Part of cure or the disease?

O Coldplay faz shows marcados no Rio em final de fevereiro e em São Paulo no início de março. A turnê é do CD Viva la Vida.

“O Coldplay é para pessoas com um ótimo gosto, inteligência, um visual incrível, talentosas, habilidosas, bem sucedidas, que capturam a vida. Coldplay é para pessoas que sabem do que a vida se trata. Elas são sempre divertidas. São prazerosas de se conversar. Doces, charmosas, incrivelmente boas de cama. Viris. Elas fazem um grande sucesso com garotas, garotos, ou ambos. Elas são, geralmente, os melhores cidadãos do mundo. Eu posso estar sendo parcial, mas estou definitivamente certo”.

Foi com essa declaração que Chris Martin, vocalista e pianista do Coldplay, encerrou sua entrevista com Andrew Denton, para o programa da ABC, em 3 de julho de 2006. Um pouco presunçoso? Talvez não. Nessa época, a banda já tinha 3 discos de estúdio que passaram pelo Top 1 de vendidos na Inglaterra e era considerada uma das mais importantes do rock alternativo tanto pela crítica quanto pelo público em geral. Nem é preciso falar que, desde então, muitas águas rolaram. Mas vamos por partes.

Assim que se conheceram na University College London, no segundo semestre de 1996, Chris Martin e Jhonny Buckland, guitarrista, começaram a sonhar com sua futura banda. Chris e Jhonny ainda eram dois garotos que conversavam sobre como eram bons em música, como eram talentosos. Ambos estavam duros e resolveram ir para o centro da cidade: “Vamos botar fogo em Londres com um show de rua e nesse sábado todas as crianças vão ficar por perto. Vamos encher o chapéu com muito dinheiro”. Cinco minutos depois, enquanto tocavam Mrs Robinson de Simon & Garfunkel, foram expulsos de lá pela polícia, sem reagirem. Foi aí que os dois concordaram que não eram tão bons quanto pensavam e que fazer covers em um local público não daria muito certo.

Mesmo assim, ainda demoraram pouco mais que um ano e meio (1998) para conseguir reunir os outros integrantes – Guy Berryman, baixo, e Will Champion, bateria – para a gravação de seu primeiro EP. Como quase sempre acontece no meio musical, não é fácil sair de seu círculo social, expandindo o público da banda logo de cara. Isso foi acontecer de forma significativa só depois de mais dois EPs, com o primeiro disco da banda: Parachutes (2000). E é com ele que conseguem, finalmente, seus primeiros hits: nada mais, nada menos que Shiver e Yellow.

Muito provavelmente foi nesse momento que Chris Martin – junto com o resto do mundo – percebeu que suas composições eram marcantes pra muita gente. É daí que vem seu desprendimento com as críticas negativas: “a partir do momento que você está vendendo seus discos, você não pode se preocupar com isso – quando há um público que vai ao seu show e se diverte, você não precisa mais dar importância para o que um cara qualquer que não sabe de nada pensa”. E assim o sucesso foi aumentando com o tempo e as críticas ofensivas, ignoradas.

Já com o A Rush of Blood to the Head (2002) e o X&Y (2005), segundo e terceiro álbuns de estúdio, a banda aprimorou mais sua personalidade, variando bastante em suas influências e criando mais refrões para entrarem no imaginário mundial. Talvez algumas das mais conhecidas de seu tempo, a imensa maioria das pessoas que acompanham a música internacional, já escutaram os acordes de The Scientist ou Clocks. A música do Coldplay é feita com emoção e exala alguns dos verdadeiros sentimentos de Martin. É o rock alternativo, mas com alguns toques de romantismo poético.

Tudo isso para aparecer o Viva la Vida or Death and All His Friends (2008). O disco merece a produção de Brian Eno, que já trabalhou com lendas como Bryan Ferry em Roxy Music (1972) e David Bowie. As músicas mais dançantes e alguns dos arranjos que, pessoalmente, me lembraram Angels and Airwaves (já que conhecia o CD We Don’t Need to Whisper melhor que o Viva la Vida) causaram uma certa nostalgia. A faixa inicial Life in Technicolor é uma das minhas favoritas, apesar de Martin sequer arriscar uma sílaba durante toda a música instrumental.

