Música Catártica: Spooler pra se divertir

A banda de Belo Horizonte Spooler traz um “rock dançante e descompromissado” que promete tirar as preocupações de sua cabeça com sua música única e de qualidade.

Depois de um dia cansado, uma semana problemática, é preciso descansar. Um som tranquilo, relaxante, para dormir e recuperar-se. Mas para que isso, quando se pode escolher uma boa música agitada e divertir-se, deixando tudo para trás?

spooler2“Estamos aqui para resolver os seus problemas”, é a proposta do Spooler(@spoolermusic), um grupo de Belo Horizonte. “Nos dê suas preocupações que acabamos com ela na hora, com alegria, ritmo e uma dose de intelecto. Ou seu dinheiro de volta.” Então antes de se afogar em seus dilemas rotineiros, a sugestão é conhecer este som.

David Dines (vocal, guitarra e teclado) e Gustavo Matos (bateria e programação) formam a banda Spooler. Colegas de faculdade de jornalismo, não deixaram a profissão de lado, mas desejam caminhar com a música. “Jornalismo na verdade é algo que se passa a viver, 24 horas por dia”, afirmam.

Ambos possuem trabalhos musicais paralelos, David é vocal e guitarrista da banda As Horas e Gustavo é baterista do Ragna. Estes outros projetos são bem diferentes do Spooler, voltados para o pós-punk e metal respectivamente.

De acordo com o Myspace da dupla, “entre as afinidades musicais, o gosto por rock dançante e descompromissado falou mais alto, trazendo influências da new wave, do pós-punk e do que há de pior na disco music. Tudo moldado por bateria precisa, guitarras e teclados minimalistas, além de letras agridoces, que procuram desviar da desgraceira”. Entendeu? Então vamos lá…

“A gente cansou de tocar pra headbanger (fãs de heavymetal e variantes) sem ritmo e sem senso de humor”, riem. Daí é que surgiu o que chamam de “rock dançante e descompromissado”, no qual querem que “as pessoas se envolvam com a música sem que isso seja uma experiência dolorosa, como acontece muitas vezes no rock”. Por fim, resumem: “a intenção é fazer música boa pras pessoas se divertirem”.

spooler3E é desta ideia que vem inclusive o nome da banda, Spooler. De acordo com eles, o termo designa “aquele momento em que se está na pista de dança, com todo mundo olhando pro DJ, vem aquela determinada música e acontece a catarse coletiva”. “É aquele instante de transcendência”, filosofam.

A dupla parece ter uma boa sintonia. Quando se conheceram, na mesma sala da faculdade, decidiram começar o projeto sem grandes pretensões, lá para o final de 2008. “Já tocávamos em outras bandas e a ideia era que o som não tivesse nada a ver com nenhuma delas”, explica David. Buscavam algo que, de acordo com eles, falta em BH, mais estilo pop dançante. “Marcamos um ensaio e em pouco tempo, já tínhamos algo bacana pra mostrar.”

As músicas são de autoria própria. Os dois compõem quase sempre juntos, e só às vezes criam separado. “Mas as coisas só ficam com a cara da banda depois que os dois põem a mão”, explicam. O EP, virtual, tem seis músicas (duas em inglês) disponíveis no Myspace  e Trama Virtual, onde podem ser baixadas. “Não o lançamos em formato físico por achar que, neste momento, não tem feito diferença”, comentam, “a maioria prefere andar por aí com seu MP3 player”.

Das músicas em inglês, explicam ser “reflexo da pista de dança”, além de olharem para mais longe e desejarem “ultrapassar barreiras de linguagem”.

Eles concordam com o fato da internet fragmentar o conceito de álbum: “as pessoas vão em busca das coisas em unidades”, diz David e Gustavo. Neste novo cenário musical, os dois já têm uma ideia de como lidar: “cada música precisa ter sua força específica”. Ainda assim, não exageram. “A ideia de álbum é algo que não morreu, mesmo com o formato físico em queda (…) dá pra construir roteiros e conceitos”, afirmam.

