3E com um a menos

O guitarrista Vitor Cahu saiu da banda pernambucana Terceira Edição, mas vale a pena conhecer o rock dos rapazes.

(com contribuição de Clara Camargo e Tory Oliveira, imagens de Ariane Freitas)

thumbterceiraNo dia em que fomos cobrir o show da banda carioca Leela no Centro Cultural São Paulo acabamos conhecendo outra, o Terceira Edição. Para quem gosta do rock atual baseado em composições próprias, vale a dica.

A banda recifense empolgada abriu a noite em preto e branco – o figurino parecia uniforme combinado, mas formava uma imagem legal. De acordo com a vitroleira Clara Camargo, a banda veio com personalidade na música e nas letras. Para ela, “eles estão no limite entre a qualidade dos Detonautas e CPM 22”. Naquela noite quem tocava eram todos os integrantes: Vinicius Frota, no vocal, Vitor Cahu, guitarra, Thiago Régis, guitarra, Thiago Guerra, bateria, Tiago Tejo, baixo.

Terceira Edição (3E), no cenário desde 2003, já lançou dois álbuns: “O show da vida ideal” e “Sobre todos e sobre ninguém”. Pelo que contam, têm publico cativo em sua cidade-natal, Recife, onde já abriram shows de grandes bandas. Já em São Paulo, para onde vieram há algum tempo, ainda estão na batalha.

Dentre outras informações legais, vale lembrar que participaram do “Garagem do Faustão”. O guitarrista Vitor Cahu conversou com a vitroleira Tory Oliveira sobre o assunto e afirmou que “o programa do Faustão tem uma proposta interessante para as bandas novas, mas o resultado final é desvalorizado pelo pouco tempo que a banda tem para apresentar o seu trabalho”. Sobre a repercussão da aparição Global, Vitor adicionou: “mesmo assim, o programa gerou uma visibilidade incrível”.

Simpáticos, apesar da cara do vocalista de “sou super famoso” quando alguém cantava o refrão ou soltava um berro, o grupo realmente sabe estabelecer um elo. Clara também concorda: “o Thiago Régis enfeitava os solos de guitarra e olhava para o Vitor, que sentia o que ele estava transmitindo e o acompanhava. Isso é sintonia de banda”. Infelizmente, o guitarrista Vitor, que tocava demonstrando alegria, está saindo da banda. Ele parte para Portugal, mas vai continuar compondo para os amigos. Ainda assim, sentimos uma espécie de vácuo, visto que ele parece liderar um pouco o grupo e fazer uma parte muito importante para eles. Daqui pra frente, é ver como as coisas seguem.

A música está melhor no myspace do que ao vivo, quando em alguns momentos parecem barulho. E é na internet, acredita o 3E, que o trabalho chega ao público. Mas fãs, afirmam os músicos, ainda compram e preferem o disco físico, completo.

Termina o último show do Vitor Cahu no 3E e o vocalista Vinicius Frota pede aplausos de pé. “O Vitor abriu portas para a banda”, afirma e vibra. Depois de tudo, um fã da banda ainda pediu: “a palheta!”. E seguem a vida, tocando por aí no cenário brasileiro de rock.

Mais imagens do último show do Vitor no 3E aqui.

Wry: There’s no place like home

De volta ao Brasil, a banda conta um pouquinho sobre sua história, seus lançamentos e seus planos para o futuro – em casa.

Por Ariane Freitas e Tory Oliveira.

Sexta feira, 17 de julho. 22 horas. A passagem de som já deveria ter acabado, mas, devido a alguns contratempos, está só começando. Não parece, definitivamente, o dia de sorte para o Wry: a caminho de São Paulo, a carreta que trazia o equipamento da banda sorocabana foi apreendida e não houve alternativa senão correr atrás de toda a burocracia necessária para retirá-la de lá. O motivo da apreensão? Ainda não estava emplacada. “Nosso despachante disse que podíamos viajar por 15 dias enquanto esperávamos documentação e placa ficarem prontos – mas no km 60 da Castelo Branco fomos parados e descobrimos que não era bem assim”, conta Mário Bross, vocalista, enquanto organiza, em uma bancada ao lado do palco, álbuns, camisetas e bottons personalizados. Com a confusão, além de gastarem uma boa grana em transporte e multas, perderam também a gravação do Poploaded Sessions, no iG.