E é com a turnê desse CD que os ingleses vem se apresentar aqui no Brasil, agora em 2010. No Rio de Janeiro, dia 28 de fevereiro, na Praça da Apoteose, mesmo palco que os Rolling Stones, o Pearl Jam e o Nirvana já pisaram. Já em São Paulo, a apresentação acontece dia 02 de março, no estádio do Morumbi.

O show é para marcar e já esta sendo esperado há muito. Agora é hora de poder vibrar com as canções, que não visam melhorar ou mudar as pessoas; segundo Martin, “certo tipo de música pode acentuar a personalidade das pessoas”, sendo elas boas ou más, amáveis ou amargas. Daí o “Am I a part of the cure? / Or am I part of the disease?” Mal dá pra esperar para viajar mais um pouco por dentro do seu próprio eu. É essa a forma como um fã do Coldplay deve parar e apreciar sua música.

#essencialbuns IV: Common, Be

Be, Common

Por Marco Gomes
@marcogomes

O rapper Common, após dois anos e meio desde seu último lançamento, retorna à música em 2005 com o álbum Be. Recheado de rimas poderosas, letras introspectivas sobre a vida, maturidade, amor, valores. Tem o melhor conjunto de produções que já ouvi, com Kanye West ou J Dilla comandando todas as faixas.

Destaque para a última faixa, It’s Your World, em que crianças falam (em inglês) o que desejam ser quando se tornarem adultas. As mais novinhas dizem arquiteto, astronauta, uma das mais crescidas dispara, quer ser “a primeira mulher negra presidente dos Estados Unidos”, seguida por um incrível discurso sobre persistência pra realizar sonhos.

Kanye West ainda não havia se revelado babaca megalomaníaco, neste trabalho mostrou o máximo que seu talento musical produziu num único álbum. J Dilla, lendário produtor responsável pela recente musicalização do rap, também está presente na produção, inclusive trazendo Love Is, uma das melhores faixas do disco, morreu por consequência de lupus alguns meses após o lançamento. Outro ponto forte na produção são os samplers, com citações de The Temptations, Linda Lewis, Marvin Gaye, trazem clima nostálgico à obra.

Recomendo para momentos de desânimo com seus objetivos, pra recarregar as baterias. Ou para momentos de ânimo extremo, para conservá-las carregadíssimas.

Seguem minhas “notas” pra cada faixa.

(clique na imagem para vê-la maior)

o desafiado

Marco Gomes é mais um dos nossos notáveis nerds around the interwebs. Fundador e Diretor de Inovação da boo-box, ele se define como “cientificamente irritante, interneteiro profissional, evangélico aprendiz, nerd veterano, fotógrafo iniciante”. Não para um segundo e tá sempre compartilhando conhecimento por aí.

Be para ouvir

tracklist

1. Be
2. The Corner
3. Go!
4. Faithful
5. Testify
6. Love is…
7. Chi-City
8. The Food
9. Real People
10. They Say
11. It’s Your World

//mais informações
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#essencialbuns III: New Order, Substance

Substance – New Order

Por Maestro Billy
@maestrobilly

A razão da escolha: Nenhum motivo específico como “vamos salvar a música feita na Terra para mostrarmos aos extraterrestres quando estes nos dominarem”, mas pelo simples motivo de conexão afetiva.

Nesta compilação está a música que mudou meu conceito de música aos 12 anos. Quem ouvia o rock dos Beatles e de repente passou a ouvir Thieves Like Us teve com certeza um belo choque, por exemplo. Como uma musica toda eletrônica, mal cantada, sem guitarra, com um baixo fazendo o oposto do que deveria fazer, poderia ser tão legal ? Como existia esse mundo paralelo até então desconhecido ?

Note que Thieves Like Us é anterior ao Substance, mas a coletânea juntou essa com Ceremony (ainda do Joy Division), Shellshock (um dos melhores arranjos de teclado), Temptation, Blue Monday, Bizarre Love Triangle, e todos outros clássicos do New Order que dominaram a molecada nos anos 80 num vinil duplo.

Foi um “explode-cabeças” épico.

o desafiado

Maestro Billy comanda o Programa ADD, é produtor musical, DJ e um dos primeiros podcasters brasileiros.  Um dos fundadores do Programa Pânico da Jovem Pan FM e do primeiro podcast corporativo do Brasil, a Rádio Heineken, há 9 anos comanda as pick ups  do Caldeirão do Huck nas tardes de Sábado da TV Globo.