Dentre as influências, o cenário disco dos anos 80, que está voltando com diversas festas e novas bandas, se mostra presente no trabalho de David e Gustavo. Eles afirmam que conheceram algumas coisas na época e outras vieram depois. “Na verdade, o que importa é o que essa sonoridade nos marcou bastante”, explicam. Para eles, “música boa não tem época, e pode ser curtida em qualquer espaço temporal”.

Em Belo Horizonte eles gosta da recepção do público e até elogiam, “nosso público é fantástico, cheio de pessoas bacanas, calorosas, de todos os tipos”. Também mencionam que estes ouvintes aumentam com a internet, numa reação gratificante. Até por que, não é de menos, o trabalho tem qualidade para tanto. “A gente quer tocar até onde a Internet alcança”, almejam.

spooler1Mas não somente sonham como também investem. A Spooler está formatando um novo show, mas costumam tocar em casas de amigos, o que, de acordo com eles, “tem sido ótimo”. Logo mais eles disponibilizarão seu primeiro clipe, do single “Isadora”, que já está pronto.

A proposta de diversão é alcançada pela dupla, que até na aparência – com uma diferença considerável e simpática no tamanho – esbanjam graça. Mas a ideia não caminha sozinha, a música é original, tem qualidade e anima a quem ouvi-la. Aos fatigados ou aos que simplesmente buscam diversão, Spooler é a sugestão para o seu momento de “desestress”.

Pós-post: Depois de publicada a matéria, avisaram que estão montando também um show para São Paulo e devem participar de uma coletânea-tributo, realização do Pisces Records (www.piscesrecords.com.br). O trabalho de animar platéias segue firme!

Infantil pero no mucho

Sexta-feira é dia de Francisco aqui no Vitrola! Hoje não tem “Comentando Clipes” – embora o último tenha feito um ‘sucesso’ assustador – mas tem animação Disney comentada no jeitinho Fran de ser.  ( #meujeitinho =P )

Eu sempre fui fã de desenhos. Além dos preconceitos, o desenho (os bons, pelo menos)  é um universo de histórias, personagens e, principalmente, músicas. A trilha sonora é um fator indispensável para a sua boa repercussão, sendo, em alguns casos, mais importante do que o próprio enredo. No Japão, para um animê ser lançado, uma equipe de avaliação musical seleciona profissionais de música e artistas respeitados para a composição musical. Em um caso mais próximo, nem se discute qual a base de todos os desenhos produzidos pela Disney.

Parando pela Disney, eu sei que quem está lendo agora deve ter lembrado a época em que se assistia O Rei Leão, ou outro desenho do tipo, em VHS. Eu sempre digo que só tem uma coisa melhor do que ter assistido clássicos da Disney quando criança: Assisti-los novamente, agora adulto. Hoje, com 19 anos, eu tenho uma noção muito diferente dos mesmos desenhos que eu assistia quando criança, principalmente no que se trata das músicas.

Nosso título de exemplo será O Corcunda de Notre Dame (1996). O filme, que rendeu mais de 300 milhões de dólares pelo mundo, ganhou, em 1997, um Oscar e um Globo de Ouro, ambos por sua trilha sonora. A história se passa na França de 1482, onde a cidade enfrenta a repressão moral do Juiz Claude Frollo, tutor de Quasimodo, um sineiro corcunda que tem a vida mudada depois que uma trupe de ciganos passa por Paris.

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Quando eu assisti O Corcunda de Notre Dame pela primeira vez, eu só conseguia prestar atenção na dinâmica das imagens, que são bem fortes, aliás. A musicalidade também me atraía muito, mas, vale lembrar que eu tinha seis anos apenas e mal prestava atenção nas letras. Hoje em dia dá pra ser um pouco diferente, e a primeira coisa que eu notei, assistindo novamente, é que é um filme bem mais sério do que parece, assim como quase todos os clássicos da Disney.

“Qual fogo do inferno

Tal fogo arde em mim

Desejo tão terno

Do mal é o estopim”

Na voz de Rodrigo Esteves, a dublagem brasileira do Juiz Frollo foi considerada uma das melhores do mundo, e com muito mérito. Alguém adivinharia que a música aí em cima é de um filme infantil? Não só é, como é, também, uma das canções mais polêmicas da história da Disney. Não dá pra não se arrepiar com a loucura do vilão, expressada na música e na animação, que não fica atrás em qualidade.

