# The Gossip em Março !

Preparem-se para uma atração de peso no dia 19 de março:

A banda The Gossip, liderada pela stylíssima Betty Ditto vem ao Brasil, finalmente. Depois de ter cancelado um show no Tim Festival de 2008, que teria rolado no dia 23 em São Paulo e no dia 25 no Rio de Janeiro se não fosse a desculpa usada pelo grupo: “um inesperado conflito de agendas”.

Mas dessa vez está confirmadíssimo: o show rola no  Global Room, espaço anexo à Pacha, no primeiro festival de música promovido pela Chilli Beans, o “Vírus Chilli Beans”.

E não para por aí, a programação ainda conta com a discotecagem de DJs incríveis. Check it out:

GLOBAL ROOM – palco principal

22:00 hrs - Dj Troter
24:00 hrs - Banda EX
01:00 hrs - Killer on the Dancefloor
02:30 hrs - THE GOSSIP
04:00 hrs - Crew
05:30 hrs - DJ Mau Mau

>>>Ingressos:

1º Lote: R$ 100 (R$ 50,00 estudante*)
2º Lote: R$ 150 (R$ 75,00 estudante)
3º Lote: R$ 200 (R$ 100,00 estudante)

*Ingressos de estudante à venda apenas na Chilli Beans da Galeria Ouro Fino, R. Augusta 2690, mediante a apresentação da Carteira de Estudante. Informações: 11 3062.3266

Venda Online: www.carambolarecords.com.br

Atenção: Não se esqueçam de levar o valor do ingresso em cash, pois os pontos de venda não aceitam cartão nem cheque.

Local: Global Room, Rua Bruno Bauer 66 – Vila Leopoldina

Mais informações no site da Chilli Beans.

Ouça The Gossip no myspace da banda.

# Cranberries no Brasil­

Por Emanuelle Herrera

Depois dos pedidos incessantes de fãs do mundo inteiro, a banda irlandesa The Cranberries volta aos palcos em 2010 para uma turnê de reencontro, apesar de oficialmente o grupo não ter acabado.

A banda que teve sucessos, como “Linger” “Just My Imagination” “Salvation” e “Zombie” emplacados ao longo dos anos 90, passou os últimos seis anos dedicando-se à projetos pessoais. A vocalista Dolores O’ Riordan foi quem teve mais sucesso em sua carreira solo, em 2007 veio ao Brasil promover o disco “Are you listening?” com show disputadíssimo em São Paulo.

Segundo, a própria O’ Riordan em seu site oficial, o repertório dos shows terá além dos sucessos, algumas músicas novas e a apresentação de seu mais novo trabalho solo “No Baggage”.

A turnê brasileira começa nessa quinta-feira, dia 28, no Rio de Janeiro e termina no dia 03 de Fevereiro em Porto Alegre. Os ingressos para o show em São Paulo, que ocorre no dia 29 de Janeiro, já estão esgotados desde o ínicio do mês. Do Brasil, The Cranberries parte para a Argentina onde continua a turnê latino americana.

 Passaram-se seis anos desde a última turnê da banda irlandesa The Cranberries.

75 anos de Elvis: Rock n’ Roll Meme

Em uma tarde de Dia das Crianças, o pequeno Elvis Presley, saído de seus dez anos, pisou pela primeira vez ao palco. Presley foi convidado por sua professora, Oleta Grimes, para se apresentar na feira de Laticínios de Alabama-Mississipi, em 1945. Nesse exato momento,  para além dos alagadiços sulistas, o mundo já havia conhecido os horrores de duas grandes guerras que dizimaram um contingente sem paralelos e levaria ainda o conhecimento dos horrores da bomba de fissão nuclear. Altivo em seu traje de cowboy, o menino não tinha tempo para pensar na reação de Neutrons, Urânio e Plutônio, ocupado que estava com o prêmio que recebera com sua colocação em segundo lugar na feira: singelos 5 dólares e passe livre para todos os brinquedos do parque improvisado. A homenagem é ainda mais singela se comparada ao que Elvis conquistou no fim de sua carreira: mais de um bilhão de discos vendidos mundialmente e a chave mestra de todo um gênero musical, que ele ajudou a moldar e sobre o qual, com personalidade ímpar até então, construiu sua linguagem e reinado. Não a toa, Elvis foi um estouro!<br><br>

