em Pearl Harbor e O Chamado, não poupando oscilações entre o leve e o pesado. Para Os Simpsons: O Filme (2007) e Melhor Impossível (1997), o trabalho é o de musicar e alegrar, ao mesmo tempo.
Recentemente, o trabalho de Zimmer concorreu ao Oscar de Melhor Trilha sonora pela composição que deu vida ao filme Sherlock Holmes, perdendo para o realizado em Up (2009), de composição de Michael Giacchino. O músico também é o responsável pela trilha de Sherlock Holmes (2010).

As composições de Hans Zimmer, além de serem influência para as melodias de outros profissionais, como James Horner- que assinou o filme Tróia (2004), por exemplo- trazem ao trabalho de cinema uma magia inexplicável. Muito além das imagens, as trilhas, ainda que não notadas, nem valorizadas como deveriam, são grandes bases de produção e sentimento. O trabalho de Zimmer, assim como o de outros compositores, é o de registrar cada filme como singular.

The Flame Still Burns: Bill Nighy

Davy Jones, Billy Mack, Slatirbastfast, Ray Simms: Bill Nighy. Com 61 anos, e rebolado de 15, o ator inglês Bill Nighy caiu no teatro por acaso, através dos pedidos insistentes de uma amiga, e hoje é um dos artistas mais aplaudidos do Reino Unido e do mundo. Mas, a troco de quê estamos falando dele? Além da personalidade favorita deste que escreve, Bill Nighy é conhecido pela genial interpretação de astros do rock, sendo chamado de rock star por parceiros de cena, como a bela Kate Beckinsale.

Quem nunca ouviu falar de Bill Nighy, certamente o viu em cena, seja irreconhecível fisicamente com o disfarce virtual de Davy Jones, da série Piratas do Caribe, ou inesquecível como o vampiro Viktor, de Underworld: Anjos da Noite. Mas, muito além dos belos olhos azuis, o ator é facilmente reconhecido pela voz.

Apesar do tom levemente rouco, Nighy não tem dificuldades de impor respeito com a voz. Para efeito de exemplo, foi um dos protagonistas da transmissão de “O Senhor dos Anéis”, pela BBC, em 1981, interpretando o personagem Sam. Também colaborou com a edição de rádio da série Yes, Minister, também da BBC. Em 1998, Nighy trouxe Ray Simms ao cinema, e marcou seu nome na história.

Com todos os vocais interpretados pelo ator, o longa Still Crazy (1998) conta a trajetória de um grupo de antigos heróis, a banda Strange Fruit, da música dos anos 70, perdidos com a nova ordem musical e com as marcas da idade, e com o egocentrismo do vocalista Ray Simms. No papel de Simms, Bill Nighy traz ao filme todo o sentimento do rock clássico, além de garantir boas risadas e frases históricas. Com Jimmy Nail, Steve Donelly, Clive Langer e Alan Winstanley, Nighy arranca sorrisos e danças.  A trilha sonora foi gravada pelo time, e conta com sucessos como “All Over the World” e “The Flame Still Burns”, que concorreu ao Globo de Ouro como melhor tema de filme.

Em 2004, o talento musical do ator foi explorado em Love Actually: Simplesmente Amor. No papel de Billy Mack, uma decadente estrela do rock inglês, Bill Nighy rouba a cena. Apesar do elenco de peso, que exibe personalidades como Alan Rickman, Emma Thompson e Liam Neeson, Nighy chama atenção e tira risadas, enquanto tenta, de qualquer jeito, vencer o prêmio de melhor músico do ano na trama.

Billy Mack, além de trazer a aura rockeira do ator, rendeu a gravação de um clipe,“Christmas Is All Around Us”, uma adapatação do sucesso “Love Is All Around Us”. Ao lado de ídolos do pop, como Maroon 5, The Calling e Dido, o ator ajudou a trilha sonora do filme a alcançar o segundo lugar do ano britânico, em 2004, além de rankings da Billboard e de outros veículos. Nighy também foi premiado pela Academia Britânica de Cinema e Televisão, como melhor ator coadjuvante em “Love Actually”.

Recentemente, Bill Nighy foi convidado para interpretar Rufus Scrimgeour, Ministro da Magia em “Harry Potter and the Deadly Hallows”, além dos filmes “The Boat that Rocked” e “Glorius 39”. Sem perder o rebolado e sem deixar de impressionar, o fã de chuva e de trens é o que se pode chamar de artista. E se você ainda não conhecia Bill Nighy, bom, lamento dizer que não deu nem pra fazer folhetim de tudo o que o cara fez e faz, mas, bem vindo.