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No entanto, o Wry não deixou a peteca cair. Numa mistura hipnótica em que vocal, guitarras, baixo e bateria pareciam um só, Mario, Renato, Luciano e W27 derreteram o StudioSP na madrugada fria de sábado para domingo. Luzes e fumaça no palco, cada artista em seu mundo paralelo, os barulhentos shoegazers criaram toda uma atmosfera alternativa  que levou consigo o público, entre boquiaberto e envolvido, a cantar junto até o final.  Se em alguns momentos Wry deixa clara aquela que parece sua maior influência – My Blood Valentine – em outros o grupo mostra-se deliciosamente original. É a prova de que há esperança na cena indie brasileira, basta procurar com vontade. É música pra ouvir ao vivo e delirar. É música pra ouvir no iPod, no loop, até cansar – e não cansa.

Basquete e rock’n'roll

Os quase quinze anos de estrada são resultado de um sonho que começou na adolescência, quando Mario, Luciano e Renato jogavam basquete juntos, e, encantados pelo rock de John Lennon e o barulho punk da época – influências dos irmãos mais velhos de Mario – compartilhavam a vontade de montar uma banda, cantar em inglês e cair no mundo. Nesse tempo, ainda em Sorocaba, nenhum deles tinha ideia de que cantar em inglês não era algo raro aqui no Brasil – e ir para a Europa sempre esteve em seus planos.

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O sonho vingou: foi na Inglaterra que passaram metade da carreira. Tanto que hoje são chamados por vários veículos especializados e críticos musicais de “A banda mais inglesa do Brasil“. Em tempos pré Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê, quando os brasileiros ainda eram vistos como “exóticos” lá fora, eles ousaram – com sucesso – invadir as terras do rock. Não sofreram preconceito do público – talvez das gravadoras, mas “às escondidas”. “Na hora que iam decidir que bandas iam assinar ou não, parece que as inglesas eram sempre as preferidas. Não rolava um preconceito claro, talvez nos escritórios, mas só”. Segundo Mario, falta um pouco de infra-estrutura no Brasil, “lá é mais fácil de tocar, a qualidade do som é maior. Aqui não tocamos muito ainda, não sei como está agora, mas antes alguns lugares precisavam fazer bastante coisa pra melhorar”. No entanto, o público aqui é maior. “Lá o público era menor, mas era legal ter a experiência numa cidade mais antiga, onde o rock’n’roll é business… Aqui é bastante marginalizado”.

It’s business, baby

Na turnê de 2009, o Wry divulga três álbuns: o primeiro, She Science, já foi lançado. The Long-Term Memory Of An Experience sai provavelmente depois de julho e National Indie Hits, o terceiro, tem previsão de lançamento para o fim do ano. Mas por que tantos discos ao mesmo tempo? Não é exagero nem megalomania, segundo a própria banda. A verdade é que eles acabaram produzindo bastante nos últimos tempos e, atuando no mercado independente, não tinham como lançar um álbum duplo – um só ficaria longo demais, o que explica a existência dos dois primeiros discos. O terceiro é uma coletânea de covers que já foi gravada faz tempo e só demorou mesmo pra sair por “alguns probleminhas com direitos autorais”.

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Aliás, direitos autorais à parte, Mario diz não ligar para o fato de ter os CDs disponíveis para download na internet. “Acho que tem muito mais gente apaixonada por música hoje do que antes, exatamente pelo fato de o acesso ser mais fácil. Talvez venda menos CDs, mas estimula as pessoas a tocarem ao vivo – afinal, essa se torna a única forma de ganhar dinheiro – e isso cria mais concorrência, mais mercado, mais casas cuidando do som. O MP3 gratuito é fantástico”. Mas há algumas restrições quanto a isso: “Eu não ligo de ter o She Science pra download de graça, desde que ele tenha saído”. Ele diz isso porque o álbum vazou na internet antes do lançamento, ainda incompleto, e já tinha mais de 500 downloads quando descoberto. Felizmente, o responsável pelo arquivo ouviu o pedido da banda e tirou o link do ar. Embora a favor do download, a ideia de lançar o álbum diretamente na internet, como fez o Radiohead, não é algo que os agrade. “A ideia do Radiohead foi algo sobre o qual se falou muito, não que deu certo. A ideia que dá certo é aquela que prolifera, que mais gente vai seguindo, fazendo igual”.