Depois de mais de cinco décadas de carreira (que realmente decolou em 1955 com o contrato entre Elvis e a gravadora RCA Victor) é mais fácil perceber o que atraia tanta gente no que Elvis Presley fazia. A mistura de sua sonoridade – do Gospel (de sua infância em Tupelo, Mississipi) ao R&B e Jazz (das calçadas da lendária Beale St. em Memphis, Tennessee, onde residiu a partir de 48) – não era lá uma grande novidade, mas com músicas de ritmo agitado e melodias bem construídas e viciantes, sem exagerar nos ataques, a fórmula bem balanceada levava o Rock ao patamar do mainstream. Com Elvis, o Rock era uma música de todos os homens, para todos os homens. Uma mensagem musical um bocado forte, principalmente considerando que, enquanto o rei fazia sucesso durante a década de 50, o apartheid sul-africano estava à todo o vapor e movimentos segregacionistas agitavam até mesmo os quintais norte-americano, com o retorno de protestos da famosa Ku Klux Klan.

Por outro lado, é seguro dizer que muito do que tornava Elvis Presley especial estava no visual. Sua carreira é um dos primeiros exemplos de um músico que percebe que fazer Rock é mais do que pegar uma guitarra elétrica e soltar alguns acordes agressivos. Mais do que isso, Rock é atitude, algo que Elvis despejava não apenas em sua música, mas em toda sua imagem pública, que simplesmente brilhava nos televisores norte-americanos em shows de sucesso como os de Ed Sullivan, onde gente como os Beatles também deram suas caras. Se o Rock de hoje tem seu que intrínseco de glamour, roupas arrojadas e penteados fora de série, há muito a que se agradecer ao casaco de couro, regata, jeans e topete arrassa-quarteirão do bom e velho Elvis Presley. A mensagem visual era tão potente que deu inspiração para uma centena de sósias e “wannabes” que andam por aí até hoje. Elvis, em seus plenos 75 anos, de fato não morreu, e sua existência hoje pode ser comparada a um “Meme”: um fenômeno cultural que segue até hoje nas entranhas de seu gênero, altivo com sua roupa de cowboy e seus 5 dólares no bolso.


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Michael Jackson e chuva no Vale do Anhangabaú

A chuva torrencial que presenteou São Paulo conseguiu diminuir, mas não desanimar, o público esperado no Vale do Anhangabaú para a maratona de shows em comemoração ao aniversário da cidade.  A organização calcula que entre 40 e 50 mil pessoas passaram pelo Vale para assistir aos shows de artistas como Cine, Leci Brandão, Paula Lima, Negra Li e Toni Garrido.

A chuva que começou por volta das 13h20 estragou os penteados, mas não atrapalhou o astral do público, formado por adolescentes e fãs das bandas Restart e Cine. Com óculos de plástico coloridos e cabelo tratado com chapinha, Carlos Eduardo, 17 anos, veio acompanhado dos dois irmãos e do guarda-chuva. Equilibrando o guarda-chuva, ele pulava e cantava junto com a banda. “Eu já era fã deles bem antes de virar modinha”, garantiu.

Os fãs do Cine também engrossaram parte da flashmob – manifestação de duração instantânea, combinada pela internet – em homenagem a Michael Jackson. Marcada para começar às 14h, a flashmob enfrentou problemas de comunicação e começou com 26 minutos de atraso, ao som de “Thriller”, “Beat It” e gritos de “Michael! Michael!”. A manifestação marcou o anúncio do lançamento do DVD póstumo “Michael Jackson’s This Is It”, no próximo dia 27.

Cerca de 20 pessoas dançaram uma coreografia desajeitada, liderados pelo sósia de plantão, Marcelo Linatti. Aos 18 anos, cabelo comprido encharcado e óculos ray-ban, Marcelo disse ser fã de Michael Jackson desde criança “Essa homenagem é a realização de um sonho pra mim”.
Com a tampa do isopor na cabeça, a comerciante Maria de Lourdes, 51 anos, reclamava que, com um tempo daqueles, “ninguém parava para comprar cerveja”.

Quem optou por vender capas de chuva não reclamava. O preço da capa  variou de R$1,00 a R$7,00, dependendo do volume de água que despencava. O espaço em frente ao palco permaneceu lotado pelo resto da tarde, mas sem indícios de tumultos até o início do show de Leci Brandão.

Confira o vídeo publicado pela Sony Pictures com imagens do evento:

#playlist: Funny 90′s!