O trecho é da canção “Fogo do Inferno”, que vocês podem conferir no vídeo lá embaixo. É a minha música predileta no filme inteiro, mais que “O Pátio dos Milagres”, que também é excelente. Só uma curiosidade: “Fogo do Inferno” é cantada por Frollo, logo depois da cena em que Quasimodo, o corcunda, canta “Luz do Paraíso”. Forte.

“Me Salve Maria

Não deixe que ela lance mão

Do mal que me consome em seu ardor.

Destrua Esmeralda, que ela queime aflição

Ou seja meu, só meu, o seu amor…”

O filme é uma lição sobre julgamentos preconceituosos e, como diria o cigano Clopin, nos faz perguntar “Quem é o homem e quem é o monstro?”. E isso é só uma das respostas que eu poderia dar a quem insiste que existe idade para se assistir desenhos.

Então, parem de assistir o programa da Mari Moon e corram para resgatar seus vídeos da Disney, antes que eles sejam doados para um primo destruidor. E, pra fechar embarcando na idéia do filme, vamos parar com preconceitos sobre filmes infantis, né? Eles já eram muito bons, antes de Shrek, não vamos deixar que sejam esquecidos.

PS: Valeu todo mundo que comentou nos meus últimos posts (Comentando Clipes – Garota Radical e Comentando Clipes- Die Alive). Fiquei até assustado com o número de comentários. Se você ainda não leu, clica aqui.

PPS: Só pra esclarecer o que alguns leitores têm me questionado. A Ariane posta pra mim porque eu vivo esquecendo meu nome de usuário, senha, ou qualquer coisa assim. Daí mando pra ela por e-mail e ela coloca aqui por mim *-*.

A Orquestra Brasileira de Música Jamaicana

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“Big Band de Ska”  interpreta músicas brasileiras com ritmos da Jamaica

Aposto que você nunca pensou em dançar ao som da música-tema de “A Voz do Brasil”, não é mesmo? Acontece que a sisuda, séria e antiga ópera “O Guarani”, composta por Carlos Gomes, virou música para ser dançada com todas as bençãos de Jah. Os responsáveis pela anarquia são os 9 músicos da “Orquestra Brasileira de Música Jamaicana”, grupo de nome quase auto-explicativo que resolveu adaptar clássicos do repertório musical brasileiro para o ska, o dub e o reagge.

Formada por músicos experientes, a Orquestra nasceu com uma constatação: músicas brasileiras eram tocadas e adaptadas por bandas da Europa e do Japão, mas não havia ninguém no Brasil fazendo esse tipo de coisa.Jogando longe o tal banquinho e violão, o grupo pretende colocar todo mundo pra dançar com versões de “Garota de Ipanema”, “Águas de Março” e “Carinhoso”. Outras escolhas inusitadas são marchinhas de carnaval, “Tico-Tico No Fubá” e o clássico de Adoniran Barbosa, “Trem das Onze”.

A Orquestra Brasileira de Música Jamaicana é formada por Sérgio Soffiatti (guitarra, vocal), Rafael Toloi (baixo), Fabio Luchs (bateria), Felipe Pipeta (trompete), Ruben Marley (trombone), Marcelo Cotarelli (trompete), Fernando Bastos (sax e flauta), Igor Thomaz (sax) e Lulu Camargo (teclado).

Com tanta gente, será que existe um maestro para essa orquestra? Apesar de ter sido um dos idealizadores da banda, o vocalista e guitarrista Sérgio Sofiatti avisa: “Nós somos uma banda. Eu faço alguns arranjos, mas não tenho formação de maestro. Aqui todo mundo acaba dando sua contribuição.”