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Hoje os integrantes do Wry vivem da música – a agenda lotada pelo lançamento dos três álbuns nem permite mesmo que se dediquem a outra coisa – mas, na Inglaterra, além de tocar, eles trabalhavam em um bar. Como gerente, Mario acabou conhecendo um pouco de cada função lá dentro e voltou para o Brasil apaixonado pela ideia de abrir um aqui também. Por enquanto, os planos de inauguração são para setembro. “Vai se chamar Asteroid”, conta. Mas não quer montá-lo em São Paulo. “Eu sou de Sorocaba. Quero fazer negócio lá, já fui imigrante demais na minha vida”, fala, sem pesar na voz. O rockeiro parece mesmo habituado a ser imigrante. Quando questionado sobre ter sentido falta do Brasil, responde sem pestanejar: “Onde estou, estou feliz. Se não estivesse feliz, nem estaria lá”. Sentiu foi saudade, completa: “Saudade dos amigos, da minha família, do Brasil em si. Conforme fui ficando lá fui sentindo mais saudades, mais saudades, mais saudades… Até que não dava mais pra aguentar. There’s no place like home”, completa. De Londres eles ainda não tiveram tempo pra sentir saudades: “o Brasil é tão cheio, tão maravilhoso, tem muita coisa ainda pra viver antes de sobrar espaço pra sentir falta da Inglaterra”.

Debutantes

Para quem está começando na música, a dica foi uma só: “Influencie-se naquilo que está acontecendo com você, no lugar onde você está – porque você é o lugar em que você vive”. Pode parecer contraditório, já que Wry toca shoegaze, um gênero que é bem pouco nacional – sem contar o fato de que eles mesmos começaram cantando em inglês. “Música não é regra, é arte, não tem barreira nenhuma”. Sem preconceitos, eles contam que essa nova “geração emo” de músicos colaborou, de certa forma, com a divulgação do rock hoje: “Se a banda é boa eu acho que não importa se é Heavy Metal, se é emo… Meus sobrinhos todos gostam de rock por causa do emo – isso eu acho massa. Agora, se fosse perguntar pra mim, eu diria ‘goste de outra coisa!’, mas é massa”, fechou Mário, rindo.

Fotos

Mais informações

Na internet

Quase todas as músicas já lançadas da banda estão disponíveis para download no TramaVirtual.
As novidades a respeito de Wry você encontra no blog WryNow.
E se você curtiu mesmo, dá pra ouvir no Myspace e seguir o Wry no Twitter. =)

Agenda

AGENDA -WRY
17 jul 2009 22:00
StudioSP Sao Paulo, São Paulo
8 ago 2009 22:00
Groselha Fuzz @ Bronze Ribeirão Preto, São Paulo
13 ago 2009 21:00
A Obra Belo Horizonte, Minas Gerais
15 ago 2009 22:00
BDZ Campinas, São Paulo
29 ago 2009 20:00
Sorocaba Clube Sorocaba, São Paulo
4 set 2009 22:00
Proibido Divulgar Proibido Divulgar, São Paulo
5 set 2009 22:00
Studio Eleven Franca, São Paulo
26 set 2009 22:00
Tribo’s Maringá, Paraná

Iates, mulheres, dinheiro, mulheres… 80 anos de Serge Gainsbourg

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(Por Diego Sartorato)

Tudo parecia já começar mal, muito mal. Nos alto-falantes, a voz de um funcionário do SESC Paulista anunciou solenemente: “é proibido fumar durante o show”. Mas antes que a ira anti-tabagista coloque o leitor contra mim, explico: choca o contra-senso de sentar para ouvir os rocks e “chansons” de Serge Gainsbourg sem poder acender um cigarro e mandar pra dentro uns bons goles de vinho. Sinal dos tempos politicamente corretos. Os shows, que ocorreram em todas as quartas-feiras de julho e serão encerrados com uma festa no dia 31 (ingressos esgotados), são parte da comemoração do ano da França no Brasil – que coincidiu com o aniversário de 80 anos do cantor. No fim das contas, não decepcionaram nem um pouco.