Vitrolinhas do meu coração, é o seguinte: a partir de hoje, todas as segundas-feiras um de nós aqui da equipe cria uma lista de músicas/vídeos pra animar o início da semana de vocês. Pra começar, eu – @lovemaltine – separei dez músicas da minha infância, tipo lá dos anos 90.

Foi difícil escolher, mas como o intuito era mais fazer rir e lembrar, o resultado ficou… hmn… divertido. Claaaaro que, como eu nasci em 1990 e ouço quase de tudo, não dá pra ser levada a sério. hahaha. Mas as próximas virão com mais significado [e músicas mais decentes]!

Enjoy! =)

Lulilândia no SESC

Nesta última quinta-feira (21/01), o SESC Vila Mariana teve uma noite de puro Folk nacional com o show da cantora recifense Lulina. Nova nas paradas de sucesso – e bem familiar para qualquer um que acompanhe o cenário Indie paulistano a fundo – a simpática vocal comemorou sua primeira apresentação em um SESC, assim como seu primeiro show do ano. Como não poderia deixar de ser, convocamos das trincheiras vitroleiras Leonardo Ávila e Clara Camargo para contar em mais detalhes a experiência do show. Confira!

Clara Camargo

Ontem de manhã vi no jornal o anúncio do show “Lulina no SESC Vila Mariana”. Nem pisquei e já decidi: “Eu vou”. Afinal sou fã incondicional e há uns bons meses não apreciava o som lulínico.

No corre-corre, sob um céu negro e tempestuoso, Leonardo e eu chegamos lá para comprar os ingressos 20 minutos antes de o show começar. Hello! Lulina é pura fama e obviamente os ingressos já haviam esgotado. O que fazer? Usar o poder do magnetismo jornalístico, é claro! Conversamos com o porteiro, com o moço da bilheteria, com a organizadora do evento no SESC, com a produção do evento, telefonamos até para a própria Luciana Lins (o nome mesmo da Lulina) e nada. Quando de repente, ilustremente sai do elevador o Leo Monstro, braço direito da nossa cantora recifense – Monstro espreme sons distorcidos dos teclados e faz o backing vocal, além de ajudar Lulina a compor muitas de suas canções. Mais do que logo, corremos e cumprimentamos o músico, conhecido nosso de uma tarde de ensaios da Lulina que tivemos a oportunidade de acompanhar, antes do lançamento do disco “Cristalina”. E ele nos salvou com dois ingressos que guardava como reserva, caso alguém aparecesse de última hora, justinhos para a nossa entrada. Eram nossos. Agarramos os bilhetes e asseadamente sentamos na terceira fileira do auditório, que aguardava ansioso.

Com uma espécie de jardineira-shorts preto (meu [não]conhecimento em moda me limita a uma descrição mais precisa), entrou nossa querida Lulina, tímida, porem sorridente, cantando “Nós”, segunda faixa do “Cristalina”. Seguiu com mais meia dúzia de canções, até chegar na “Balada do Paulista”, momento de maior empolgação dos amigos e fãs. Esta música ficou entre as 50 melhores do ano de 2009, segundo a Rolling Stone, como o CD Cristalina, que conseguiu um lugar merecido no ranking dos 50 melhores discos do ano.

Quem não sabia, descobriu que o Sangue de ET tem poder, que criar minhocas é um negócio lucrativo, além de vislumbrar uma fração cristalina e límpida da Lulilândia, que ainda tem muito a ser explorada. Para mim só faltou tocar Blebs e Birigui, as duas canções-poesia que mais me divertem no mundo da nossa amiga Lulina.

Consegui o último exemplar da noite do “Cristalina”, e ainda recebemos um convite para tomar um café com Lulina. Até coloquei aqui a mensagem que revela o que todos já imaginavam: somos garotas abduzidas.

Leonardo Ávila

Minha colega já fez questão de relatar nossa pequena aventura pessoal – acredite, a tensão de se chegar numa noite de evento enquanto uma chuva cai pesada lá fora só para descobrir que não temos vagas tem uma carga melodramática digna de qualquer literatura russa que se preze. O que vou dissecar aqui é algo um pouco mais voltado para minha impressão técnica do show. Conheço a voz da Lulina boa parte devido à uma ou outra tarde com a Clara trocando casuais playlists, há coisa de, digamos, dois anos atrás. O que me atraiu nessa irreverente nordestina estava justamente no teor de suas letras: um humor salpicado por gordas doses de nonsense e ingenuidade. Um fundo instrumental tímido, mas afiado, completava o pacote, e imprimia no trabalho de Lulina algo de extremamente pessoal. Personalidade é também o que acaba me atraindo para qualquer música Folk. Pude vê-la em pessoa poucas vezes, mas foi em sua apresentação na Vila Mariana que mais me identifiquei com seu som.