Quando?
Sexta-feira, dia 18 de setembro. A partir das 22 horas já tem música rolando e a Orquestra sobe no palco à meia-noite.
Onde? na Aldeia Turiassú. Rua Turiassú, 928, Perdizes.
Quanto? Os ingressos custam 30 reais na porta ou 20 com nome na lista – é só mandar um e-mail com os nomes para obmj@gmail.com.
Por que? Sacudir o esqueleto com ska e ainda fazer Carlos Gomes revirar no túmulo não tem preço

O melhor músico de celular do Brasil

A linha de celulares Beat Edition permite aos seus usuários fazerem sua própria música. Daí a ideia de, no seu lançamento, encontrar o “Melhor Músico de Celular do Brasil”. E por que não começar na ‘blogosfera’? Reunir vários blogueiros num karaokê pra descobrir qual era o melhor músico de celular me pareceu, no mínimo, curioso. Músico de celular? Como assim? Munida de coragem e cara-de-pau – além da companhia da Tory, porque eu me neguei a pagar mico sozinha – encarei, no dia 1º de setembro, no Yellow K, o desafio da Samsung Beat.

blogueirada se preparando pro desafio

blogueirada se preparando pro desafio

Foi uma espécie de Guitar Hero: Em vez da guitarra, tínhamos um Beat Twist. Em vez de cores, o número das teclas. Seria simples, se não fosse confuso. Óbvio e ululante que eu, toda atrapalhada, não levei o prêmio – levei foi uma bela lavada. A sortuda foi a , do Fake Doll. Tudo bem, tudo bem, eu me diverti horrores (e descobri que nasci mesmo pra escrever, não pra jogar) e ainda tive tudo registrado pra, em algum momento da minha vida, olhar pra trás e lembrar do que eu fazia nos meus tempos de faculdade. Reparem no vídeo e reflitam no tamanho do mico:

Agora é a vez de todo mundo participar: a Samsung, junto com a MTV, vai descobrir qual é o melhor músico de celular do Brasil. Pra mostrar seu talento com as teclinhas, basta entrar na página da promoção e seguir o passo-a-passo pra fazer o vídeo e validar a inscrição. Os selecionados participarão, ao vivo, do MTV na Rua e concorrerão a um kit Samsung Beat DJ lindão.

CORRÃO! =D

(Ps. Favor me contar o link do vídeo pra que eu possa rir do mico de vocês também! =P)

Abram alas para o novo espetáculo

ludov

O sábado frio não impediu que cerca de 200 pessoas fossem ao Clash Club prestigiar o lançamento de “Caligrafia”, o novo trabalho da banda paulistana Ludov. O show, que começou com o clipe de “Reprise”, fez a galera se aglomerar perto do palco para ouvir “Luta Livre”, “Terrorismo Suicida” e “Sob A Neblina Da Manhã”. Valeu a pena: a noite foi recheada de surpresas. Na música “O Seu Show é Só pra Mim”, por exemplo, a banda contou com a participação da Talita, da banda Motores e em “Não me poupe”, foi a vez Bruno Serroni, baixista do Pullovers, entrar com seu cello.

Os ludovicos (como são chamados os fãs da banda) cantaram todas as músicas, do início ao fim – engasgando no francês de “Notre Voyage”, fazendo passinhos para “Reprise” e vibrando ao som de “Kriptonita”, “Rubi” e “Urbana”. Sem contar o ‘bis’, praticamente um presente: “Dois a Rodar” e “Princesa”.

Algumas semanas após o show, trocamos algumas palavrinhas com Mauro Motoki. Confira abaixo um pouquinho do nosso diálogo!

Como foi o processo de criação do novo disco?

Motoki: Fomos para o sítio do Fabio Pinczwoski (o produtor da banda) com quase nenhum material composto. Levamos todo o equipamento pra lá, e à medida que as canções iam surgindo, íamos gravando.

A proposta do disco era apresentar um pouco da identidade coletiva do Ludov, mas também um pouco de cada um dos integrantes. Quais músicas representam essa proposta?

MM: A proposta do disco foi deixar cada um livre para exercer sua individualidade. Todas as músicas representam essa proposta. Não houve a obrigação de tudo parecer coletivamente a cara do Ludov.

Qual a principal diferença entre “Disco Paralelo” e “Caligrafia” ?

MM: Acho que a principal diferença foi essa da coletividade versus individualidade. No Disco Paralelo, vínhamos sentindo uma necessidade de nos provarmos como entidade coletiva, como auto-suficientes em nós mesmos. Os arranjos foram quase todos resolvidos entre nós 4, sem overdubs. Já no Caligrafia, admitimos que tudo que viesse de cada membro já seria automaticamente do grupo. Demos mais espaço para cada um dar sua visão pessoal do todo.