Substance para ouvir

tracklist

Disco 1

01. Ceremony
02. Everything’s Gone Green
03. Temptation
04. Blue Monday
05. Confusion
06. Thieves Like Us
07. The Perfect Kiss
08. Sub Culture
09. Shellshock
10. State Of The Nation
11. Bizarre Love Triangle [Extended Dance Mix]
12. True Faith

Disco 2

01. In A Lonely Place
02. Procession
03. Cries And Whispers
04. Hurt
05. The Beach
06. Confusion [Instrumental]
07. Lonesome Tonight
08. Murder
09. Thieves Like Us [Instrumental]
10. Kiss Of Death
11. Shame Of The Nation
12. 1963

// informações sobre o álbum [en]
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#essencialbuns II: John Coltrane, A Love Supreme

a love supreme, john coltrane

por Renmero Rodriguez
@renmero

quando conheci stella eu tinha quatorze anos. havia mudado de turma no colégio e ela era a mais linda guria de toda a sala. uma sala em que entrei como objeto estranho. era difícil não encará-la. cabelos loiros longos. olhos azuis. um cheiro incrível. um dos maiores que já senti até hoje. observá-la conversando com alguém era um passatempo que cultivei por um bom tempo – ou qualquer medida de de tempo que seja “um bom tempo” quando se tem quatorze anos.

um dia, ela me pegou. começou a me encarar também. havia ali um pequeno prêmio para mim. como se ela dissesse tudo bem, você não precisa mais fazer isso. agora eu quero ver o que mais você sabe fazer. nossa primeira conversa foi mais ou menos assim:

oi.
oi.
vi que você me pegou ali te olhando.
é, por que você estava fazendo isso?
é difícil não fazer.
hum, é bom, não é?
muito.
eu gostei também.

a primeira vez que me despedi de stella foi numa tarde quente de novembro há seis ou sete anos. na frente de sua casa. eu iria me mudar de cidade. apesar de anos convivendo em colégios, nunca havíamos realizado nada de mais entre nós. sabíamos que havia algo muito bom ali. mas deixamos coisas bestas entrarem no caminho. eu era muito diferente do que sou agora, ela era praticamente outra pessoa. desperdiçamos uma grande chance e estávamos percebendo isso. mas já era tarde.

a segunda vez que me despedi de stella foi numa noite chuvosa de dezembro há menos de algumas semanas. nos detalhes do seu corpo pude perceber o que havia acontecido com ela nos últimos anos. uma marca na nuca. um furo extra na orelha. o modo como olhava para ao chão. a força com que segurava a minha mão. nos anos em que ficamos distantes, em que abandonamos um ao outro, aconteceram coisas tristes com ela. eu queria resolver todas, queria curá-las. queria os olhos azuis do mesmo jeito que eram. queria agora a mulher que ela era. stella, eu te amo e dessa vez não vou te deixar. foi você que me ensinou a apreciar as mulheres. mas nunca apreciei você.

o jeito errático como ela montava suas respostas entregava uma ferida nova. uma grande. tinha chegado nos olhos, nas unhas, em todo o corpo. estava consumindo a guria mais linda que já conheci. e eu não podia fazer nada. com tudo que aprendi, estudei, ensinei. tudo inútil. mais uma despedida longa e silenciosa.

ela me disse, antes de entrar num táxi: aqueles minutos em que você ficava me encarando na sala de aula.

a love supreme.

o desafiado

Renmero Rodriguez é comandante do Bunker, não cansa de fazer sentido no twitter e também colabora no impop. Após três anos treinando em um dojo no sul do japão, Renmero agora mora na Vila Madalena e escreve histórias todo o dia para pagar o aluguel. Fontes confiáveis afirmam que ele nutre um certo rancor pela editora da coluna porque ela demorou muito pra publicar esse texto.

a love supreme pra ouvir

A Love Supreme, John Coltrane @ Grooveshark

tracklist


1. Part I – Acknowledgement
2. Part II – Resolution
3. Part III – Pursuance
4. Part IV – Psalm

// sobre o álbum (artigo da Wikipédia, em inglês)

// WTF #essencialbuns?

Registrado a Sete Chaves

Um NxZero muito mais maduro aparece no especial da Multishow, lançado no dia 25 de janeiro desse ano. Longe de mostrar a imagem repetitiva em que focam as reportagens saídas até hoje (especialmente as de grandes veículos) a respeito dos meninos, Sete Chaves – Registro dá voz a todos os membros da banda, agora mais familiarizados com o sucesso durante turnê e gravação do último álbum, Sete Chaves.