Veja bem, pode soar bizarro para alguns, mas a comparação entre Lulina e Mallu Magalhães é bem comum por aí, e nada deixa a cantora mais inquieta. E ela tem toda razão, afinal Lulina está para Mallu assim como que, digamos, Janis Joplin está para Joan Jett. A recifense usa e abusa de tons menores, polarizados por uma cadência levemente mais acelerada e de maior ataque. O som é complementado com o que mais se assemelha ao blip-blop 8-Bit que sai dos teclados loucos de seu companheiro de viagens, Leo Monstro. A seleção musical foi bem variada, incluindo variantes de Folk Rock e até um samba no final, com o qual Lulina fez questão de agitar o público paulistano que, acostumado a tardes de ócio, cigarros e à porcaria do James Joyce, não arriscou sequer uma rebolada (juro que vi a Clara mexendo levemente os quadris em cima da cadeira em certo ponto, mas talvez tenha sido impressão minha. Não podíamos entregar o garbo jornalístico assim de bandeira,não é?) . Enquanto ajustava a lapela da minha camisa, as metâforas de sua canções não deixavam de esquentar um pouco meu coração. Juro, é o tipo de coisa que te arranca um sorrisso sem querer.

No final fomos dar um alô do tipo “velha amizade” para a Lulina, conhecidos que somos depois de uma sessão de perguntas, café e pão de queijo. A timidez e surpresa com o qual ela nos recebeu, antes de uma conversa de alguns minutos, parecia ser o fac-símile exato de sua linguagem musical, a Lulilândia feita sólida nos gestos inconfundíveis de sua ditadora alegre.

(Fiquem ligados, quem comparecer em futuros show da cantora não deve se esqueçer de levar imprimido o Passaporte de Lulilândia – disponível no site oficial – que, preenchido, pode servir para concorrer à prêmios exclusivos da banda.)

Saiba mais sobre Lulina em:

http://lulilandia.wordpress.com (blog da cantora)

http://www.lulilandia.com.br (site oficial)

O Rock vindo de cima

Por Rosana Villar de Souza

No final do ano passado um amigo fotógrafo me convidou para assistir a um show no Sesc Pompéia. Esse amigo havia trabalhado no festival Porão do Rock, que rolou em setembro em Brasília, e era só elogios para uma banda que tinha visto por lá, uns goianos chamados Black Drawing Chalks.
Os caras iriam se apresentar ao lado da também goiana MQN, de Fabrício Nobre (dono do maior selo independente do Brasil, a Monstro Discos), e da pernambucana AMP, no festival 666, que rolaria na choperia do Sesc, um dos lugares mais bacanas para se ver um show em sampa.
Pode ter sido o clima, o público (super seleto), a noite agradável, a acústica do lugar ou só o puta talento de todas as bandas mesmo. Mas sei que a noite foi sensacional, todos os shows, e saí de lá um bocado embasbacada com aquilo tudo, afinal, fazia tempo que não ouvia um rock com tanta “paudurisse” como o daquela noite.

Fiquei um tanto obcecada, em especial, pelos Black Drawings. Os sujeitos tinham uma energia no palco que seria capaz de abastecer Itaipu! Nunca vou esquecer a performance daquele baixista, uma mistura de Cheech, de Cheech e Chong, com Slash e uma pitada de pica-pau de meias, alucinado em cima do palco, ou em baixo dele, vestindo indefectíveis botas vermelhas. Genial!

E não é só a performance, o som é de arrepiar os cabelos. Pesado e sacana. Lembra de leve Queens of the stone age, mas sem a parte dos efeitos disso e daquilo. Só rock, puro e muito bem tocado.

O grupo canta e inglês e lançou sem primeiro CD, Big Deal, em 2007, pela Monstro. No final do ano passado lançaram Life is a Big Holiday for us, que tem o single/clipe mais bacana do rock nacional atual. Não tem como ouvir My Favorite Way e não se apaixonar imediatamente por ela.
O clipe é um show alucinógeno de animação e tem ilustrações de dois componentes da banda, que também são designers, Douglas Castro (sr baterista) e Victor Rocha (sr vocalista e guitarra). A produção foi uma parceria entre o coletivo Bicicleta sem freio, do qual os músicos fazem parte, e o Nitrocorpz Design Studio.