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Alguém me explica a capa do disco? (rs)

MM: A capa é uma fotografia linda tirada pela Tainá Azeredo, de um espetáculo do artista japonês Toshi Tanaka, em que ele faz uma performance de dança e ao mesmo tempo escreve um ou mais ideogramas no papel de arroz. Remete a música e a caligrafia.

Como foi pra vocês já ver a galera cantando junto músicas como “Luta Livre” e “Terrorismo Suicida” ?

MM: Temos muita sorte de ter fãs como os nossos, que se interessam, que acompanhan, que também adoram essa troca que são os shows. É sempre emocionante ver alguém cantando nossas letras, ainda mais tão perto do lançamento.

O videoclipe de “Reprise” tem uma dancinha estilo anos 80.  De quem foi a idéia e porque vocês escolheram essa música como a primeira a ser trabalhada ?

MM: A idéia veio de conversas com o diretor Ricardo Sêco, que levou todo o processo com muita tranquilidade, eficiência e dignidade. Essa música tem uma cara de primeiro single, né? Ela sintetiza um pouco um discurso, por mais variado que seja.

Cd lançado, videoclipe pronto. Quais são os planos agora?

MM: Muitos shows!

Quando são os próximos shows? Quais cidades vocês pretendem tocar?

MM: O próximo show é no Sesc Pompéia, dia 18/09. Mas temos shows confirmados em Campinas, São José dos Campos, Osasco… Em breve todos estarão no nosso site. Queremos rodar o Brasil, como fizemos nas turnês dos outros dois álbuns. E quem sabe estrear ao vivo fora do país…

É difícil fazer bom rock’roll no Brasil?

MM: Deve ser. Às vezes é difícil fazer qualquer coisa boa no Brasil. O negócio é não desanimar.

Fotos: Inker Agência Cultural

comentando clipes: Garota Radical

Já é quase sexta-feira e ADIVINHEM se o Francisco não voltou com a língua afiadíssima? Claaaaaaaaro que sim! Hoje é dia de falar de Cine. E, claro, essa não é necessariamente a nossa opiniãoooo… Mas que faz algum sentido, faz! Let’s read!

cine

Eu sempre fui adepto de algumas teorias da conspiração no que se trata de música. Inclusive criei algumas. Ninguém se assusta por não conseguir parar de pensar em “Aposto um beijo que você me quer – Wooowoow Woowoowowowowww!”. Eu fico apavorado. Direto daqui de São Paulo, a banda CINE é conhecida pelo hit Garota Radical (mais alguém descobriu agora que o nome da música NÃO É Aposto um beijo que você me quer?) e pelo sucesso foguete dos garotos.

A banda, além de fixar refrões maquiavélicos na cabeça das pessoas, é recebida por extremos: ou são muito amados ou muito odiados. Mas, o foco da discussão não são os parâmetros de ódio, ou amor, para com a banda CINE, muito menos a qualidade musical do som, não sou um crítico e nunca acreditei em regras para uma boa música. Nosso alvo será o vídeo clipe de Garota Radical.

Segue o link do vídeo. Vamos tentar o mesmo esquema da outra vez. Ler com pausas para o vídeo. Fica mais fácil ilustrar. Sincronia em 3…2…1… PLAY.

O cenário é uma festa, aparentemente, particular, pelo número de pessoas. O detalhe desta cena de segundos fica por conta de um garoto de blusa laranja, francamente feliz dançando com soquinhos ao vento – e pelo medo das pessoas, observem que ninguém está perto dele-. “Aposto um beijo que você me quer”. Fade na festa.

Cortou. Aí estão nossos meninos. Pausa. Eu imagino que ser apenas ou vocalista de uma banda, isto é, não tocar nenhum instrumento, ficando apenas com a voz, deve ser uma tarefa difícil. Não só pelo símbolo do vocalista, mas por uma das questões mais filosóficas do mundo da música: O que fazer enquanto se canta?

O que é a dancinha do garoto no começo???? Começa num movimento meio lacraia, depois marcha soldado, daí ele corta o vendo com a mão e isso tudo com o Wooowoow rolando já. PÁRA. Vamos ignorar o pulinho de outro integrante, seguido de um close assustador do homem dos teclados.