Imagens de quatro anos de estrada comentadas por Diego Ferrero, Conrado Grandino, Daniel Weksler, Filipe Ricardo e Leandro Rocha, que transformam as horas maldormidas na estrada, as viagens pelo Brasil, o difícil processo de divulgação e “defesa” dos discos e o dilema da repetição de perguntas por parte da mídia em um material emocionante para fãs e, por que não, não-fãs da banda. O segredo é deixar os preconceitos de lado desde o início e curtir o vídeo como se fosse parte da tal “família NX”.

a propósito: Eu mesma, depois de assistir ao programa e ao making of das gravações do disco, resolvi dar mais uma chance ao álbum – que, na maior das vibes xiita rock’n'roller, não havia conseguido ouvir por inteiro nenhuma vez.

NXZERO – SETE CHAVES
Multishow Registro

Direção de Daniel Ferro e produção de Rick Bonadio, com imagens de César Ovalle.
DVD com Programa + Clipes + Making Of das gravações
Arsenal Music + Multishow + Universal Music
120 minutos – LIVRE

Diversão garantida (vezes quatro!)

Neste fim de semana, o Centro Cultural São Paulo levará novos, mas ótimos e divertidos, grupos da música brasileira atual ao palco (R. Vergueiro, 1000, SP, sala Adoniran Barbosa). O ingresso de cada dia custa R$ 10 e a animação parece ser garantida. Quem não puder ir, aproveite ao menos para conhecer quatro dicas musicais “das boas”.

No sábado (6 de fevereiro), a partir das 19 horas, a animada Banda Gentileza tocará as canções de seu primeiro álbum, produzido por ninguém mais que Plínio Profeta. As doze faixas, aos interessados, podem ser baixadas do site do próprio grupo curitibano, composto por Heitor (vocal, guitarra, violino, cavaquinho), Artur Lipori (trompete, guitarra, baixo, kazuo), Diego Perin (baixo, concertina), Diogo Fernandes (bateria), Emílio Mercuri (guitarra, violão, viola caipira, ukelele) e Tetê Fontoura (saxofone, teclado). Ufa! A Banda Gentileza também apresentará a inédita “Quem Me Dera”, de acordo com informações da Agência Alavanca. O som animado vale a pena e traz um envolvimento interessante que – dizem – vale ser visto ao vivo.

Em seguida, Bazar Pamplona levará ao palco prévias de seu próximo disco (que ainda nem tem nome…) e somente algumas canções do primeiro álbum, de 2008, À Espera das Nuvens Carregadas. A banda, da qual participa Estêvão Bertoni (vocal e guitarra), João Victor (guitarra), Rafael Capanema (baixo e teclado), Rodrigo Caldas (bateria) e Pinguim Miranda (teclado e baixo), convidará ao palco o trompetista Pipeta e o saxofonista Asnésio para garantir seu som que é, no mínimo, bem divertido.

Já no domingo (7 de fevereiro), às 18 horas o paranaense Nevilton se juntará ao baterista Chapolla e o baixista Tiago Lobão para levar sua música misturada. Depois dele é a vez de Rafael Castro & Os Monumentais (pira que o MySpace deles é “sabesp”… wtf!), que lançaram, só em 2009, dois discos, além de outros seis em três anos de carreira. Tatá Aeroplano (do Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro que tanto me lembra nossa querida Ariane Freitas), Tulipa Ruiz (!!) e Guilhermoso Wild Chicken (??) participarão também da apresentação, cada um em uma música diferente. Os “Monumentais” incluem Filipe Franco (baixo), Thiago Rodrigues (guitarra) e William Bueno (bateria).

Então, para quem não quer ficar parado, pode aproveitar que a diversão no fim de semana está garantida! Mesmo sem poder comparecer ao evento, vale a pena ouvir o som das bandas, garanto que dará boas risadas, pelo menos.

#essencialbuns I: Massive Attack, Mezzanine

O Mezanino e o ataque maciço

Por Adriano Trotta

Quando fui convidado a escolher um único álbum definitivo, que considero essencial, pensei: F*DEU. Não só porque é tarefa difícil pra qualquer um que goste de música, mas porque geralmente eu gosto de canções isoladas e faço minhas próprias coletâneas. Como se não bastasse, escrever sobre essa escolha é uma tarefa não menos complicada.