Na premiação piada VMB 09, da Music (not!) Television, o Black Dawing Chalks chegaram a concorrer nas categorias Aposta do ano e Rock alternativo, mas, numa piada de muito mal gosto, não levaram nada.

Na terça (19/01) tive a chance de assistir a outro show do grupo, no Tapas, e foi só para ter certeza. Agora eu entendia a empolgação do Sr baixista e pulei e me sacudi como ele, a ponto de acabar com um olho roxo!

Black Drawing Chalks vai ser MINHA aposta para este ano, que corrobora mais ou menos com uma outra aposta que faço: o fim da supremacia sudeste na música.
O rock anda cada vez mais bunda mole, principalmente em São Paulo, que deveria ser a Meca do gênero, e quando surgem bandas como esta, de lugares geralmente negligenciados quando o assunto é rock’n roll, a gente se toca que esse Brasil é um mundão velho sem porteira e que nossa cultura vai muito além do que possa pensar nossa consciênciazinha medíocre.

A banda é:
Denis de Castro – Baixo
Douglas de Castro – Bateria
Renato Cunha – Guitarra
Victor Rocha – Guitarra e vocal
Visite e ouça: http://www.myspace.com/blackdrawingchalks

#drops: LULINA NO SESC

Hoje Lulina e sua formação cristalina voltam de férias da Lulilândia,

No SESC Vila Mariana, a recifense abre sua temporada de shows do ano para apresentar seu recente álbum “Cristalina”.

Onde: SESC Vila Mariana – Auditório

Rua Pelotas, 141 – Vila Mariana

Auditório – às 20h30

Quando: Hoje, 21/01/2010

Valor: R$ 12 (inteira) R$ 6 (meia)

#essencialbuns: O início

No ano passado, uma enquete da Tory no nosso twitter me intrigou.  ”Se você tivesse que ir para uma ilha deserta e só pudesse levar um disco, qual seria?”, ela questionou a mim e aos nossos seguidores [na época também a alguns de nossos entrevistados] e eu ri de pronto da pergunta. Até tentei pensar em um, mas descobri que era incapaz. Achei absolutamente normal – se eu conseguisse ouvir apenas um álbum a vida toda, não teria comprado um iPod de 160GB. Mas, quando as pessoas começaram a responder, muitas com uma convicção invejável, resolvi me questionar um pouco mais. Levou mais de seis meses, mas eu decidi: queria desafiar gente que, como eu, tem uma ligação forte com música e não conseguiria me dar uma resposta. Queria não me sentir sozinha nessa. Queria pessoas que, a princípio, teriam dificuldade em escolher.

Fiz uma lista ENORME com os nomes que contataria. Ainda não mandei o email para todos – mas grande parte já recebeu. E o retorno também tem me deixado surpresa: Fora aqueles que ignoraram solenemente o email [o que já era esperado], houve quem desistisse logo de cara, com medo de surtar tentando descobrir – e quem respondesse de pronto, como a coisa mais simples do mundo. A maior variedade possível de artistas, estilos, álbuns e, especialmente, de maneiras de narrar o porquê da decisão.

A “defesa” do álbum é livre: cada um fala da maneira que achar interessante.

Os resultados aparecerão a partir de hoje, todas as quartas – aqui mesmo no vitrola.

Se você tem [ou conhece alguém que tenha] um álbum que considera ESSENCIAL, é capaz de falar dele e quer participar também, mande um email pra contato@vitroleiros.org com o assunto “Essencialbuns” e nós conversamos. =)

Abraços,

Ariane.