Por mais que já tenha passado da hora de aproveitar o evento, vale a oportunidade para correr atrás de conhecer o legado de um dos cantores mais influentes e originais do século passado. Todo mundo conhece pelo menos uma, “Je t’aime mon non plus”, notória pelos sussurros e orgasmo (supostamente genuíno) da modelo e então namorada Jane Birkin. A parceria com beldades no estúdio e entre quatro paredes foi uma constante na vida do boêmio Gainsbourg, que namorou e gravou dois discos com Brigitte Bardot. “Charlotte é o grande amor da minha vida que eu não posso levar para a cama”, dizia da própria filha.

Serge Gainsbourg & Jane Birkin

Serge Gainsbourg & Jane Birkin

Filho de judeus russos que fugiram da revolução comunista e criado em uma França sob ocupação do exército nazista, Gainsbourg misturou sua formação em música erudita com uma profunda admiração pelo rock n’ roll norte-americano (e toda a cultura yankee, evidenciada em canções como “Comic Strip” e “Bonnie and Clyde”), e mais tarde incorporou elementos de reggae e rap. Parece a união de todos os ingredientes de um fracasso flamejante, mas é Gainsbourg. E é bom demais.


Gainsbourg, The initials BB

Tudo isso pôde ser observado – sem cigarro e sem vinho, mas com as musas de sempre – nos shows de Edgar Scandurra et Les Provocateurs (lês provocatérs, pra pronunciar sem passar vergonha). Bons músicos, convidados interessantes como Fausto Fawcett, Arnaldo Antunes e Guilherme Arantes, e todo o clima mezzo mod, mezzo cult que a coisa toda propicia. Destaque para a ala feminina, uma personificação em três tempos de Melody Nelson, personagem lolitesca do álbum conceitual de mesmo nome lançado em 1971. A voz da ninfeta fica a cargo da esposa de Scandurra, Andréa Merkel. A juventude propriamente dita com a menina Juliana R, e a sensualidade com Bárbara Eugênia – que merece atenção redobrada para suas apresentações solo no Studio SP.

Difícil mesmo foi convencer o público paulistano a soltar as amarras pra entrar no clima da contra-cultura francesa dos anos 60. Ok, talvez seja pedir demais. Mas vale a pena correr atrás de ouvir o melhor de Gainsbourg o quanto antes para o caso de, ano que vem, acontecer um show de 81 anos. Dá tempo de decorar as letras, mesmo não entendendo nenhum dos versos de rebeldia, alucinação e promiscuidade, e não cantar em coro um “acunbensurdaletrasit” embolado no lugar do “Aucun Boeing sur mon transit” do início do hit L’ananamour.

serge-gainsbourg-paris-1970Pra conhecer mais (torrents, ativar):
Initials BB (1968)
Jane Birkin/Serge Gainsbourg (1969)
Cannabis (1970)
Histoire de Melody Nelson (1971)
Rock Around the Bunker (1975)
Love on the Beat (1984)

#drops: A nova do MUSE: United States of Eurasia

E finalmeeeeeeeente, depois de espera e suspens,  na última terça-feira o Muse divulgou a primeira música do álbum “The Resistance”, que será lançado no dia 14 de setembro.

“United States of Eurasia” é o nome da faixa que só foi ao ar depois de uma espécie de desafio criado pelo grupo, em que seis pen drives contendo um código que deveria ser inserido no site do Muse para liberar um trecho da música foram escondidos em Tóquio, Berlim, Paris, Hong Kong, Moscou e Dubai e tiveram de ser encontrados por fãs.