Agora é ótimo. A banda se reúne em slow-motion para uma caminhada pique N’Sync ou Armageddon-aquele filme idiota com o Bruce Willis-, fiquei confuso, quando algo muito curioso acontece. Ignorem o fato de todos estarem mexendo em suas blusas para captar a felicidade do rapaz à direita do vocalista. Ele não tira a blusa, ele bate asa. Será Bruce Wayne um integrante da banda CINE? Mistérios.

Corta. Voltamos para a festa, rola aquele beijo forçadamente repelido quando… O vocalista ataca a câmera. Não. PAUSA. Olhe de novo. O close fecha com um golpe de kung-fu e, quando as mãos se abaixam, um biquinho de Caetano Veloso na Tropicália. Eu tô falando que CINE faz parte de algo do mal.

Outra cena com a banda. O nosso lutador continua com as dancinhas que parecem contagiar o resto da banda, a exemplo do backvocal desse refrão, que faz toda uma performance MC Risole pra cantar. Mais dancinhas e voltamos pra festa. PAUSA. Ou a festa excluiu a banda CINE, ou a banda CINE excluiu a festa. Eles estão numa posição, novamente, nitidamente forçada para que eles sejam o foco, e o pior, parecendo os Power Rangers.

A garota radical passa e causa comoção nos nossos meninos, quando o vocalista nos mostra outro golpe de artes marciais, empurrando o coitado de camiseta (o único com calor) ao seu lado, tudo para admirar a beleza do ser feminino que passava. Close na sósia da Anne Hatteway e voltamos para a banda. Por que o garoto morde o lábio desse jeito? E por que ele puxou a camiseta assim? O que será esse símbolo? Mais mistérios.

Corte. Mais cenas da festa e descobrimos que a garota radical não sabe dançar. Mais dancinhas quando nosso menino do kung fu ataca novamente! O rapaz de camiseta tenta uma aproximação com a garota, quando seu amigo loiro rapidamente age, o tirando de perto da garota radical. Agora vêm cenas da banda, que acredito que sirvam para terminar de enfiar Wooowoows na cabeça do ouvinte.

De volta à festa, vemos que um dos integrantes da banda cine não tem muito tato com as mulheres, o que justifica a indignação da garota radical. Depois de mais uma sequência de dancinhas estranhas, ALGO ACONTECE. Fecha a cena para a festa e abre com um garoto jogado ao chão. Teria o vocalista da banda cine atacado de novo? Será um PT? Esse clipe já é um caso pra turma do Scooby Doo. Ele se levanta e descobrimos que foi a garota radical que aplicou o golpe, e o melhor, que a festa inteira está apontando e rindo. Isso é muito cruel.

Preciso dizer. Cansei. Pra quem quer saber, o clipe termina com a cena mais nojenta do mundo. Enfim. Vamos parar de alfinetar nossos meninos. Um porque eu estou sendo xingado pelo público feminino e homossexual do meu MSN, dois porque um dos integrantes treinou artes marciais com o Chuck Norris, três porque tá ficando muito grande! Esse clipe é cheio de pormenores, quase um Tarja Turunen!

Beijos pra quem lê.

Entre cartas, pop e rock

A banda de pop-rock do Rio de Janeiro, Bleffe, leva diversão e animação com seu trabalho independente e fala de si, influências e opiniões em entrevista para o Vitroleiros.

O Blefe, no pôquer, é aquela mentirazinha em que alguém com jogo pequeno finge ter um grande jogo na mão, para que os demais não paguem e ele não tenha de mostrar suas cartas. Já Bleffe, na música, é uma opção de pop-rock atual brasileiro para quem curte diversificar sua trilha sonora.

bleffe1Christian Garcia (voz e violão, @christianbleffe), Alex Borges (guitarra e vocais, @Alex_bleffe), Cristiano Cokada (bateria e vocais) e Dan Lucasta (baixo, @danlucasta) formam a banda do Rio de Janeiro, que lembra muito algumas dos anos 90 e começo dos 2000. A música, animada e romântica, é daquelas que serve para quase toda ocasião: uma festinha, uma conversa com os amigos, um domingo à tarde, no ônibus indo ao trabalho.