Tentando facilitar, pensei em álbuns que funcionam como uma música só. Explico: O The Wall do Pink Floyd, por exemplo, costuma ser classificado como uma ópera. Não no sentido clássico, claro! Mas porque uma música termina emendada na outra, e as letras se complementam para contar uma história. Por isso, as canções até podem ser ouvidas separadamente, mas foram feitas para serem apreciadas na sequência do disco.

Tá, eu não gosto de Pink Floyd. Mas consigo pensar em outros álbuns que funcionam desse jeito. Embora as músicas não sejam conectadas, nem contem uma história única, o sentimento que elas provocam parece bem linear. Eu poderia citar o clássico álbum Ten do Pearl Jam, todos da banda canadense Arcade Fire, o disco MCMXCL do finado grupo Enigma, ou ainda o Exile on Main Street dos Rolling Stones. Qualquer um desses discos pode ser ouvido inteiro na sequência, e você vai entender o que eu quero dizer. Mas, seguindo essa linha, o álbum essencial que eu escolho é o Mezzanine, do coletivo londrino Massive Attack.

O grupo reuniu gente conhecida da cena underground da Inglaterra, em 1983: Andrew Mushroom, Tricky, e Daddy G são os DJs compositores das músicas, enquanto o grafiteiro 3D faz os vocais da maioria delas. Mas não todas, já que uma das coisas mais legais do grupo é ter vários vocalistas diferentes! O álbum Mezzanine contou com os convidados Horace Andy, cantor jamaicano de reggae, e Elizabeth Fraser, da banda de pop rock inglês Cocteau Twins.

A combinação parece confusa, eu sei. Mas fica perfeita nas mãos desse que é um dos melhores times de produtores da música eletrônica. E embora não tenham sido os criadores do trip-hop — que nasceu da fusão de diferentes tipos de hip-hop, dub, grooves, guitarras e bateria —, os DJs do Massive Attack foram os pioneiros do estilo. A sensualidade densa e hipnótica desse som, que se tornou sucesso graças a eles, influenciou muito do que veio depois, durante a era do poperô putz-putz dos anos 90. Na trilha deles, também vieram o Portishead, o Morcheeba, e outros nomes famosos do trip-hop e do lounge. Hoje o álbum Mezzanine é cult. O maior sucesso do Massive Attack já tem 12 anos de idade, e muitas das músicas ainda aparecem em filmes e séries de sucesso.

Andrew Mushroom deixou o grupo logo depois do Mezzanine. Daddy G, além de compositor, continua por trás da voz mais grave das músicas. Tricky canta em algumas delas, com seu sotaque caribenho inconfundível, mas seguiu carreira solo. E o ex-grafiteiro 3D ainda é o vocalista principal do coletivo. Depois de 6 anos sem novidades, eles estão pra lançar o novo álbum Heligoland, ainda em 2010. Mal posso esperar pra ouvir!

o desafiado

O Trotta, dentre muitas de suas funções, comanda o Trottolices. Foi o primeiro convidado porque recentemente publicou por lá as 30 músicas que marcaram sua vida e babamos na série. Hoje é Analista de Mídias Sociais da Polvora! Comunicação, mas já trabalhou como designer, ilustrador, redator, ator, tradutor, dublador, músico, tradutor…
E ainda arranja pique pra fazer piadas ruins diariamente. =P

Mezzanine pra ouvir

tracklist


1. “Angel”
2. “Risingson”
3. “Teardrop”
4. “Inertia Creeps”
5. “Exchange”
6. “Dissolved Girl”
7. “Man Next Door”
8. “Black Milk”
9. “Mezzanine”
10. “Group Four”
11. “(Exchange)”

mais informações sobre o álbum aqui.

#playlist: a clássica Bossa Nova

A Bossa Nova é um clássico não só para o Brasil, mas para a música mundial. Foram as cordas do violão de João Gilberto que começaram de fato o estilo que foi a trilha sonora dos anos 50 neste país tropical. Reuniões no apartamento de Nara Leão em Copacabana juntavam nomes como Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli e faziam crescer o som tranquilo da classe média, universitária e carioca.

Depois do samba-canção, a bossa nova foi a responsável por criar um mercado fonográfico no Brasil. O estilo conquistou o mercado internacional e consolidou a música brasileira, dando espaço para os diversos artistas que surgiriam alguns anos depois e movimentando o mercado. Anos depois, os grandes nomes musicais da Bossa Nova ainda são trilha de muitas novelas e influência para quase todo compositor brasileiro. Confira aqui alguns deles.


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