Escute aqui “United States of Eurasia”:

Na van com Fresno

…ou “o dia em que Bombamos no Posto”.

Imagina tua banda favorita tocando bem aí, na tua frente. Não tem palco, é tudo num clima meio “ensaio na garagem”, só entre amigos. Pois é, assim foram os pocket shows da  Fresno nessa quinta-feira, 16 de julho, nos postos ALE.

Confesso que desde que contei pela primeira vez sobre o projeto da ALE, “Bombar no Posto”, estava curiosa para saber como seriam esses pocket-shows: o público, o som, a reação da banda, dos funcionários do posto, tudo era motivo pra botar minha cabeça pra funcionar. Pois bem, eu disse era porque, como vocês sabem, semana passada o Vitroleiros foi convidado a acompanhar a Fresno nos três últimos shows em São Paulo – dentro e fora da van – e aí a curiosidade foi pro espaço. :)

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Todos muito pimpões e falantes!

A brincadeira começa logo cedinho num ponto de encontro determinado – onde equipe e banda acertam as coisas –  e se espalha pela cidade a cada parada pra “abastecer”.  As paradas, claro, são reveladas antes – que é para os fãs terem tempo de chegar ao local. Quando estávamos pertinho de cada posto, era hora de descer e caminhar: quem é que vai querer sair da van na hora do show, no meio dos meninos? Eu não, né? Nem ninguém, queridos, nem ninguém.

Pois é, o primeiro posto já estava cheio! E por cheio entendam várias pessoas se amassando pra conseguir ficar bem perto do Lucas, do Tavares e do Vavo – o Bell fica sentadinho tocando lá atrás e só levanta no fim do show.  Quem é fã vai à loucura assim que a van chega. E quando a porta se abre e descem os meninos, tocando e cantando, é pura emoção. Gente com cara de “What the fuck?” passando pelo posto, funcionários todos dançandinho ao som de Fresno, fãs cantando felizes, pais segurando filhas frenéticas. Fresnéticas, pra não perder o pobre trocadilho.


Eu não sei fazer vídeos. Tremi, virei a cam, fiz a loca… Mas o que vale é a intenção.

Gritaria, empurrões, fotografias, vídeos, todo mundo querendo aproveitar um pedacinho do ídolo – quem é que deixaria passar a chance de tirar uma lasquinha? Até eu que só ouvia Fresno quando tinha 14 anos (e só estou assumindo isso agora porque nos shows eu descobri que ainda sei todas as letras deles) aproveitei. Tirei lasquinha, gaguejei dentro da van na hora de batermos papo, corei ao ouvir algumas besteiras que eles falaram. Porque pensem junto comigo: o que quatro marmanjos fazem quando ficam juntos dentro de uma van? Falam besteiras, óbvio!

De repente, no meio do trajeto entre um posto e outro, Tavares começa a falar o nome de um monte de aviões. “O que é isso, menino? Que fissura é essa?”, alguém pergunta. “Tinha trauma de avião, então comecei a ler a respeito, comprar livros, revistas, quis entender um pouco”. “Agora tem mais medo ainda”, debocha Bell, do outro extremo do banco que os quatro dividem. Tavares, Lucas, Vavo e Bel parecem irmãos. Estão o tempo todo se provocando, rindo entre si, falando de música, academia (aqueles magricelos MALHAM!), mulheres, até de amor. Também falam de internet, stalkers e afins. Foi falando de internet, inclusive, que Tavares soltou a pérola “”Twitter só serve pra mulher ficar dando indireta pra homem, homem pra mulher… Só serve pra mandar indireta” – e acho que fui a única que discordou na hora. Aliás, Tavares e Lucas ganharam o troféu tagarelas. Falam muito – e rápido. Vavo fica quietinho quase sempre (e faz valer toda vez que abre a boquinha, acreditem!) – e o Bell vive num universo paralelo: do nada, começa a cantar. Depois fica quietinho de novo, ou pede um Toddynho e volta a discutir animadamente com os outros três.