O nome do grupo vem do gosto do vocalista pelo jogo. Mas não pense logo que eles apostam tudo no pôquer… “Nunca jogamos entre nós”, afirma Christian que explica que os mais ligados são ele e o Alex, quem já demonstra certa preferência por outra área dos jogos: “Estou ainda amadurecendo no pôquer, mas me considero um bom jogador de Sueca…”. Cokada é outro que está aprendendo pôquer, mas prefere buraco “e fechado, é claro”. Já Dan Lucasta disse ter perdido um bom dinheiro, “por mais que eu goste do jogo, não sou um jogador”.

Alguns projetos que dão espaço para novos talentos levaram o Bleffe para o público nacional, como o Oi Novo Som, que lançou o single Tarde Demais, e o Garagem do Faustão. “Pra mim foi um susto”, diz Garcia sobre a participação no programa global, onde nem sabia que o vídeo participaria. De acordo com ele, a exibição rendeu até agora mais de três mil visualizações no You Tube. Alex Borges, por sua vez, reconhece que diretamente não rendeu nada, “mas só de estar lá participando, já nos deixou muito orgulhosos do nosso trabalho”. Já Lucasta destacou que “o Faustão foi o maior público do Bleffe até o momento”. Cokada ainda acrescenta, com risadas, à expressão “Se não é visto, não é lembrado”: “num programa de grande audiência, melhor ainda”!

Dentre as influências da banda está The Beatles, de quem gravaram uma versão de Revolution, citada no O Dia Online como destaque. “No nosso caso o que aconteceu foi que fomos convidados por Guto Ribeiro pra fazermos parte de um Tributo aos 40 anos do Álbum Branco dos Beatles”, conta Christian. “Foi uma grande honra pra nós”, afirma o integrante cujo álbum preferido é Let It Be. Somente Dan Lucasta conta com o White Album entre a lista dos que mais gosta, ao lado de Sargent Peppers.

Dos diversos gostos, costumam fazer versões nos shows. “Tocamos Lulu Santos, Lenine, Barão Vermelho…”, enumera Christian. “Acabamos unindo uma boa música com o nosso jeito de tocar”, explica o guitarrista, e Cokada acrescenta: “dá mais personalidade à banda”. Mas também há outras influências como Creed, Legião Urbana, Santana, Djavan, Oficina G3 (“por ser uma grande banda”), Paralamas do Sucesso, Jota Quest, e muitos outros.

Das bandas brasileiras dos anos 80, acompanhadas pela infância, ficaram alguns traços perceptíveis no som da Bleffe. “Nessa época eu já me considerava roqueiro”, afirma Alex, que tentava imitar os grupos. Dan Lucasta já teve uma vivência com os shows desde cedo: “fui ao primeiro rock in Rio acompanhado de amigos mais velhos e amigos da minha mãe”, conta.

Do cenário atual, pouca coisa agrada aos quatro. “Eu curto Jota Quest, que já não é tão nova assim”, pondera Garcia. Alex ainda acrescenta que “não tenho ouvido nada que me chame atenção”. Já Dan Lucasta vai ainda mais longe. Para ele, o rock nacional está dominado pelos “controladores da mídia e pelo jabá”. “Espero que com o advento da mídia digital e descentralizada isso venha a mudar, pois atualmente só se tem mais do mesmo”, comenta o baixista que também acredita que as produtoras e gravadoras preferem produzir seus próprios clones.

bleffe2E é da internet que eles se aproveitam para divulgar o som. Christian Garcia acha que “esse caminho do download é irreversível”, e divulga o blog da banda… Além deste, a Bleffe possui o site, Fotolog, Myspace, Twitter… enfim. Não é a toa que o próprio vocalista possui como uma fonte de renda alternativa a divulgação do trabalho de outras bandas nas redes sociais.

O grupo existe desde em 2002, cresceram depois, com seu primeiro álbum, o independente “Viagens”. Esta é a segunda formação, que caminha junto desde o final de 2007 e “deu certinho”, de acordo com Alex e Cokada. Mas as fronteiras do Rio já são pequenas para a banda. Este ano foram para São João Del Rey, Belo Horizonte e Além Paraíba, em Minas. Para Cokada, “a receptividade fora do Rio tem sido sempre muito positiva”. “Ficamos mal-acostumados”, ri Garcia enquanto Alex sonha (“quem sabe um dia até mesmo fora do Brasil”) e Dan planeja (“acho que deveríamos gravar em espanhol para podermos atingir um público maior, já que o rock ainda é muito marginalizado no Brasil”).