Esculpindo em gelo negro

Sabe como é às vezes a vida: você acorda, faz um café/chá, lê algum livro/jornal/resenha, vai trabalhar/estudar, sai com alguns amigos/namorada(o/as/os) e deita a cabeça na cama à noite surpreso de estar satisfeito de poder repetir a exata mesma rotina no dia seguinte, uma felicidade molenga de estar em um ponto ótimo e seguro, de onde nenhum imprevisto ou sentimento repentino possa te abalar. É assim que me sinto musicalmente com a banda de Hard Rock AC/DC. Na cena rocker desde os idos de 1973 o grupo australiano lança álbuns com um pouco mais do que um miasma criativo e alguns riffs parecidos funcionando como fio condutor da obra. Desde Black in Black e para além dos discos de menor intensidade que povoaram a década de 80, ouvir AC/DC agora é admiravelmente similar a ouvir AC/DC de coisa de 20 anos atrás. No cenário atual, em que o Rock e suas vertentes vêm se diferenciando e reinventando entre e para além de seus paradigmas, isso pode soar um bocado negativo. E, convenhamos, AC/DC está num patamar estranho mesmo se comparado a bandas de igual calibre e tempo de estrada (qualquer um vai concordar comigo depois de ver a repaginada estilística que Judas Priest organizou sob o single Nostradamus). Claro, constatar essa estagnação não deixa de ser “lugar comum” – além de um desserviço para a capacidade criativa musical de Angus, Johnson e cia. Portanto, eis o caso em questão: O CD Black Ice, lançado em outubro de 2008 e a mais nova aventura da banda. Seria este um novo experimento, um disco conceitual pronto para romper suas barreiras de estilo? Um Nostradamus? Ou suas previsões falharam? Confiram a seguir, enquanto disseco o mais atual fruto dos autralianos do AC/DC.

Ok, ok, vamos falar sério! Se vocês conhecem bem AC/DC sabem que a resposta para essas perguntas é um sonoro NÃO. Os autralianos são desse tipo de caras que encontram sua voz na multidão, um formato de sucesso e uma boa sonoridade e seguem firmes e fortes. Sem experimentalismos, sem viagens à lá Jethro Tull. E quer saber, não é nada mal. Se Black Ice consegue fazer algo bem, é superar a sombra do Back in Black e se firmar em suas próprias pernas. As canções são boas, vibrantes e energéticas, além de extremamente viciantes. O disco começa (sim, eles começam sim, geração “Shuffle”! Começam sim!) em uma alta nota com “Rock n’ Roll Train”, uma entusiásmatica coleção de riffs contagiantes, trocados com precisão e velocidade entre o Guitar Hero Angus e Malcolm Young. O ritmo Staccatto um pouco violento e grosseiro faz seu retorno, auxiliado pelo baterista Phil Rudd e o baixista Cliff Williams. A música, entretanto, soa mais organizada e afiada.

De “Rock n’ Roll Train” em diante, o roqueiro padrão está em casa, com uma coleção de músicas com elementos bem semelhantes com os do passado da banda: “War Machine”, por exemplo, parece algo saído de “Back in Black”, enquanto “Anything Goes” tem uma levada similar à de “For Those About to Rock (We Salute You)”. Entre esses sons mais familiares e um ou outro que pode soar vazio de inspiração – “Spoilin’ for a Fight” vem à mente – minha favorita de todo o disco é, sem dúvida, “Rocking All The Way”. Nela, um ritmo funky puxado para Jazz rouba a cena, e o baixo de Cliff Williams ganha voz. Também não dá para deixar de se lembrar dos tempos em que Bon Scott estava nos vocais do AC/DC, e em que o ritmo Soul tinha presença mais marcante no trabalho dos autralianos. É uma faixa genial, e a mais surpreendente de todas as presentes, soprando um pouco de vida nova e personalidade ao álbum.

Já que a base instrumental se manteve a mesma, é o papel do vocal criar a sensação de novo. Diferente de Scott, Brian Johnson é um barítono natural, mas em Black Ice, o vocal explora tons mais altos e, como resultado, sua voz soa um pouco menos impactante.  Longe de estragar a experiência, claro. As letras ainda mantém uma saudável dose de irreverência com pitadas de Tom Sawyer,  relegando tudo o que não for Rock n’ Roll pra um mero segundo plano. Sem emoções profundas e investigações sobre o melodrama humano, é interessante notar como o AC/DC ainda consegue criar um material tão divertido com palavras e temas que já são clichés há décadas. Fato é que depois de um tempo ouvindo Black Ice é possível que você comece a cantarolar coisas que te fariam soar no mínimo cafona. E que você não dê a mínima pra isso.

ACDC – Black Ice (Sony/BMG)

Produzido por Brendan O’Brian

Lead Guitar: Angus Young

Rythym Guitar: Malcolm Young

Vocais: Brian Johnson

Baixo: Cliff Williams

Bateria: Phil Rudd

Canções compostas por A. Young e M. Young