Quem assiste a um show geralmente segue a van até o próximo. São cerca de duas ou três músicas por posto, com todo mundo cantando junto –  até quem não faz parte da brincadeira. O que me impressionou mesmo foi a maneira aparentemente sincera com que os quatro se permitem tocar. Quer dizer, os meninos da Fresno têm uma paciência infinita: atendem uma a uma as fãs desesperadas por um carinho, tiram fotos, dão autógrafos, respondem a perguntas desejáveis e indesejáveis. O sucesso não fez mal a nenhum: batem papo conosco de igual pra igual. Bati um papo com Bianca e Jhonata, ambos responsáveis  pelo Fã Clube Oficial do Bell (Belluscas ♥ Belluscos), e eles me contaram que essa dedicação toda da banda é recorrente. Jhonata entrou na van comigo em uma das viagens e foi o responsável por um super bate-papo a respeito de Xbox. É, a Fresno joga Xbox, galera. Imagina que piração! E a Bianca me contou que ficou pra fora de um show no Hangar porque não tinha mais ingressos – e o Lucas e o Tavares a viram na porta e colocaram pra dentro do show. É que como em São Paulo a freqüência dos shows é maior e há alguns fãs que sempre os acompanham, eles já conhecem boa parte até pelo nome. Uma maneira de retribuir a paixão de quem não perde sequer um show – e está sempre de olho em tudo que acontece com eles.

Na foto: Vavo (abaixado), Bell, Tavares, Bianca (FCO Bell), Lucas, Gisele (Comunidade Fresno Orkut), Jhonata (FCO Bell) e eu, escondidinha (sabe Deus por quê!) atrás da Gisele.  Como nem tudo são flores, minha câmera de verdade deu pau e eu tive de tirar fotos com a da minha irmã. Mas ahh, estão aproveitáveis! Tem aqui na minha galeria do Flickr e na galeria oficial da Ale. =)

Pra quem não é de São Paulo, um aviso: A Fresno bomba em BH no dia 25, e tem promoção pra galera do Norte/Nordeste que quer ver um show mas não pode!  Corre lá em http://ale.com.br e participa ou acompanha pra ver quando vão chegar a tua cidade!

#drops: Saiu o clipe de “Me Adora”, novo single da Pitty!

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Pitty liberou em primeiramão no 256tonsdecinza o primeiro clipe do Chiaroscuro. Me Adora, que já está tocando em todas as rádios do país, estreia na TV ainda essa semana, tem versão em clima de baladinha – e o melhor, é em HD!

Assistam agora ao clipe de Me Adora!

Pra quem gosta de acompanhar, a letra:

ME ADORA

Tantas decepções eu já vivi
Aquela foi de longe a mais cruel
Um silêncio profundo e declarei:
“Só não desonre o meu nome”

Você que nem me ouve até o fim
Injustamente julga por prazer
Cuidado quando for falar de mim
E não desonre o meu nome

Será que eu já posso enlouquecer?
Ou devo apenas sorrir?
Não sei mais o que eu tenho que fazer
Pra você admitir

Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber
Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber

Perceba que não tem como saber
São só os seus palpites na sua mão
Sou mais do que o seu olho pode ver
Então não desonre o meu nome

Não importa se eu não sou o que você quer
Não é minha culpa a sua projeção
Aceito a apatia, se vier
Mas não desonre o meu nome

Será que eu já posso enlouquecer?
Ou devo apenas sorrir?
Não sei mais o que eu tenho que fazer
Pra você admitir

Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber
Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber

É, “Me Adora” gruda duma forma na cabeça da gente… Refrão maldosamente pegajoso (como definiu o Inagaki) e que você pode até não gostar na primeira vez que ouve, mas de repente…

#playlists: With a little help from my friends

dia do amigo: playlist, músicas que falam de amizade, amigos, música

Que hoje é dia do amigo todo mundo sabe (ou não!). Pensei em dizer que achava até um pouco de sacanagem ser em plena segunda-feira, porque o ideal era comemorar, passar o dia com aqueles que fazem nossa vida mais feliz e tudo o mais. Mas aí eu percebi que, oi? Dia do amigo é todos os dias, afinal, na alegria e na tristeza, quem é que está lá com você?