Desde 2007, fazem o Bleffe Convida”, projeto em que tocam com outras bandas. “É um evento que oferece o que todos nós do cenário independente precisamos: TOCAR e mostrar nosso trabalho”, simplifica Cokada. Já Dan filosofa, mais uma vez criticando a indústria, “esses eventos possibilitam manter um ritmo de trabalho (…) sem ser explorado por produtores sem escrúpulos”. Garcia, por fim, explica: “Reunindo mais duas ou três bandas, essa despesa [do aluguel dos espaços] diminui e todos podemos tocar”. De acordo com o vocalista, foi com a banda de Sandra Grego que a Bleffe sintonizou melhor.

Das músicas autorais, românticas e com uma pegada do pop, todos contribuem no processo de composição. Geralmente, Christian compõe no violão e mostra, mas “todos nos damos liberdade de levarmos o que quisermos”, como menciona Alex. “O som acaba ganhando a cara da banda”, finaliza Cokada.

Quase todos tiveram alguma instrução formal musica, e acreditam na importância deste ensino. Cokada até dá aulas hoje em dia (até porque, como mencionou Alex, “infelizmente ainda não dá para viver só da música”). “Ter conhecimento musical sempre amplia muito os horizontes” para o guitarrista. Já o baterista Cokada ainda destaca a facilidade do processo: “hoje em dia o acesso à informação está cada vez mais amplo e simples. Basta você querer pra se aprofundar no assunto”.

Ele, cujo pai era saxofonista, também teve instrução no trompete, que não toca desde 2005. “É um instrumento que você tem que viver em função dele”, explica o músico que resolveu se dedicar aos tambores e pratos. “Hoje estou muito mais realizado musicalmente e não sinto falta nenhuma da época de trompetista”, diz, mas logo brinca: “exceto quando tenho que carregar, montar e desmontar a bateria”.

Além das músicas que se pode ouvir pelo site, é possível baixar a faixa “Tá Tarde” e acompanhar pelo Oi Novo Som a última “Tarde Demais”. “A idéia é gravarmos single a single e depois juntar tudo num EP”, comenta Christian. “Além disso, o momento tem sido muito bom para a gente e isso se reflete no processo criativo e administrativo da banda. As idéias estão surgindo quase que diariamente”, anima Alex. Mais uma vez, Dan Lucasta sonha mais alto: “esperamos estender isso pra todo o Brasil, quiçá a América Latina e quem sabe o mundo”, ri.

Christian Garcia, Alex Borges, Dan Lucasta e Cokada parecem já ter um novo album caminhando, o que poderá aumentar o conhecimento e reconhecimento do trabalho por aí. Com um jeito de pop-rock brasileiro, a banda Bleffe configura no cenário musical atual como uma boa opção, que certamente poderá se tornar a trilha sonora de muitas pessoas, incluindo diversos casais.

#playlist: Beija eu!

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Hoje não é dia do beijo e nem dos namorados. O que me leva a esse assunto, além do fato de gostar de beijar e de todos os seus benefícios à saúde, é a fotografia acima.

Há exatos 64 anos terminava 2ª Guerra: soldados voltavam para seus lares, mais tarde cairia o Muro de Berlim e, mesmo antes de tudo isso, numa comemoração no Times Square… Um marinheiro agarra a primeira mulher que passa ao seu lado e lhe dá um beijão!

Beijo é sempre bom: Apaixonado, afetuoso, abençoado, entre namorados, entre amigos, de mãe para filho, da filha para o pai, beijo de bom dia, beijo de adeus, beijo de juras eternas de amor. E tem o beijo sem grandes compromissos de quem trocam o namorar pelo ‘ficar’. Nas festas, danceterias. Beijo de todos os jeitos pra todos os gostos!

Aqui vai um pequeno playlist, só pra deixar vocês com água na boca!

Se você está vendo ess epost pelo feed e quer ouvir a Playlist, clique aqui.