Pra não deixar a data passar em branco, separamos algo pra deixar seu dia do amigo um tanto quanto… Musical.

Mas já vamos avisando: tem de pseudoamizade à amizade colorida… Então não leve tãão a sério. :)

Enjoy it! E, claroo… Conta pra gente aí embaixo qual é a sua “música de amizade” favorita!


Tracklist

1. Meu Caro Amigo By Chico Buarque

2. You’ve Got A Friend By Carole King

3. Canção Da América By Milton Nascimento

4. Live At Woodstock 1969 By Joe Cocker

5. Stand By Me By Pennywise

6. Ben By Michael Jackson

7. Amigo By Roberto Carlos

8. Positively 4th Street By Bob Dylan

9. Ain’t No Mountain High Enough By Marvin Gaye & Tammi Terrell

10. Somos Amigos By Balão Mágico

11. Whisky Pra Um Condenado By Matanza

12. Anyone Else But You By The Moldy Peaches

13. Don’t Speak By No Doubt

14. All Star By Cassia Eller

15. Preciso Dizer Que Te Amo By Bebel Gilberto & Cazuza

16. Best Friend By Amy Winehouse

Últimas notas?

michaeljacksonDe tudo que tem saído na mídia – enterro cinematográfico, discursos e homenagens, fotos do último show e até do supertúmulopop – finalmente algo musical surgiu da morte de Michael Jackson. Entre filhos, dinheiro, pai e uma imagem no capô de um carro, no site do Terra hoje está lá na página inicial: Ouça suposta canção inédita de Michael Jackson.

Suposta? Bom, o áudio foi divulgado pelo site TMZ, pra variar. De acordo com o site, essa nova música teria sido inspirada na canção do America Bom, “A Horse With No Name”. Anyway, vá lá e confira: http://terratv.terra.com.br/Noticias/Especiais/Michael-Jackson/4577-241455/Ouca-suposta-cancao-inedita-de-Michael-Jackson.htm

Na fossa com os Cowboys Junkies

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Por Rosana Villar

Nos últimos anos o ritmo folk invadiu com o pé na porta a cultura rock. O Kings of Leon se tornou uma das bandas mais importantes do mundo, vimos surgir Mallu Magalhães e todo um séqüito de jovens seguidores, fãs de Bob Dylan desde o nascimento. Mas não é de hoje que a banda indie Cowboy Junkies bebe dessa fonte e abusa da mistura folk-rock de uma maneira única e brutal.

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O grupo nasceu em 1985, com o propósito de fazer blues canadense (?) da melhor qualidade. Margo, irmã caçula de Michael e Peter Timmins, foi a escolha óbvia para os vocais e os Cowboys Junkies se tornaram uma banda quase familar – quase, por conta do intruso, Alan Anton, o baixista. Margo tinha uma voz suave e cantava de uma forma melancólica que soou extremamente interessante. Para aproveitar o trunfo, a banda toda resolveu se adaptar. Baixaram ainda mais as rotações e inseriram elementos daqueles velhos e chorosos blues do interior dos Estados Unidos.
Gaitas, slides de guitarra e aquela maldita voz! O primeiro disco, Whites Off Earth Now!!, lançado pelo selo que a própria banda havia fundado, vinha recheado de clássicos do blues revisitados pela voz emblemática de Margo e o ritmo cadente do grupo. Era impressionante, para o público, como uma coisa tão triste podia soar tão bem. Pois, se você acha Belle and Sebastian triste, meu amigo, tenha medo de Cowboy Junkies!

Altamente recomendável para fossas homéricas e desaconselhado em caso de intenção de suicídio. São, seguramente, uma das maiores “bandas tristes” de todos os tempos.

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Mas os Cowboys Junkies nasceram de verdade para o mundo, e talvez para si mesmos, no segundo álbum. Em The Trinity Session a influência folk estava por toda a parte. O disco é imperdível, do início ao fim. O mais interessante é que o álbum foi gravado inteiro ao vivo, no dia 27 de novembro de 1987, num “estúdio” de acústica muito peculiar, a igreja The Holy Trinity (santa trindade), em Toronto.

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A Session começa com Mining for Gold, uma canção tradicional canadense interpretada em capela por Margo, e é seguida por baladas de tirar o fôlego. 200 More Miles, uma das mais lindas canções da história, e a versão icônica de I’m So Lonesome I Could Cry, do monstro da música folk norte-americana, Hank Williams, já valem a audição.

Mas o grande sucesso de The Trinity Session ficou por conta da contundente versão de Sweet Jane, de Lou Reed, considerada pelo próprio autor como a melhor versão já gravada de sua música. A versão alcançou a 5° colocação na parada da Billboard e foi trilha sonora do filme Assassinos por Natureza, do diretor Oliver Stone, de 1994.

De lá para cá, já foram 24 anos de banda, firme e forte, cerca de 20 álbuns lançados (entre coletâneas e inéditos) e muitas canções boas de ouvir chorando no banheiro.

*Falando em Cowboy Junkies…Vocês lembram daquela promoção da Virgin, que tinha um cartaz com 75 nomes de bandas escondidos em uma imagem? Pois eles estão lá. Dá uma olhada. Aproveita e tenta encontrar as outras 74…

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O rock de Wry

Eu sei, eu geralmente falo sobre novidades – mas dessa vez eu vou falhar com vocês. Nem tanto: a banda não é novidade (está no cenário independente desde 1994), mas a volta deles pro Brasil é recente. Tô falando do Wry (é, o título “azedinhos” é um trocadilho infeliz), um grupo sorocabano de rock alternativo da melhor qualidade que, dos 14 anos na estrada, passou sete em Londres – mas diz que agora voltou pra ficar.

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Formada por Mario Bross, Luciano Marcello, Renato Bizar e W27, Wry é toda “ciências, sonhos e memórias” – pelo menos é isso que diz o Myspace da banda. Seu último LP, “Flames in the Head”, foi produzido por Tim Wheeler (vocalista da banda irlandesa Ash) e Gordon Raphael (produtor dos dois primeiros álbuns dos Strokes) e fechou a turnê de 2006, no Brasil, com a apresentação no desfile da grife Ellus (SPFW) tocando ao vivo sob a direção de Bia Lessa.


Na passarela.

Na bagagem, três álbuns: “She Science”, cuja turnê de divulgação estreou no Studio SP e vai percorrer boa parte dos estados brasileiros, “The long-term memory of an experience” e “National Indie Hits”. Os três lançamentos acontecerão esse ano  - o que garante uma agenda bem movimentada. No começo de julho, saiu o novo clipe “Dois Corações e O Sol”.


Eu só quero saber quando você vem me ver

Wry é viciante. Em português, em inglês… Viciante. Tente colocar pra tocar enquanto cumpre as obrigações: faz a vida parecer ainda mais um filme/seriado, com direito a momentos em que você simplesmente parece estar olhando pra ela de cima. “Different From Me”, como definiu a Rolling Stone, é digna de se ouvir em loop.

Dá pra acompanhar a banda pelo blog WryNow – e quase todas as músicas estão disponíveis para download no TramaVirtual. A agenda deles tá aqui embaixo, que é pra vocês poderem correr quando estiverem por perto. (Essa sexta, inclusive, tem Studio SP! Vamos?)

AGENDA -WRY
17 jul 2009 22:00
StudioSP Sao Paulo, São Paulo
8 ago 2009 22:00
Groselha Fuzz @ Bronze Ribeirão Preto, São Paulo
13 ago 2009 21:00
A Obra Belo Horizonte, Minas Gerais
15 ago 2009 22:00
BDZ Campinas, São Paulo
29 ago 2009 20:00
Sorocaba Clube Sorocaba, São Paulo
4 set 2009 22:00
Proibido Divulgar Proibido Divulgar, São Paulo
5 set 2009 22:00
Studio Eleven Franca, São Paulo
26 set 2009 22:00
Tribo’s Maringá, Paraná